PRÓS
-- Variedade de personagens
-- Estilo do jogo continua forte e interessante
-- Adição do modo expectador
-- Modo on-line continua disputado
CONTRAS
-- Cade os replays, Capcom?
-- Pouca variação de modos
-- Modo de treino pode ser mais completo
Por Rodrigo Brasiliense
Não, não é deja vu. Você já viu este nome, ou melhor, parte dele na seção de análises durante este ano. Ultimate Marvel vs. Capcom 3, antes de darmos seus méritos e falhas, já pode ser coroado como o mais rápido update já lançado pela Capcom – sim, foram meros 8 meses após o lançamento. E fica a questão, mesmo com seu precinho camarada (40 dolares), será que vale realmente a pena?
Sim e não. Só que, como uma resposta dessas não ajudaria muita gente, vamos por partes para que tudo fique bem entendido, começando pelo “não”.
Se você não gostou da jogabilidade frontal e definitiva de Fate of Two Worlds, leia-se, um estilo de jogo que prioriza combos velozes que, quando bem aplicados, resumem uma batalha a meros 20 segundos, a grande chance é que você não vai gostar deste update, afinal, apesar da adição de 12 personagens, o jogo ainda é o mesmo.
O que pode acontecer, ainda que difícil, é você redescobrir a graça nos coloridos embates do título: Isto porque os 12 personagens citados, quase todos, reforçam um novo fluxo de jogo, o estilo mais controlado e interceptador dos projeteis, onde limitar o espaço de seu oponente fala mais alto e pode mudar o curso de uma partida inteira.
Agora, para quem já se divertia antes, a coisa só ficou melhor. São os já comentados 12 personagens, novos cenários e novas oportunidades para todos os personagens, inclusive os antigos que receberam novas habilidades. A direção tomada pela Capcom nesta versão foi uma das mais interessantes, ao invés dela baixar o poder daqueles personagens que se sobressaíram no primeiro jogo, não... eles simplesmente aumentaram a força dos que ficaram para trás de forma que agora estes agüentem o tranco. Significa que você não mais será abusado pela icônica Sentinela? Significa.
Como dito, o jogo continua priorizando a velocidade e a execução dos combos, sobretudo, os aéreos, que garantem uma série de bônus àqueles que o dominam. O que em Fate of Two Worlds garantia apenas uma barra de especial a mais, agora, por exemplo, de acordo com a direção que você arremessa seu oponente, pode garantir uma barra extra do poderoso X-Factor. Aliás, falando nesta, a habilidade agora dura menos e da um dano inferior ao do jogo anterior, entretanto, ela é mais flexível e pode ser ativada até mesmo em pleno ar, marcando chances de se interceptar o avanço do seu inimigo.
De resto, a maior parte da empolgação vem dos novos personagens, seja Vergil e seus cortes rápidos e definidos, tão diferentes de seu irmão Dante, ou Iron Fist, cujo a mobilidade e os socos fortes compensam pela falta de um projétil decente. As maiores fraquezas do jogo passado mesmo, que não tinham nem a ver com a jogabilidade, mas sim a ausência de um modo história mais abrangente, entre outras variações, continuam lá.
O modo on-line, que já era excelente, ficou melhor com a adição do modo expectador, no qual você pode presenciar as lutas de uma sala enquanto espera sua vez de cair no pau, mas ainda faltam coisas. Estas como um modo replay, afinal, que jogador caprichoso não ficou tempos e tempos assistindo os melhores no respectivo de Super Street Fighter IV, certo? Pois é, faltou aqui.
Jogar no modo Galactus também é até que divertido, mas com o tempo (leia-se: após você terminar a primeira vez) fica manjado e tedioso e por fim, o Modo Mission conta com as mesmas falhas do primeiro jogo. Ele funciona e diverte, mas só se você já tem certo domínio sobre o jogo, caso contrário ele pode ser extremamente falho quando visto como uma ferramenta de treino.
Mas não nos enganemos, apesar da maré depressiva que foram os últimos parágrafos, o jogo ainda é um dos mais autênticos existentes, tanto em jogabilidade, quanto estilo. O visual retorna ainda mais vivo, não por upgrades, mas pela variação dos cenários e os próprios personagens novos que se desviam fortemente do esquadrão apresentado no primeiro jogo. O mesmo pode ser dito da trilha sonora, forte e presente, com uma dublagem que se adapta aos personagens e as situações, ou seja, o melhor que você pode esperar de um jogo de luta moderno.
Definitivamente melhorado: Ultimate Marvel vs. Capcom 3 continua a ser assustador para o cara que nunca partilhou de seus prazeres, mas agora menos, graças ao equilíbrio renovado e o novo panteão de personagens que resgatam uma jogabilidade mais calculada. Em poucas palavras – as chances daquele veterano ganhar simplesmente no grito diminuíram. Considerando a facilidade para se envolver com o jogo, seus 48 personagens e até mesmo a época em que estamos (também conhecido como fim de ano), não haveria período melhor para se adquirir o jogo e passar horas espancando (ou não) seus amigos.