PRÓS
- Você toca uma guitarra real
- Jogabilidade é interessante
- Amp mode é ótimo
- Guitarcade é divertido
- Ensina a tocar guitarra desde os primeiros passos até o nível intermediário
- Ótimo para quem está afim mesmo de tocar o instrumento
CONTRAS
- Delay e qualidade variam com equipamento
- Gráficos são simples demais
- Setlit poderia ser melhor
- Tutoriais poderiam ser pulados rapidamente
- Campanha sem graça
- Multiplayer (quase) inexistente
- Interface confusa
- Exige dedicação
por Daniel Reininger
Imagine que um garoto compre uma guitarra e aprenda a tocar. Eventualmente as obrigações do dia a dia acabam o afastando de alguns de seus hobbies, o instrumento entre eles. Jogar Rockband e Guitar Hero quase traz de volta um pouco da sensação de “tocar”, mas para quem é músico, estes não passam de videogames bem feitos. Então nada mais normal do que um título que deixa de lados os botões coloridos em prol de uma guitarra real atrair muita de sua atenção, certo?
Estou falando de Rocksmith, um jogo de ritmo que chega um pouco atrasado, é verdade, porém não é apenas “mais um” a se arriscar no gênero musical, mas sim um game com uma tecnologia que pode revolucionar a arte de fazer música no videogame como nenhum outro. E de quebra tem a capacidade de conquistar exatamente este público que quer aprender a tocar, ou já sabe, mas não tem tanto tempo para se dedicar.
Para começar é muito simples. Basta colocar o jogo no videogame, conectar sua guitarra ao console com o cabo que traz uma entrada USB de um lado e uma real tone de ¼ de polegada do outro e jogar. Tão simples quanto ligar seu controle estilizado do Guitar Hero (só um pouco mais pesado). Além disso, a praticidade é ainda maior pelo fato dos pedais e outros acessórios serem dispensáveis, já que o jogo possui uma grande gama de distorções e efeitos que acompanham cada uma das músicas, além de oferecer a oportunidade do jogador criar efeitos personalizados no Amp mode, que explico melhor mais abaixo.
Logo de cara ficam claras as diferenças em relação a Guitar Hero. Em Rocksmith você não começa tocando logo de cara em uma dificuldade pré-definida que tenta simular a complexidade da música com alterações rápidas de botões. A coisa evolui como uma aula mesmo. Você inicia pelo básico e vai evoluindo conforme passa pelos desafios e prova para o jogo que está pegando o jeito da coisa.
Primeiro o título ensina sobre as palhetadas, cordas, bem o básico do básico, para somente depois colocar o jogador em uma campanha na qual é preciso praticar músicas, atingir certa pontuação e fazer um show. A dificuldade é ajustada conforme a habilidade de cada um. Nas primeiras “frases musicais” apenas uma nota é tocada, mas conforme você acerta, mais delas são acrescentadas, até que você esteja tocando a música exatamente como ela foi composta.
Claro que aqueles que já têm costume com o instrumento se adaptam mais rapidamente. É só questão de associar a imagem na tela à nota na guitarra, o que exige um tempo de adaptação, algo dentro do normal. Sem dúvida alguns passos podem parecer complicados para os músicos de primeira viagem, mas como o passo a passo é gradual e extremamente explicativo basta ter vontade e prestar atenção em cada técnica ensinada, como bends, vibratos, pull-offs, para ser capaz de fazer um som legal. Não que isso faça de você um profissional, afinal as técnicas ensinadas vão até o nível intermediário, mas já é algo.
No final das contas, todos têm chance de pontuar alto a cada música – sim, pontuar, afinal, por mais que pareça um professor virtual, e de fato cumpre bem esse papel, Rocksmith ainda é fundamentalmente um videogame e a ideia é divertir e recompensar. Como o jogo faz isso? Simples, conforme os jogadores progridem, novos modos, opções para o Amp mode, cenários, técnicas, conquistas ou troféus são desbloqueados.
Para evitar a monotonia que pode surgir eventualmente, a Ubisoft criou o modo Guitarcade, uma coleção de minigames que ensinam escalas básicas, acordes e harmônicas com jogos arcade bastante divertidos. Em um deles é preciso atirar em patos tocando a nota certa, enquanto outro usa acordes para vencer uma horda de zumbis. Esse modo é divertido e desafiador ao mesmo tempo em que aprofunda o aprendizado inconscientemente, ainda mais se combinadas com as Technique Challenges, desafios para ensinar técnicas básicas ao jogador de acordo com o seu estilo.
Rocksmith sem dúvida representa um salto extraordinário de tecnologia em relação a outros games de ritmo. Só que dependendo da TV, que pode precisar ser sincronizada, e cabos, existe um delay e a qualidade sonora varia muito mais do que aconteceria com um amplificador. O fato de você não poder ajustar a dificuldade é um grave problema e pode frustar guitarristas que não querem começar tocando apenas uma nota a cada cinco e enche a paciência dos jogadores novatos que não querem se dedicar o suficiente para aprender, mas gostariam de tocar casualmente apenas para se divertirem em uma dificuldade padrão.
Não é só isso não, a interface também é sofrível e os tutoriais, apesar de uteis, são intermináveis e irritam aqueles que já sabem do que se trata. Falta também um modo multiplayer, recursos online e uma campanha mais completa, pois a presente no título é incapaz de criar a sensação de uma carreira de rockstar como seus concorrentes.
Certamente o mais frustrante de tudo é o setlist. Sem muitas músicas de expressão, apesar de bandas como Rolling Stones, Nirvana e Red Hot Chili Peppers darem as caras. Infelizmente, mesmo os artistas independentes apresentam apenas músicas interessantes, mas nada que se diga “caramba que show de bola”. As escolhas não são ruins, de forma alguma, mas é impossível passar pela lista e não pensar que muita coisa legal ficou de fora, inclusive outras composições das próprias bandas presentes no game. Será que Guitar Hero e Rockband já garantiram os direitos de todas? Parece.
Ainda bem que existe o já citado Amp Mod, que oferece aos guitarristas mais experientes a chance de criar seus próprios efeitos, distorções de maneira única, algo que nenhum jogo musical faz. No final das contas, é capaz de transformar seu videogame e sua TV em um amplificador e pedaleira sem muito esforço.
Mesmo com todas as suas falhas é preciso reconhecer que a Ubisoft encarou o desafio de criar uma nova tecnologia para revolucionar o gênero musical e foi bem sucedida. Rocksmith é apenas o primeiro da franquia e suas falhas podem ser corrigidas facilmente nos jogos por vir, mesmo que por enquanto sejam pedras no caminho que impedem o game de se tornar algo realmente grandioso. Ainda assim, é uma opção interessante para um público especifico, que quer voltar ou aprender a tocar guitarra sem muita complicação e com o estimulo de jogar videogame ao mesmo tempo. Só tenha em mente que se a ideia é se divertir sem esforço, as franquias musicais mais antigas ainda cumprem melhor esse papel.