
por Daniel Reininger
A aguardada conclusão da trilogia espacial da BioWare, Mass Effect 3, será épica, maior e mais emocionante. Realmente digna do que a franquia mostrou até aqui. Só que se você acha que vai ver apenas a parte final da história com gráficos mais bonitos está enganado, pois a Bioware resolveu trazer algumas novidades, como o modo multiplayer e um combate mais preciso.
Para começar, Mass Effect 3 é um RPG com um sistema de combate em terceira pessoa, no qual cada uma de suas escolhas tem um enorme peso na campanha. Um detalhe interessante da franquia é que as decisões que você faz em um jogo tem um forte impacto sobre o próximo, então não é exagero dizer que cada um de nós terá uma experiência diferente com ME3, principalmente no caso de quem jogou os dois primeiros.

A trama será retomada exatamente do ponto em que o último conteúdo para download (DLC) de Mass Effect 2 (Arrival), parou, com o comandante Shepard enfrentando um julgamento após ter causado danos extensivos para tentar proteger a galáxia. Só que no meio da sessão, os Reapers, uma raça de máquinas sentientes que exterminam toda a vida da Via láctea a cada 50.000 anos, aparecem e começam o seu ataque contra a Terra, planeta mostrado pela primeira vez na série (e já começa destruído, coitado).
Com a batalha pelo nosso planeta perdida, a única esperança é fugir, obter apoio e montar um contra-ataque para salvar o futuro da humanidade. Isso significa que ao invés de encontrar companheiros de equipe para uma missão, você terá que convencer civilizações inteiras, como os Salarians ou Quarians, a se juntarem à sua causa para lutar contra os Reapers. O problema é que nem todos entenderam que estão ameaçados.
Para complicar as coisas a corporação secreta Cerberus decidiu se voltar contra o comandante Shepard (os dois trabalharam juntos em ME2), embora os detalhes ainda não estejam completamente claros. É bom lembrar que os finais possíveis de Mass Effect 2 deixavam esse gancho aberto de formas diferentes, falta ver como tudo será amarrado.
É claro que os amigos estarão com Shepard. A novidade aqui é que o jogador terá à disposição um esquadrão menor do que em Mass Effect 2, no qual tínhamos 12 recrutas. Essa decisão vem com o propósito de criar "relações mais profundas" entre os personagens. Os companheiros confirmados são: Garrus, Liara, Kaidan ou Ashley, Tali, Liara, Samara, Grunt, Mordin Sollus, Legion e o novato James Vega. Não sabemos se todos o acompanharão nas missões ou se alguns ficarão como tripulação da Normandy, que também retorna com sua curiosa A.I. chamada EDI.

Os romances também estão de volta, mas infelizmente novos casos estão excluídos por enquanto, pois a Bioware sabe que 70% dos jogadores não foram leais aos seus casos amorosos do primeiro Mass Effect. E agora haverá consequências desses atos "libidinosos". Isso será curioso.
Sobre a jogabilidade, a boa notícia é que os elementos de RPG serão expandidos e haverá mais liberdade nas escolhas das habilidades dos personagens em relação ao que vimos no segundo game. As skill trees serão maiores e os poderes poderão ser evoluídos diversas vezes. Mas não é só isso, uma série de adições aparentemente pequenas mudará a forma de jogar Mass Effect.

Andar e mirar ficou muito mais fácil e intuitivo e as armas estão mais pesadas e poderosas. Essas simples mudanças alteram a maneira de encarar os combates completamente. Antes, os tiroteios em Mass Effect eram situações estáticas. Você encontrava uma cobertura e mandava fogo ou usava habilidades contra seus inimigos esperando que eles nunca chegassem a cercá-lo. Só que a agora Shepard ficou muito mais versátil para agir em distâncias diferentes e isso permite uma maior liberdade de táticas e estilos de jogo.
Um bom exemplo disso é que andar e atirar ao mesmo tempo, uma manobra suicida nos dois outros jogos, não apenas se tornou uma opção viável, mas sim uma boa escolha. Cobertura ainda é importante e foi reformulada, facilitando a troca de posição.
Outra novidade é que o corpo-a-corpo esquisito dos dois primeiros Mass Effects é coisa do passado. Golpes formidáveis e ataques específicos para cada classe foram adicionados. Mas de longe a melhor adição é a possibilidade de matar um alvo furtivamente. Basta segurar o botão B ou Circulo e Shepard se aproxima pelas costas do alvo e desfere um golpe fatal. Isso realmente faltava.

A sua companheira de todas as horas, a Omni Tool, uma ferramenta high tech que ajuda o jogador em praticamente qualquer situação, agora pode virar uma lámina que corta seus inimigos com um golpe só. A arma usa uma tecnologia similar à da armadura de energia da classe Sentinela.
Além disso, as armas à distância não estão mais restritas por classe e agora são completamente personalizáveis, aparentemente muito mais do que era possível em Mass Effect 2. Biotics e Tech, as “magias” de alta tecnologia, estão de volta, é claro.
Tudo isso proporciona uma experiência muito mais impressionante do que a dos outros dois. Com maior liberdade, mais objetividade e simplicidade, o jogo promete agradar de vez os fãs de jogos de tiro com seu novo formato de combate. Os elementos familiares estão intactos, ou seja, os poderes e talentos ainda estão na mesma estrutura de menu de roda, e os tipos de armas permaneceram inalterados. Ainda bem!
Talvez a maior mudança de Mass Effect 3 seja a inclusão, pela primeira vez na série, de um modo multiplayer. Nele até quatro jogadores lutarão contra hordas de inimigos de forma similar ao Horde Mode de Gears of War. Os jogadores poderão escolher uma variedade de classes e raças, formar forças especiais de elite e combinar suas armas, poderes e habilidades para libertar territórios importantes das forças inimigas. Todas as seis classes de Mass Effect estão no modo online e você poderá jogar com várias raças também. Maravilha!
O mais interessante é que o sucesso no multiplayer terá impacto direto no resultado da campanha single-player, embora exatamente como isso vai funcionar continua um mistério a ser desvendado. Uma possibilidade é que cada partida represente uma batalha ou missão e o sucesso faz com que aquela área fique livre para recursos e upgrades. Veremos.

É claro que podemos esperar algumas mudanças de enredo e até de jogabilidade depois de Mass Effect 3 ter vazado na Xbox Live meses antes do lançamento, o que não foi nada bom para ninguém, diga-se de passagem. Entretanto, pelo que vimos até agora estamos diante de um grande jogo, digno de uma série impecável até aqui. Mal podemos esperar por março de 2012, quando o game chega para PS3, Xbox 360 e PC.
