PRÓS
Modo multiplayer inovador
Garante a imersão
Jogabilidade ganhou novidades
Muita coisa para fazer
Roma é sensacional
Desmond Miles finalmente se aventura
Trilha sonora empolgante
CONTRAS
Momentos repetitivos
Enredo não cativa tanto quanto AC2
Dificuldade diminuiu com novidades
Gráficos podiam ter sido retrabalhados
Por Daniel Reininger
A Ubisoft surpreendeu a todos quando anunciou um novo Assassin’s Creed apenas poucos meses após o ótimo segundo jogo da série. E mais, ele teria um modo multiplayer, algo que não é tão simples de conceber na franquia. Muita gente torceu o nariz, afirmando que a história de Ezio tinha terminado e que Brotherhood seria apenas uma expansão vendida como algo separado. Só que o jogo veio para Xbox 360 e PS3, agradou e agora finalmente chega ao PC, onde atinge seu ápice.
Continuamos acompanhando a história de Desmond Miles, o garçom dos tempos atuais que no primeiro jogo foi preso por uma megacorporação e usado para reviver os passos de seus antepassados por meio do aparelho chamado Animus. Ainda em fuga ao lado dos, agora companheiros, Assassinos, precisa voltar à mesma Itália (mais especificamente Roma) do século XVI, na pele de Ezio. O objetivo é encontrar mais uma peça de um quebra-cabeça que pode definir o destino da humanidade. Responsabilidade é pouco. Esse retorno acontece logo depois do confronto entre Ezio e Rodrigo Borgia no Vaticano, quando o primeiro pensa que venceu e pode relaxar, mas a coisa não é bem assim e um ataque contra a sua vila de Monteriggioni o obriga a voltar a ativa. Novamente da estaca zero. É a vida.
Vale destacar o papel que as mulheres assumiram na trama. A obediente irmã Cláudia se torna uma apta líder e Catharina de Sforza volta a mexer seus pauzinhos para ajudar o carismático protagonista. Na verdade todos os personagens evoluíram e dão uma sensação de que o tempo faz muita coisa mudar. Volpe e Machiavel, alterados pelos anos que se passaram, reaparecem, e a desconfiança cresce no seio da guilda tornando as relações ainda mais picantes. Apenas Leonardo da Vince some um pouco, mas ainda marca presença oferecendo missões especiais e upgrades de armas. Só que o aprofundamento não fica apenas dentro do Animus não. Conhecemos um pouco mais da equipe de apoio do mundo real que ajuda Desmond Milles e Lucy Stillman, interpretada pela atriz Kristen Bell. Shaun Hastings continua pentelho e Rebecca Crane ainda tenta apaziguar as coisas, mas eles se parecem mais com pessoas reais do que no game anterior. Até o Subject 16 retorna, se é que podemos colocar desta maneira.
Roma é dinâmica e magnífica, mesmo sendo o único local para explorar, está cheia de coisas para ver e fazer, como era de se esperar. Possui todos os elementos que estamos acostumados a ver na franquia, áreas densamente povoadas, descampados, ruínas, vilas, muralhas. Os monumentos também estão lá, como o Coliseu e o panteão que garantem a alegria dos mais ligados em história. Mas o melhor de tudo é fato de agora você poder levar seu cavalo a toda parte. Sim, os preguiçosos de plantão podem comemorar.
Mesmo que ainda imersivo, a trama de Brotherhood não chega a ser tão envolvente e profunda como Assassin’s Creed 2. Nada que faça você perder a motivação de ver o final da nova aventura, mas fica uma sensação de que faltou algo. Para piorar o jogo volta a cair em um grande problema do primeiro AC: a repetição. As missões que devem ser feitas dezenas de vezes voltaram e são extremamente cansativas. Mesmo que elas adicionem novidades interessantes ao gameplay.
Sim, estou falando principalmente das torres de vigia que protegem os 12 distritos da cidade. É preciso destruí-las para liberar a área da opressão dos Borgia e permitir acesso a novas construções como banco ou ferreiro. Quanto mais lojas abertas, mais dinheiro e ajuda Ezio recebe. Além disso, é aberto um slot para treinar um novo aprendiz de assassino, que pode ser conquistado ao resgatar um cidadão em perigo. Além disso, permite que novas missões sejam adquiridas no local e diminui a quantidade de guardas que atrapalham sua movimentação. Em geral a inclusão é algo positivo que proporciona boas novidades para a série. Foi concebida como uma das partes centrais do enredo e faz sentido, todavia repetir a destruição de torre após torre acaba por se tornar chato demais. Gostaria de ver isso reformulado em Assassin’s Creed 3, pois a sensação que fica é que bateu na trave.
O game tem quatro cartas na manga, e devo acrescentar que são inovações que vieram para ficar: o engenhoso modo multiplayer, que adiciona um grande fator competitivo e divertido. A possibilidade de usar aprendizes de assassino em seus combates (o uso contínuo pode tirar a graça das lutas, mas aí depende de cada um) ou em missões por toda a Europa. A adição de um objetivo adicional para atingir 100% de sincronização, que adiciona um desafio extra a qualquer missão. E por último o fato de levar Desmond para aventuras mais desafiadoras no mundo real junto com a bela Lucy. Esse último é algo muito esperado por todos os fãs da franquia. É sensacional ver como eles se movem com a agilidade de seus antepassados em busca de segredos perdidos em locais realmente perigosos. Afinal, ficar só treinando, como no AC2, é para os fracos.
O modo online merece ser detalhado, pois é criativo. O curioso é que você está jogando como os vilões da história em um programa de treinamento dos templários (a atual Abstergo) para caçar os assassinos. O objetivo basicamente é encontrar seu alvo e matá-lo, enquanto você é caçado por outro jogador. Um radar ajuda a encontrar seu objetivo, mas a multidão deixa as coisas mais complicadas. Uma vez com seu alvo em vista, o desafio é matá-lo sem ser detectado. Caso seja descoberto, o jogo entra num modo de perseguição no qual o inimigo precisa fugir e se esconder por um determinado tempo. Tanto o assassinato quanto a fuga valem pontos. São quatro modos multiplayer: Alliance, com jogadores caçando em pares, Wanted e Advance Wanted, que são Free for All com regras diferentes entre eles, e Manhunt no qual os jogadores são divididos em times e um caça enquanto o outro se esconde.
O combate também melhorou, apesar de ainda ter pequenas falhas, como o sistema de lock on. Agora Ezio pode chutar para abrir a defesa dos inimigos com armaduras pesadas. Bater forte se tornou algo mais funcional e a possibilidade de atacar outro alvo imediatamente após eliminar o primeiro deixa tudo mais eficiente e divertido. Um aspecto que é legal até certo ponto é a adição da arma Crossbow. Ela facilita a vida, o problema é que ajuda tanto que quase faz a coisa perder a graça. Situações complicadas que antes exigiam furtividade e precisão agora são resolvidas com um tiro à distância.
Sem dúvida a versão de PC se destaca das demais. Tudo fica mais interessante ao oferecer suporte a imagens em 3D, para quem consegue rodá-las em seu PC, e ao trazer todos os extras lançados pela Ubisoft para as versões de console até o momento. Essas adições fazem esta edição ser a mais bacana das três e as missões adicionais fazem a história ganhar alguns pontos interessantes e complexos. Como todo jogo de mundo aberto, já não faltavam coisas para fazer, como missões diversas, colecionar itens, encontrar tesouros, comprar monumentos, reconstruir a cidade. Só que esses extras garantem ainda mais horas de exploração. Quem esperou não se arrependeu com certeza.
Os aspectos visual e sonoro garantem a tão desejada imersão. Não evoluíram em relação ao anterior, o que é um ponto negativo, mesmo com o tempo curto entre os lançamentos, mas ainda valem a pena. A animação continua ótima e a cidade parece viva. Só deixa a desejar um pouco quando a câmera se aproxima muito de objetos ou personagens. Os sons em geral são um primor. A dublagem é excepcional, a música é empolgante e os barulhos de Roma do século XVI são impressionantes e realistas. Tudo garante uma verdadeira viagem à cidade europeia de cinco séculos atrás.
Feito para os fãs da série, Assassin’s Creed: Brotherhood expande o espetacular universo apresentado no segundo jogo e garante uma experiência empolgante. Não consegue ser algo realmente novo, mas tenta inovar à sua maneira. No final das contas mostra que a Ubisoft ainda quer ampliar a experiência proporcionada pela franquia e está procurando maneiras diferentes de fazê-lo. O modo multiplayer é fantástico, as interessantes novidades nem sempre são tão bem executadas quanto poderiam, mas certamente veremos algumas delas em títulos futuros. Em suma é um grande jogo, com algumas falhas, mas que podem ser perdoadas pela maravilhosa imersão e diversão proporcionada. Se você gostou de ACII, vale voltar para acompanhar Ezio em sua luta contra os Bórgia. Se for novato na série, é melhor experimentar o antecessor primeiro, mas se você for cabeça dura e quiser começar por este, ainda é uma boa chance de conhecer um dos games mais criativos da atualidade, seja no PC, no PS3 ou no Xbox 360.