PRÓS
Ação reformulada e ainda mais divertida
Visual surpreende
Jogo altamente imersivo
Enredo condizente
Modo multiplayer compensa
Vários modos extras
Inimigos não deixam você respirar
Sequências de ação
CONTRAS
Meio do jogo pode ser repetitivo
A câmera da o seus engasgos
Nem todo jogo é fácil de se resumir como Dead Space. Quer saber como ele cai nas mãos do jogador, como você se sente jogando ele? É só imaginar a mistura perfeita entre Resident Evil 4 e o clássico Alien, de Ridley Scott. Agora, se você não conhece algum dos dois citados... bom, não custa nada pesquisar, certo? O que eu quero dizer é que falamos de um casamento feliz. O suspense de passos lentos e obscuros, no qual um morto vivo pode pular (ou rastejar) em cada esquina, junto à frieza e a solidão do espaço sideral.
Assim a primeira tacada da EA ao gênero do survival horror se fez marcante. Quase três anos depois, sua sequência tenta uma formula diferente, mais corrida e explosiva, mas preservando a tensão que reconhece a série, quase como James Cameron optou por fazer na sequência do já citado, Aliens. Então voltamos a vida de Isaac Clarke, herói silencioso do primeiro jogo, que agora retorna bem mais falante e com problemas psicológicos.
Na primeira aventura, o engenheiro espacial, junto com sua equipe, acaba se infiltrando em uma estação espacial tomada por mortos vivos. Claro, por trás do que parecia um mero acidente, havia uma conspiração insólita envolvendo poderes incompreensíveis e uma religião obscura, mas Isaac só tinha um motivo aparente, sair de lá com sua ente mais querida – que a sorte ditou estar por lá durante todo o caos.
Passado três anos, Isaac acorda em um hospital em Scrawl, uma verdadeira cidade na maior lua de saturno, Titan. Com a memória confusa e uma série de aparições que distorcem sua percepção da realidade, ele se vê assolado novamente pela ameaça dos Necromorphs. Faça as contas: O que já era um problema em uma mera estação espacial, imagine quando este toma uma cidade inteira. Sim, isto mesmo... quer dizer, supondo que você pensou algo na linha de “problema”.
A jogabilidade em si é bastante similar. Livre do HUD, você enxerga todas as informações que precisa na própria armadura de Isaac, leia-se, o medidor de vida e o de stasis, garantindo que você se concentre puramente no ambiente e na imersão. Apesar dos três anos de diferença, Isaac ainda não teve acesso à arma reais, e se vê obrigado a reutilizar seus equipamentos de engenheiro para a aniquilação dos necromorphs, que só morrem mesmo quando totalmente esquartejados.
Claro, não falamos de chaves de fendas e parafusos. Equipamentos de engenharia espacial de fato causam um estrago forte quando utilizado como armas. Assim os clássicos tiros cortantes retornam, como a metralhadora de “tachas” que desfaz necromorphs em segundos. Em adição, temos as interessantes lança-estacas, que literalmente prende os inimigos em qualquer superfície, assim como uma espécie de lançador de granadas que se colam em qualquer lugar, ideais para limpar aquela montoeira de corpos no chão prontos para se levantar. O jogo também presenteia você com um rifle de longa distância, entrando finalmente no mundo das armas bélicas.
Além desta, a tecnologia de stasis melhorou 100% de um jogo para outro. Não contente com apenas diminuir a velocidade dos inimigos (e objetos) que partem em sua direção, agora você pode muito bem manipular objetos inanimados e, sim, até mesmo partes dilaceradas de seus inimigos. Sabe aquela garra gigante jogada ao chão? Você pode manipulá-la com o poder do stasis e disparar em alta velocidade contra os inimigos. Ou seja, além de se empolgar por ter feito algo digno de um X-men, você economiza suas queridas munições.
Que, por falar nisso, serão muito gastas. Refletindo o clima mais aberto e expansivo do jogo, os tipos de inimigos também aumentaram, como os “The Pack”, fetos superdesenvolvidos que vem diretamente do jogo irmão, Dante’s Inferno, e fazem o inferno de sua vida quando, bem, em grupo. Outro que se supera na impressão são os Stalkers, os necromorphs caçadores, que primam a velocidade e a caçada garantindo sustos de sobra em suas abordagens.
A única coisa que me incomoda realmente é que, embora tenha sido pensado em todos esses tipos novos de desafios, assim como as novas armas e upgrades para sua armadura, os desenvolvedores fizeram pouco pelos problemas já existentes. Isaac é um cara lento, e isso até faz sentido, o que não faz é o sistema de câmera continuar incapaz de se virar de forma eficaz para que você enxergue o que está na suas costas. Claro que o jogo prima pelo suspense e o horror, mas esses tipos de coisa começam a irritar justamente quando a aventura chega a seu meio onde, passado a inovação dos puzzle ambientais, as lutas contra imensos inimigos e as sequências em gravidade zero, o jogo marcha para o marasmo e a repetição.
Por sorte, este retoma uma proporção impressionante mais para seu final, que compensa todo o marasmo de seu meio, no qual você literalmente se sente em meio ao verdadeiro inferno espacial, onde tudo é perigo, e cada ação impensada possa causar uma morte infeliz. Cenários explodem, inimigos dobram de tamanho e cada vez mais você esquece que está apenas jogando uma simples aventura – tudo isto que ruma para um final que não poderia ser clamado como nada menos do que surpreendente.
E enquanto para o primeiro jogo, passado deste ponto era o fim, aqui temos outra surpresa, o modo multiplayer. Bem como a formula utilizada pelo excelente Left 4 Dead da Valve, neste modo quatro jogadores competem com outros jogadores no controle dos sanguinolentos necromorphs, com direito à até mesmo escolha de sua mutação/morto-vivo preferido. A regra é simples, os quatro humanos tem que cumprir uma série de objetivos, enquanto os pútridos fazem de tudo para impedi-lo – com o tempero extra de que as pessoas no controle dos necromorphs pode escolher qualquer ponto do mapa para dar “Spawn”. Vida fácil para os vilões, sempre, e diversão de sobra para os sádicos heróis.
E antes de terminar, o toque final fica atestar pelo visual e a qualidade sonora do jogo. Se o primeiro já fazia tudo certo, o segundo evolui a formula em 100%, com seus cenários muito mais variados, mas não menos assustadores. Enquanto as escolas, hospitais, bases militares, e todos os ambientes que você percorre no jogo impressionem pelos seus detalhes, o que mata é a forma como você não pode sempre apreciá-los, seja por um ruído ao fundo que dominou toda sua atenção (e tensão), ou o jogo de luz preciso que impede de você se sentir seguro por tempo suficiente para se sentir a vontade em Scrawl. Ah sim, agora Isaac fala, fala até bastante, e enquanto seu dublador faz um trabalho conciso, não dá para dizer que o personagem é um poço de personalidade.
Dando um fim no apocalipse galático: Dead Space 2 é ainda melhor que sua inspiração. Quem leu o texto inteiro sabe que, ainda assim, falamos de um jogo de altos e baixos, porém, de altos bons o suficiente para compensar qualquer baixo, qualquer repetição, e problemas de câmera que torna opor certos mortos-vivos algo ainda mais difícil. Melhor então é que, quem atravessou este novo episódio e em seu fim ainda clama por mais, o jogo é recheado de extras, e um modo multiplayer divertido e diversificado que facilmente garante a alegria de muitas madrugadas. Se você achar que isto não é motivo suficiente para valer uma compra, eu não saberia dizer o que é.