PRÓS
Zumbis nazistas!
Narrativa cativante
Multiplayer retorna ainda melhor
Adição de baionetas e lança-chamas
CONTRAS
Fórmula já conhecida
Jogabilidade sem muitas mudanças
Apenas duas armas novas
Não há como não recordar do sucesso de Call of Duty 4: Modern Warfare, e por motivos óbvios. Call of Duty: World At War, seqüência lançada exatamente um ano depois, infelizmente não chega ao ponto de superá-lo. Aliás... espera aí, que começo de análise mais depressivo. Falando assim dá impressão que o jogo é uma negação. Deixe-me então refazer:
World at War é tudo que você espera de um jogo da franquia Call of Duty, melhor ainda, ele retoma aquele sentimento frio e pesado de Modern Warfare, enquanto mergulha novamente na já martelada catástrofe que foi a Segunda Guerra Mundial. Você encarna dois soldados, um americano e um russo, acompanhando o sufoco americano no território dominado pelo Japão, e o contra-ataque russo rumo à capital Berlim. Ambos os soldados começam em um ponto similar, capturados, torturados e prontos para morrer, quando os mocinhos chegam.
A progressão do jogo é bem colocada e mesmo você alternando de personagens entre uma fase e outra, o sentimento de continuidade não é quebrado em momento algum, graças ao excelente trabalho de ambientação. Isso vale também para os personagens que te cercam, sempre mergulhado em naturalidade. Ocasionalmente, o que pode matar um pouco o sentimento de realismo são elementos como casas abertas e similares, que embora pareçam lugares excelentes para se esconder de tiros e granadas, possuem um belo e frio "muro invisível" para acabar com sua alegria.
Pior então quando esse muro causa a sua fatídica morte, porém, este é o preço. O preço pela da ação tão contagiante e orquestrada que fez o nome do jogo marcante no abarrotado mundo dos FPS (First Person Shooters). Ainda no single-player, embora gloriosa, a campanha dos russos tende a ser menos interessante que a dos americanos, simplesmente por se tratar de mais do que já vimos ao longo dos anos. Ao contrário, a campanha dos americanos se destaca por ser inovadora, introduzindo os cenários das ilhas do pacífico e armas diferenciadas, como a baioneta e o lança-chamas, cada qual necessária para determinados trechos da ação. A primeira serve para golpear os loucos banzais que correm em sua direção do nada, tentando te esfaquear. A segunda abre caminho pela mata fechada como ninguém.
Como deu para perceber, embora a desenvolvedora deste Call of Duty seja a Treyarch, eles optaram (por motivos óbvios) seguir de perto o molde composto pela Infinity Ward quando desenvolveu Call of Duty 4, e isso inclui a fórmula vencedora do multiplayer. Além do já difundido modo multi-jogador no qual o seu desempenho dá acesso a novas habilidades e equipamentos, o modo principal foi estendido para ser jogado entre até quatro jogadores. Como termino deste é aberto o carismático "Nazi Zombies" que, como o nome já diz, coloca você e outros soldados para enfrentar hordas de zumbis em uma mansão sem saída. Sim, é divertido, e sim, dura bastante. Conteúdo o suficiente para se jogar por meses, ou até anos (eu conheço pessoas que até hoje jogam Counter Strike, então imagine estes).
Frente a tanta similaridade (felizmente a similaridade do tipo bom), a única coisa que se faz notar como algo totalmente novo é o visual refinado, mostrando o quanto a engine gráfica da franquia se superou neste um ano que se passou. Os cenários conseguem ser ainda mais realistas, mantendo sempre aquele tom verde e cinza de documentário clássico, e agora demonstrando uma interação ainda maior com os ambientes, em termos de navegação e destruição. As paredes invisíveis ainda existem, como citado lá em cima, mas com o tempo você aprende até a reconhecê-las. Ainda assim, esperamos não trombá-las (literalmente) no próximo.
Também achei a trilha sonora deste jogo mais envolvente que do último. Enquanto estes são equivalentes em termos de composição, sou suspeito para acabar preferindo tons mais épicos às tendências mais modernas da última versão. Já as armas soam exatamente como deveriam e são praticamente idênticas as das últimas versões. O destaque mesmo fica por conta da dublagem, seja do comandante russo ou sua contraparte americana, injetando aquela dose de adrenalina extra na ação.
Revivendo o holocausto: Call of Duty: World at War guarda sua inovações apenas para o multiplayer, enquanto que opta pelo jogo seguro para sua campanha principal. É um jogo bem feito e conduzido, tão bom quanto seu aclamado antecessor, mas sem todo o impacto causado pela surpresa. Mesmo assim, não há como não atestar a qualidade do título da Treyarch, esteja você feliz com a volta à Segunda Guerra Mundial ou não.