PRÓS
Gráficos decentes
Capta o ambiente do filme
Os cômicos duelos
CONTRAS
Jogabilidade ridícula
Objetivos tediosos
Cutscenes confusas
Vocês acompanharam as análises de Spider-Man 3, Shrek The Third e até 300. Pode se dizer que a adaptação gamística de todos os blockbusters do ano estão reunidas no GameStart e, como não poderia deixar de ser, chegara a vez do ultra-popular Pirates of the Caribbean: At World's End - a aventura que decidirá o destino de todos os piratas do mundo.
Soa grandioso, não? E poderia ter sido. O game aparentemente não foi apressado, o time responsável pareceu tomar todo o tempo do mundo para detalhar cada grão do ambiente. Até mesmo a parte sonora, que não pôde contar com os talentos de Orlando Bloom e compania, deu certo com dubladores que se esforçaram para se assemelharem com cada um dos personagens.
Então onde o game errou? Quando seus diretores pensaram pequeno.
A história cobre desde os eventos de "O Baú da Morte" (que misteriosamente não apareceu nos consoles) até os acontecimentos do terceiro filme. Em termos de narrativa, o game realmente não vai muito longe, o que é até aceitável conhecendo a tendência clássica de tais jogos nunca contarem realmente a história antes do cinema, ainda assim, as cenas envolvendo os personagens poderiam ser mais trabalhadas, sendo que do meio do jogo em diante elas se tornam confusas e ainda menos freqüentes.
Contudo, nada chega a irritar como a própria jogabilidade. Eu já joguei centenas de jogos simples, mas poucos necessitam tão pouco esforço como At The World's End. Para começar, ele possui apenas um botão de ataque. Isso mesmo, tudo que você tem de fazer é andar até os inimigos e macetar um único botão. E os inimigos não param, surgindo literalmente do nada - com aparições de um ou outro que precisa ser derrotado por meios "especiais", que por sinal, não adicionam desafio algum. Você poderá dar socos, chutes e até arremessar inimigos de inúmeras formas, o que é bem divertido, assim como utilizar pistolas, facas e mesmo coisas pesadas, como granadas.
Vale lembrar, para os fãs do cômico (e bêbado) Capitão Jack Sparrow, que este será controlado praticamente o jogo todo, com raras participações de Elizabeth, Will e outros. Haverá também seqüências mais ridículas onde o jogador será obrigado a controlar os três protagonistas simultaneamente, trocando de personagem com o direcional. O problema é que os dois personagens que você não controla dificilmente saberão se defender, transformando estas partes em verdadeiras corridas (totalmente frustrantes) para manter seus piratas vivos. Agora, pior do que isto, e pior do que ter que controlar os três ao mesmo tempo, é o fato de que uma vez que você morre nestas partes, automaticamente retornará com a mesma vida de quando as começou - ou seja - se as iniciou com pouca vida, ficará retornando para elas com a mesma quantia.
Todos estes tipos de coisas impensadas se tornam ainda mais graves quando se contempla os gráficos de Pirates of the Caribbean - que acabam dando aquela sensação de disperdício. Nunca um jogo da série foi tão detalhado e trabalhado. Os personagens são carismáticos e praticamente idênticos aos do filme, assim como as animações, incluindo as corridas e saltos de cada personagem - uma pena não haver muitos movimentos com espada. E os cenários são exatamente como você espera, esteja no temido Holandês Voador ou frente à destruição do Pérola Negra pelas mãos (aliás, tentáculos) do massivo Kraken. Pode-se até notar detalhes mínimos como a textura dos corais no navio de Davy Jones ou os canhões enferrujados da embarcação de Jack Sparrow. E a água, apagando a memória fétida de games como Legend of Jack Sparrow, é gloriosa como nos cinemas.
Quanto a diversão real da aventura, esta só brilha realmente durantes os duelos. São cenas nas quais você deve manobrar seu personagem em uma luta "um contra um" usando os direcionais para se defender das estocadas dos inimigos e finalmente contra atacar. Enquanto tais não sejam exatamente difíceis, compensam sendo intensas e sempre engraçadas.
A trilha sonora que cobre tudo é exatamente a mesma do filme, ou seja, do tipo que não mostra algo novo, mas também não desaponta. Já os dubladores fazem bonito (nas poucas falas) com boas interpretações de Jack Sparrow, Barbossa e assim em diante. Também deveriam haver mais efeitos sonoros, assim como falas durante as fases. Pois do que adianta só ser bonito?
Dito tudo: At the World's End não é uma das maravilhas do planeta, mas consegue se aproximar mais da franquia do que qualquer jogo antes dele. Uma pena que fizeram tão pouco pela jogabilidade, largando para a fossa um game que, em melhores circunstâncias, poderia ser apreciado por qualquer jogador e não apenas pelos fanáticos da série.