PRÓS
Mecânicas diferenciadas te obrigam a pensar de forma nova
Jogo inteligente
Toneladas de extras
CONTRAS
Sistema de combate patético
O meio do jogo é permeado de puzzles cansativos
O Jogo é até que bastante longo
Sabe quando uma pessoa diz: “Você apenas não está vendo isto pela perspectiva certa?” Aos que nunca ouviram e pretendem encarar a diferente aventura de Lost in Shadows, é melhor começar a falá-la para si próprio, já que esta é basicamente o mantra que guia o jogo. O que você conhecerá pela frente é uma aventura única e inovadora, mas não isenta de tropeços, estes que decidirão realmente se você é daqueles que vai do começo ao fim do jogo, ou literalmente morre na metade. Complicado? Deixa que eu explico.
Logo no começo, você, um criança indefesa, é arremessada torre abaixo rumo sua morte por seres desconhecidos. Só que ao bater contra as frias rochas que adornavam o solo, algo estranho acontece. A sombra do menino, isto mesmo, acaba se separando do corpo, e caindo em um lugar totalmente diferente. No controle desta, sua missão, além de tentar reencontrar seu corpo, é enfrentar aqueles que te fizeram mal.
No começo do jogo você encontra uma espada. Geralmente uma das melhores coisas que podem acontecer em um jogo é você conseguir uma espada, certo? Errado, neste é bem o contrário. Por causa da maldita espada você é obrigado a enfrentar tediosos combates com o mesma movimentação de meros 3 hits do início até o fim do jogo. Sem avanços, sem bloqueio, ou qualquer movimento especial, e para completar, você é lento em seus movimentos.
Sentiu a negatividade? Pois sim, o jogo sabe como opor você de formas desnecessárias. A diferença é que ele também sabe criar situações e momentos de pura inspiração. Para quem ainda não viu nada sobre o título, ele é uma aventura puramente 2D nos moldes dos clássicos jogos de plataforma. A diferença é que ele obriga você a ver o mundo de uma forma totalmente diferente, afinal, você é uma sombra e sombras só podem se conectar com outras sombras.
As aproximadas 30 horas de jogo se dividem na manipulação de três elementos. Primeiro, a luz. É quando você aprende a manipular o foco da iluminação que aprende que um simples movimento pode mudar todo o tabuleiro na sua frente. Este mero aprendizado define a empolgação e exploração inicial do jogo, entre sequências interessantes, como quando você fazer uma sequência de pulos em coordenação com uma lâmpada em movimento, podendo saltar apenas no ritmo conforme a luz se movimenta e cria sombras.
Um pouco adiante você aprende a habilidade de manipular os objetos do plano de frente para estes criem novas passagem sombrias para você. Outra dádiva: Ver os objetos inanimados se movimentarem para criar uma passagem toda nova é sempre legal, quer dizer, seria ainda mais se o jogo, à partir deste marco, não caísse em um marasmo de quebra-cabeças similares e monótonos que ficam apenas piores quando intercalados pelas já citadas tristes batalhas.
Como fica o resto do jogo então? Assim, lembra que eu disse que alguns acabariam parando e só os mais dedicados chegariam ao fim? É neste ponto que tudo se decide, porque a sequência tediosa não dura meia hora, não dura 1 hora, nem 2 horas... Dependendo de quem estiver no controle, podem ser quase que o dobro. A decisão fica em suas mãos.
O que eu posso dizer é que passado este, o jogo brilha como nunca. Exatamente quando aprendemos a se atravessar pelo plano de frente do jogo em momentos estratégicos, adiciona uma camada toda nova à jogabilidade, que te obriga a considerar não sempre o plano de fundo, mas também o frontal, de forma que tudo se soma em sequências que merecem ser lembradas como algumas das melhores no console.
Junte tudo aos chefes do jogo, combates no qual sua espada (graças a deus) não funciona e você se vê obrigado a utilizar o cenário para dar cabo de feras quase sempre enormes, para que o jogo definitivamente marque como uma das produções mais originais do ano – o grande impasse é só aquele dito acima, que não é mero probleminha, digamos.
Escapando desta mera e única falha que condena o jogo para muitos, o visual, assim como a trilha sonora, são inspirados. O que significa que, enquanto os gráficos não sejam lá um exemplo de tudo que o Wii pode construir com seus polígonos, ele ilustra de forma diferenciada o projetado mundo de Lost in Shadows e suas várias perspectivas, seja com efeitos de luz, ou como o cenário se movimenta sem deixar você perder o rumo de onde está. Aquela clássica vitória da arte que torna visível jogos que muitos dariam como visualmente simples.
Enxergando a luz no fim do túnel: Lost in Shadows é um jogo diferente de todos os que você já provavelmente teve a oportunidade de comandar, combinando mecânicas inusitadas para criar um jogo plataforma 2D como nenhum outro. A tristeza, que você já deve ter cansado de ler (ou não, vai que pulou direto para o final) é que o jogo tem problemas complicados de fluência, capazes de entediar qualquer jogador que se disperse fácil. Já os que superarem terão momentos recompensadores pela frente. Eu já fiz o meu papel, agora fica na suas mãos.