PRÓS
Visual carismático
Alguns extras divertem
CONTRAS
Jogabilidade simples... simples até demais
Dificuldade infeliz e aleatória
Nada no jogo se destaca como incomum
O mistério do nosso grande ícone do universo dos jogo, Mario, ser um gordinho é um mistério similar o do porquê muitos carteiros serem obesos. Vocês já notaram? Os trabalhadores do correio brasileiro andam que nem condenados e ainda assim permanecem em suas formas rotundas. O mesmo acontece com Mario – o bigodudo, além de salvar constantemente a princesa Peach de seus apuros, ele guarda suas horas vagas puramente para praticar esportes.
Apesar de se parecerem, o caso de Mario Sports Mix não é o mesmo caso de Mario Tennis, Mario Super Sluggers, Mario Golf e até Mario Super Strikers. Enquanto os jogos citados são versões cartunescas de jogos já estabelecidos de esporte, com as regras modificadas para a realidade incrível do encanador, este se contenta apenas com a simplificação das regras de jogos como hockey, queimada, voleibol e basquete, mas sem oferecer aquela recompensa na forma de acontecimentos loucos e habilidades extremamente forçadas (lembram de Mario Strikers? Então).
Assim você parte pelas clássicas copas Cogumelo, Estrela e Flor, cada qual com seu nível de dificuldade. A premissa é – além de você se divertir com os vários esportes, aos poucos você também vai liberando extras que garantem a longevidade do título. Qualquer um que já jogou um jogo do estilo sabe do que falo: novos personagens, novos cenários, dificuldades mais intensas, e por aí vai. E onde a premissa falha é – divertir. Você destrava personagens e encontra conteúdos ainda melhores, mas, divertir que é bom, o jogo nunca consegue. Nunca dá uma bola dentro (desculpem a piadinha infame, não resisti).
Agora, para ninguém dizer que estou sendo injusto e malvado com a carismática (?) tentativa da Nintendo, fica a explicação detalhada: Não existe desafio. O jogo é fácil demais, os inimigos são zumbis perdidos no deserto, e tudo é deixado na mão da sorte. Querem exemplo? Eu dou: Uma partida de queimada, que no jogo se resume a ficar lá parado esperando seu inimigo arremessar a bola contra você, é somente decidido quando você consegue segurar a bola e contra-ataca. Porém, não existe forma certa de contra-atacar, você sempre atira do mesmo jeito, e espera que o computador aceite ou não a sua bola.
O mesmo acontece durante o hockey, é um jogo de ataque e defesa simples, no qual, conforme você se familiariza com o bate e volta, percebe que está simplesmente dançando nas mãos da inteligência artificial do jogo – não importa o quão bem você bater rumo ao gol, é esta que decide se a bola entra ou não. Isto mesmo, não existe padrão, e o mesmo acontece com o seu goleiro, que, já adianto, será alvo dos piores xingamentos possíveis quando você tomar aquele gol ridículo. A única surpresa da modalidade é que, pasmem, há como acontecer as clássicas brigas de Hockey entre os queridinhos da Nintendo... só que não adianta ir se animando porque nada de bom vem disso, a oportunidade de fazer algo diferente é jogada pela janela, em troco de apenas se chacoalhar o controle como um desprovido de inteligência (para não falar outra coisa).
O que mais se salva é o Voleibol. A versão simplificada que o jogo apresenta não demonstra agravantes, mas também nada que valha o tempo investido. É tudo muito simples e conformado, a ponto do clássico Super Volleyball de Mega Drive oferecer maiores oportunidades de táticas e surpresas contra seus oponentes. Quando as coisas chegam nesse nível, não é como se destravar cenários novos fosse fazer alguma diferença. Eles até divertem mais com o caos que toma as partidas, em exemplo que alguns deles se despedaçam, outros disparam contra você, entre outras coisas, mas não o suficiente para salvar. É nessa hora que você nota que o jogo nunca vai ser melhor do que isto, e você gastou seu dinheiro em vão. Com crianças menores a coisa demora mais para aborrecer, mas ainda assim é certeza que existem outros do gênero que trabalham (muito) melhor estes esportes.
O visual e a trilha sonora já se tornaram um verdadeiro formato. Sejamos sinceros, você que já jogou algum jogo esportivo do bigodudo sabe do que eu falo. Personagens rotundos, cores fortes, aquele céu azul e expressões cômicas para todos os lados. Não que isto seja uma reclamação, mas sim uma constatação. Ainda que imutável de um jogo para outro, não dá para não dizer que não funciona, falamos de uma identidade que a franquia Mario conquistou.
De volta ao vestiário: Mario Sports Mix é uma tentativa interessante, mas que se enterra em sua própria falta de ambição, se contentando com pouco e falhando em manter um nível de diversão básico para que até mesmo iniciantes do gênero mantenham-se presos por muito mais que algumas horas. Se você acha que estou de exagero, não ache, pois não estou, é lamentável assim mesmo.