PRÓS
-- O jogo recria a fórmula da franquia
-- Sempre divertido e envolvente
-- A utilização de cutscenes elaboradas revoluciona a narrativa
-- Jogabilidade precisa e de fácil acesso
-- Dificuldade no ponto certo
-- O jogo não cansa de surpreender
-- Sempre divertido explorar o mundo
-- Trilha sonora orquestrada e empolgante
-- Quebra-cabeças intuitivos e inteligentes
-- Toda a arte por trás do jogo
CONTRAS
-- Não foi dessa vez que tivemos dublagem
-- Momentos em que o controle perde a calibração
-- Visual inspirado, porém, inegavelmente datado
-- O jogo chegar ao fim
Por Rodrigo Brasiliense
Veja bem: Não estamos falando de nenhuma franquia que surgiu nos últimos anos, mas sim Zelda. Um dos verdadeiros pivôs da Nintendo, que ajudou a popularizar não apenas os videogames em si, quanto um gênero todo novo. Em poucas palavras, uma franquia que dispensa apresentações – sério, se você nunca ouviu falar deste jogo, não deveria nem mesmo estar lendo o texto, mas sim na busca do site (ali em cima) dando uma espiada no caminho que a série trilhou até chegar à Skyward Sword.
Muita gente foi rápida e já rotulou Skyward Sword como o melhor The Legend of Zelda já feito. Verdade? Talvez, mas o ponto é que o título é desnecessário. Porque competir em qualidade com jogos feitos em outras épocas, com outros recursos, é perda de tempo. O que vale a pena dizer e faz a diferença é isto: A nova aventura de Link é, sem dúvida, a melhor desta geração e facilmente o jogo mais ambicioso do Nintendo Wii.
Isto porque o jogo não apenas completa uma saga, ele completa um ciclo dentro de sua plataforma, marcando a primeira vez em que um título integra totalmente a jogabilidade por movimentos, com facilidade e exatidão, do jeito que a Nintendo sempre visionou desde seus primeiros trailers do console há tantos anos. Sim, há quem diga que demorar cinco anos para transformar uma visão em algo real não é exatamente um modelo de sucesso, mas aí já temos argumentos para outro texto.
O que importa aqui é como tudo isso, em conjunto com a nova direção da franquia, transforma a aventura em algo único e natural. A coisa começa até meio diferente desta vez, em uma sociedade utópica chamada Skyloft, uma ilha que vive sob as nuvens, onde Link e Zelda freqüentam a escola preparatória para cavaleiros. Ser um cavaleiro significa que você pode montar livremente seu Loftwing, pássaros em tamanho gigante e deve ajudar as pessoas em seus problemas diários.
Mas, claro, nada ocorre como o planejado e durante um momento romântico entre o parzinho, Zelda acaba caindo rumo ao mundo desconhecido abaixo das nuvens. Ao mesmo tempo, Link é reconhecido como o verdadeiro escolhido pela deusa como aquele que deve restaurar a ordem nas caóticas terras perdidas da superfície. O desbravamento desta nova área e a forma como você viaja de região a região é um dos elementos que da o novo colorido a este novo capítulo.
Este acontece em duas etapas: Na primeira você utiliza seu wiimote para puxar as rédeas de seu imponente Loftwing pelos céus nublados e suas várias ilhas. A interação com a superfície é feita do jeito mais simples possível. Depois de encontrar uma fenda entre as nuvens, você literalmente salta em queda livre para Solid Snake algum botar defeito. São momentos sempre empolgantes (novamente controlados pelo combo wiimote+motionplus), aliás, você pode saltar praticamente de qualquer ponto do céu, o que garante várias camadas à exploração do mundo.
Aterrissado são e salvo, você se vê frente ao mais detalhado mundo já criado na história da franquia. O que nos últimos anos ficou consolidado como uma grande área que servia de pavimento para se chegar aos icônicos templos que agiam como coração da jogabilidade, agora se tornou crucial para o desenvolvimento de tudo. Vastos, detalhados e repletos de segredos, o mapa de Skyward Sword, como uma verdadeira terra desbravada, oferece tantos desafios quanto os próprios e icônicos templos da franquia e, o melhor, como se o jogo emulasse as engrenagens do também da Nintendo, Metroid, o mundo se apresenta em várias faces de acordo com a sua gama de habilidades, reforçando a visita a lugares que você já passou de forma natural e intuitiva. E o jogo nunca se limita às próprias barreiras, muitas vezes arrumando um jeito de fazer aquela área revisitada algo totalmente novo e interessante.
Aliás, aproveitando que os acessórios foram citados, eles também são peças importantes nesse novo rumo da franquia. Ao contrário dos jogos passados nos quais estes eram bastante direcionados com determinadas partes da ação, neste os itens são verdadeiros pilares que sustentam todo o clima de aventura. Mais do que simples acessórios, eles adicionam nas possibilidades que envolvem Link e, do início ao fim, todos mantém suas necessidade. Melhor ainda, muitas partes assumem até um cenário de múltiplas resoluções no qual você pode optar pelo item que cai melhor com seu estilo de jogo.
Novamente, isto funciona porque o jogo se porta como uma coisa só desde o início. Não entendeu? Veja desta forma: Ao invés de, como antes, tratarmos de uma aventura dividida em várias partes, o fluxo de Skyward Sword é único. É como se você nunca parasse, ou fizesse tarefas desnecessárias, e cada parte é crucial para o desenvolvimento da jornada de Link. O jogo tenta escapar de seus próprios confins, exercendo classicismos da franquia, mas ao mesmo tempo nunca seguindo um padrão de forma que você é pego de surpresa múltiplas vezes.
Não vamos cair na terra dos spoilers, mas dá para dizer que, em partes que eu pensei: “Ok, lá vem mais um templo gigante”, para conseguir um item bastou apenas viajar até determinada região e, quando pensei: “Que bom que isso não vai requerer muito esforço”, um bichão gigantesco fez o favor de explodir do chão e dar um baita de um trabalho. Este tipo de coisa cria uma imersão fora do comum, ainda mais considerando que o Wii dispõe de tecnologia muito inferior até onde vão efeitos visuais e sonoros.
Conhecendo as próprias limitações de seu console, a Nintendo seguiu o melhor caminho possível para este novo episódio: a do minimalismo. Em uma mistura do que foi Wind Waker (menos detalhas, mais colorido e expressão) com as proporções mais adultas de Twilight Princess, o jogo se faz belo com suas construções fantásticas e colorido surreal. Já a falta de processamento do console foi resolvido com um efeito que simula de um jeito básico as cores levemente borradas do impressionismo de Claude Monet, aliviando o horizonte em construção ou mesmo as texturas em menor definição do cenário.
Claro, se você vai jogar o jogo depois de uma sessão de Uncharted 3 ou Skyrim, é claro que o baque é forte, afinal o que seria umabismo tecnológico entre o Wii e os outros consoles, mas não seja maricas a ponto de deixar isso te afetar. Acredite, como dito a sei lá quantos parágrafos atrás (desculpem, hoje estou com preguiça de contar...) a mistura entre a jogabilidade envolvente, o surrealismo do visual e a trilha sonora, pela primeira vez orquestrada, é forte a ponto de impulsionar você a querer participar mais e mais daquele mundo.
A prova que a Nintendo acertou definitivamente no tempero se mostra até no desafio, porque, seja sincero consigo, quantas vezes não vimos a Nintendo adocicar a dificuldade daqueles jogos puramente controlados por movimentos? Sim, àquela velha história da inclusão digital no universo dos jogos. A questão é que desta vez não aconteceu. Não que você vá morrer adoido por ai, não mesmo, mas os inimigos do jogo dão certo trabalho, e mais importante de tudo, obrigam o jogador a pensar e fazer uso de suas possibilidades, sobretudo com respeito ao combate com espada, no qual o wiimote+motionplus simulam seus exatos movimentos, da posição do pulso até a direção da espada. É um dos motivos que faz você praticamente nunca cansar da ação. Há ainda dificuldades não planejadas, como o fato do controle descalibrar em momentos não muito oportuno, mas mesmo isto não chega a ser tenso, por poder ser resolvido com apenas um botão.
Outro motivo é, bom, o jogo todo e como ele não se cansa de apresentar mecânicas novas até o seu fim. Cada área, cada templo, cada acessório novo até chegar ao último dungeon que, novamente, sem cair nos spoilers, merece estar entre os designs mais inteligentes da história da franquia. O verdadeiro “meta-quebra-cabeça”, que obriga a você não apenas a mover as peças do tabuleiro, mas vivenciar cada alteração. Não deve ter feito tanto sentido assim, mas vai fazer quando você estiver jogando, o que você precisa saber é que impressiona e deixa a marca.
Elevando a qualidade aos céus: The Legend of Zelda: Skyward Sword é a jornada que não cansa nem mesmo depoisde mais de 40 horas. A culminação de tudo que fez a série um marco mesclado a mecânicas antes nunca utilizadas, como a inserção de comoventes cutscene ou a própria possibilidade de imprimir um pouco de sua personalidade em Link na escolha de certos diálogos. Não foi dessa vez que tivemos dublagem, uma pena, mas ainda assim os personagens, principalmente os centrais, esbanjam personalidade e forçam um apego de uma forma que a franquia nunca havia conseguido atingir.
E então temos tudo aquilo que foi falado acima – o envolvimento. A verdade é que The Legend of Zelda vai ser sempre The Legend of Zelda, o que significa que por mais mediano que um jogo deste possa vir a surgir, ele sempre alcançará um sucesso relativo e, ainda assim, é bom ver que a Nintendo não perdeu o fogo, como pareceu há alguns anos, e não aceitou nada abaixo de genial.