PRÓS
Os cenários são bonitos
Castle Mode
CONTRAS
Sistema de luta ridículo e problemático
Personagens desequilibrados
O visual ofende a história da franquia
Quase tudo é irritante
Eu sou a favor de que conceitos para jogos sejam algo natural, sabe? Uma idéia que aparece naturalmente e evolui até se tornar um jogo detalhado e vívido. Quando esse tipo de coisa não acontece, raramente podemos esperar por um bom jogo. Mas mesmo assim, as pessoas não aprendem: Quando a multidão se uniu para pedir um Castlevania para o Nintendo Wii que usasse o interativo Wiimote, o atual comandante da franquia, Koji Igarashi, protestou clamando que o tal jogo ficaria cansativo, entre outras coisinhas.
Eis que o tempo passou e a multidão se uniu novamente, apenas para o tio Koji negar a idéia. E seguiu-se assim por muito tempo até que ele (ou alguém influente da Konami) resolveu ouvir a garotada. Então, prepare-se, pois as próximas linhas podem ser especialmente duras para aqueles que gostam a série.
Fica até difícil começar a falar do jogo e não desabar ao pessimismo, mas bem, alguém tem que fazer. Imagine que, por interferência de um infeliz que controla o tempo e o espaço, os maiores ícones da franquia Castlevania puderam se encontrar, ignorando séculos, crenças e, claro, o bom senso. Com isso, o todo-poderoso senhor da noite Drácula, viu a oportunidade para por um fim de vez em todos aqueles que o opunham por gerações.
Esse enredo de sessão da tarde até dava para agüentar, mas o problema é quando o seu caçador de vampiros preferido, um herói lendário e imponente, adentra o castelo do Drácula sem camisa, vestindo um shortinho curto estilo seleção brasileira dos anos 70. Claro que não pára por aí, o design dos personagens do jogo é simplesmente perdedor. Fãs de anime em geral que me perdoem, mas a arte não funciona no Castlevania. Não creio que o jogo precise do lendário Trevor Belmont se vestindo apenas com cintos de couro, da corajosa Maria Renard vestindo múltiplos meiões rosa-choque ou o próprio Drácula vestindo um sobretudo dourado no melhor estilo drag queen. E espere até ver os motivos de cada personagem: Maria encrenca com Carmilla por seus seios serem mínimos frente aos da vampira. Sim, é patético.
Não que seja a única coisa patética, o sistema em si já é bem ridículo. Ele incorpora idéias de uma série de jogos de lutas, mas falha em aplicar todas. Você pega itens e Power-ups como em Power Stone, assim como corre livremente por arenas tridimensionais. Como nos jogos tradicionais da série, há como atacar facas, cruzes, água benta e outros acessórios em seus oponentes, mas sinceramente? Não servem para nada, são fáceis de desviar e nem sequer tiram muito.
Só que o mais vergonhoso para um jogo que se diz de luta é o fato de cada personagem contar com apenas uma seqüência de ataques, isto mesmo, apenas uma, ativada com o chacoalhar frenético do triste Wiimote. Além disso, devo dizer que o jogo simplesmente ignora o esperado equilíbrio, favorecendo (e muito) os ditos personagens mais famosos. Ou seja, supondo que você consiga se divertir com o título (vai saber... ), termine com Simon e destrave lutadores secretos menos famosos, terminar com estes depois será uma verdadeira odisséia, de tão mais fracos que estes são.
Não preciso dizer que, neste ponto, o fator estratégia que já estava lá embaixo, simplesmente despenca. A inteligência artificial também não costuma dar muito trabalho, aliás, ela dá brecha até demais. Houve uma partida que simplesmente não precisei fazer nada, já que o personagem inimigo caiu em uma armadilha sozinho, um pequeno poço lotado de espinhos, e simplesmente ficou lá até sua vida acabar. Precisa falar algo mais?
E falando nos cenários, eles são milagrosamente belos e detalhados, a jóia rara de Castlevania Judgment, rico em detalhes como vitrais, candelabros, arquiteturas chamativas e uma série de elementos que simbolizam a franquia. Dá até pena comparar os belos cenários aos personagens totalmente esdrúxulos. Eles só não merecem mais elogios porque alguém fez o favor de enfiar as malditas e já comentadas armadilhas em meio a eles, estragando toda a fluência e movimentação dos combates (que já são deficientes). O único modo de jogo que realmente me divertiu (um pouco) foi o chamado Castle Mode. Pense em algo como o Mission Mode de Soul Calibur, no qual você enfrenta inimigos clássicos da série (zumbis e esqueletos) e até chefes de fases dos gigantões. Este, somado à trilha sonora típica da franquia, tem mais sucesso em erguer o clima tradicional da série do que o jogo todo.
Escapando finalmente do castelo maldito: Castlevania Judgment faz tudo errado. O sistema de batalha é simplista e desequilibrado, repleto de elementos que estimulam frustração e dores de cabeça. Viram só? Para que forçar o tio Koji a fazer um jogo que ele não queria, deu nisso. Em resumo, esse é aquele jogo que só vale a pena se você achá-lo jogado no chão.