PRÓS
História bastante interessante
Ambiente obscuro
Jogo totalmente fora do convêncional
CONTRAS
Alta dificuldade
Paisagens repetitivas
Falta de animação nos personagens
Baroque, como o nome mesmo diz (Barroco), está anos luz de ser o jogo mais carismático e alegre do mercado. Sua história é também das mais conturbadas. Duas vezes o jogo já foi marcado para ter um lançamento no ocidente, uma quando o game foi lançado para Sega Saturn em 1998, e outra um ano depois quando adaptado para PlayStation, porém, ambas falharam e o jogo ficou apenas na ilha do sol nascente.
Foram necessários praticamente dez anos (e duas gerações) para o game finalmente atravessar os oceanos e chegar até nós, totalmente refeito, para PlayStation 2 e Nintendo Wii. Ainda assim será que essa viagem de dez anos cansou o RPG da Sting, ou o título faz bonito como na época de ouro dos 32 bits? Continue lendo.
Quem está acostumado com os mundos alegres e vibrantes de franquias como Tales of e Dragon Quest está para ter uma surpresa, pois Baroque está para tais games como Silent Hill está para Super Mario Galaxy. Você encarna a vida de um apático garoto em um mundo pós-apocalíptico sujo e destruído por um fenômeno simplesmente conhecido como Blaze, que deteriorou tudo e transformou os humanos numa raça distorcida e em extinção que pode apenas sobreviver com ajuda de seres chamados baroques.
Sua missão principal será a mesma durante todo o jogo, dada por um misterioso arcanjo de luz, você será obrigado a invadir uma torre sombria e atingir seu final, para assim ter sua alma salva e a restauração do mundo. E é basicamente isso. Estranho? Talvez, mas com certeza bem aplicado. Então, enquanto você não está atendendo os diversos pedidos dos habitantes da cidade, está explorando os sombrios andares da torre. Uma vez dentro desta, você não poderá sair até morrer ou até que atinja o final. É interessante ver como morrer e reencarnar é um dos pontos chaves do enredo, a ponto de certas partes exigir exatamente isto de você.
Novamente longe do clichê martelado pelo gênero, as passagens do enredo praticamente se dão entre os andares da torre e adianto dizendo que, aqueles que agüentarem com a dificuldade nada ortodoxa, terão pela frente um história muito bem escrita, abordando uma série de tema dos mais interessantes. Aliás, a complexidade do enredo também pode afugentar os mesmos dispostos, simplesmente por utilizar uma série de termos e idéia nunca apresentadas ou especificadas na história, ao ponto de ser necessário ler o manual do jogo para se situar.
O combate do jogo é bem direto e em tempo real, e peca somente por conter poucos ataques, fato que é compensado apenas pelo fato de em Baroque todo item se transformar em uma arma em potencial, ou seja, você pode arremessá-los e esperar um novo efeito. Os inimigos são tendenciosos e atacam aos montes, porém, o que pode realmente atrapalhar mais que eles é o sistema de câmera totalmente manual que pode entrar em conflito com o sistema de lock on (também manual). Ambos provam ser demais para situações em que tudo que você quer ter em mente é sobreviver.
Do ponto de vista áudio-visual, digamos que Baroque tem sucesso em criar e cultivar um ambiente sombrio nada característico do gênero (antes exclusivo da série Shin Megami Tensei). Isso não quer dizer que ele seja bonito. Por se tratar de um RPG focado na exploração de salas geradas aleatoriamente, as texturas e ambientes se repetem freqüentemente. Se pelo menos estas fossem das mais belas, até ia, mas não, diversas texturas se mostram borradas e em baixa resolução. A salvação são os modelos de personagens, que embora possuam animação nula, são carismáticos e de design realmente interessante.
Já a trilha sonora acerta e serve como o grande pilar da ambientação. O jogo também é totalmente dublado e embora o trabalho de voz acerte quase sempre, a falta de animação dos personagens chega a ser cômica, e não teria como não ser: Imagine só ouvir um urrando em diversão, enquanto seu rosto simples não move nem um centímetro.
Chegando ao último andar: Baroque é um RPG nada convencional, com uma série de falhas e uma alta dificuldade. Ou seja, a combinação perfeita para os menos pacientes desistirem de vez do jogo. Os que ficarem terão pela frente uma excelente aventura que com certeza será lembrada por anos, tanto pelo enredo quanto pela dificuldade.