PRÓS
Capturar fantasmas não cansa
Enredo sempre divertido
Modo cooperativo estende a diversão
CONTRAS
Muito curto
Alguns mínimos bugs
Eis um momento de triunfo inesperado: A versão Wii foi escolhida como a versão para nossa análise do tão esperado (e adiado) jogo que marca o retorno dos cômicos Caça-Fantasmas: Ghostbusters: The Video Game. Não, não escolhemos ele porque o DVD do Wii era a opção mais barata, até porque aqui no Brasil isto não existe. Sim, por mais incrível que pareça, a desacreditada versão Wii, desenvolvida paralelamente pela Red Fly Studio, é melhor que as versões para PlayStation 3 e Xbox 360.
Um dos trunfos deste novo título, entretanto, não fica preso ao console da Nintendo, mas em seu enredo. Ghostbusters parece, soa e flui como um novo filme da franquia de 1984. Não que isto venha como uma surpresa, pois os próprios Harold Ramis e Dan Aykroyd (dois dos caça-fantasmas e roteiristas originais do filme) escreveram esta nova aventura. Como era de se esperar, você acompanha as aventuras dos bons e velhos caçadores de fantasmas, acompanhando-os como um novato, que pode ser homem ou mulher. Aí você imagina: se eles já tiveram vontade suficiente de escrever o novo jogo, obviamente ambos se juntaram aos seus antigos parceiros, Bill Murray e Ernie Hudson, para completar o time durante os trabalhos de dublagem.
Claro que nem toda piada fará você rolar de rir e às vezes até uma fala ou outra parece sair com menos empolgação do que deveria, mas em geral o jogo é puro bom humor. Não falo de algo que se limita a cenas, mas sim para todo e qualquer momento. Enquanto você extermina todos os tipos de bizarrices, um dos caça-fantasmas solta aqueles comentários típicos da personalidade de cada, como as explicações absurdamente técnicas e demoradas de Egon, mesmo durante os momentos mais tensos.
Curioso é que, os controles e comandos, geralmente motivo de tensão nas adaptações para o Wii, são naturais e fluem muito melhor do que nas outras versões. Você trava a mira em seus oponentes, que vão dos clássicos seres ectoplasmáticos até objetos amaldiçoados, mas fica livre para atirar para onde bem entender, ou seja, além de manter um desafio mais interessante, você tem mais liberdade de movimento e planejamento de suas estratégias. Não que o jogo seja difícil, pois raramente você terá problemas e, mesmo se você morrer, um de seus companheiros te ampara na hora. O que acontece é que, ao invés de se preocupar com em fazer você sofrer, o jogo prefere dar ênfase em criar um ambiente e um encontro que você não vai esquecer tão fácil - o resultado são chefes e cenas dignas do que seria uma continuação nos cinemas.
Seu arsenal, como era de se esperar, é todo baseado nas armas utilizadas nos dois filmes, e um pouco além. A sempre potente mochila dos caça-fantasmas carrega o clássico raio esverdeado que enfraquece os poltergeists, outro relâmpago mais concentrado que deixa seus inimigos lerdos, e assim por diante. Assim que eles cansarem, é hora da fatídica armadilha que finalmente captura os espíritos revoltados de vez. Em geral você nunca tem problema com os comandos, a não ser quando você tem que trocar de arma rapidamente (pelos direcionais do Wiimote), ou mesmo sequências em que um pouquinho mais de precisão é pedida, leia-se, quando o jogo pede que você carregue objetos com sua arma e encaixe em algum lugar específico. Não que isso irrite, mas temos que registrar.
Dá para dizer que o mesmo acontece no que diz respeito ao visual da versão. Considerando que o Wii não tem o poder de fogo de seus ditos concorrentes, o pessoal da Red Fly optou sabiamente pelo visual cartunesco (pense na animação Os Incríveis da Disney) e foram felizes. Claro que você dificilmente se encontrará surpreendido pelo feito gráfico, mas ainda assim as situações sempre convencem, assim como as expressões dos caça-fantasmas e animação de seus coloridos inimigos. Existem sim alguns bugs, tanto de colisão, quanto até objetos e personagens que travam em alguns pontos dos cenários, mas nada constante e, o mais importante, são coisas que você pode perdoar frente a toda a experiência.
Varrendo sua casa dos seres sobrenaturais: Ghostbuster: The Videogame é um jogo que, apesar do seu histórico de atrasos e falta de fé da própria distribuidora, tem como maior ponto fraco terminar rápido. Sim, ele dura apenas cinco horas, e deixa saudade. O bom é que você tem desculpa para fazer tudo de novo, se surgir alguém para acompanhá-lo no também divertidíssimo modo cooperativo. Então, caso ainda não tenha entendido, isto é um sim. Valeu a pena esperar. Pode comprar que eu garanto.