PRÓS
- Sair bancando o "fantasma" de um carro para o outro
- Perspecitivas de direção (são várias)
- Missões interessantes
- Competitividade
CONTRAS
- Pode cansar fácil
- Diálogos toscos
- Roteiro confuso (para os Noobs)
por Vanessa Lee
Esquisito. É assim que posso definir Driver San Francisco logo de cara. Parece precoce soltar esse adjetivo, assim de sopetão, mas quando vocês encararem os desafios do game da Ubisoft, no meio do caminho a sensação será exatamente essa.
O game tem um “Q” de nostalgia para falar a verdade. Quando pensei no revival que a Ubisoft poderia fazer com esse game, por conta dos clássicos para o Playstation 1, pensei numa trama investigativa tradicional, com algumas missões e o recurso de filmagem para fazermos um mini-filme do nosso desempenho durante as corridas. Tudo que eu esperava aconteceu, exceto pelo “trama tradicional”.
De tradicional o jogo conserva apenas algums aspectos, como a câmera, os caminhões com rampas (muito divertidos, embora não tenham tanta impulsão assim) e as perseguições.
Nesse game, o climão de seriado anos 70 é absurdamente sensível. A cada corte para uma nova fase, um flashback do que foi feito até alí acontece, tipo um mostruário dos episódios anteriores; uma direção diferenciada que renovou a condução do game. Fato. No entanto, conforme você vai passando para um novo capítulo, essa “introdução” repetitiva começa a ficar chatinha.
Sobre o enredo podemos dizer que os roteiristas Ian Mayor, James Worrall, David Midgley “chutaram o pau”. Não dá para saber se o pessoal aproveitou para caprichar na “viagem” para agradar aos debutantes da série ou se foi para dar um descanso às premissas anteriores de perseguições cruas.
A história é a seguinte: tudo se passa alguns meses após os acontecimentos de Driver 3. É revelado que ambos Tanner e Jericho sobrevivem ao tiroteio em Istambul. Desde então, os dois homens se recuperaram e Jericho escapou em San Francisco, enquanto Tanner o perseguia.
Jericho é mostrado sendo transportado na parte traseira de um caminhão de prisão, mas consegue escapar com um frasco de ácido escondido dentro da sua boca. Ele domina os guardas, e sequestra o caminhão. Tanner e Tobias, seu parceiro, testemunham este acontecimento do carro de Tanner, perseguindo Jericho enquanto ele provoca o caos nas ruas da cidade. Tanner acaba na frente de Jericó num beco, e é empurrado para frente de um reboque de um trator. Um acidente grave acontece, colocando-o em coma.
Daí tudo começa. Você entra no coma de Tanner e o game se desenrola durante esse período, dentro da cabeça do policial. Por isso eu disse “viagem”. Já pensou como seria viver o sonho, ou pesadelo, de alguém? Pois bem, é isso que o jogador passa a explorar.
Durante o “soninho” do personagem, ele fantasia sua caça por Jericho. O curioso - e muito engraçado diga-se de passagem - é a possibilidade de ir de um carro para outro, como se possuísse o condutor do veículo. No início a estranheza é normal, porque sem a história explicada você não vai entender nada. O cara simplesmente tem um visão panorâmica da cidade, chamada Shift, através da qual você escolhe o carro que quer entrar, para diferentes fins. Essa finalidade irá ajudá-lo a executar as missões e sub-missões espalhadas pela cidade. Essas são bem variadas, o que deixa as coisas menos cansativas. Você pode ser um policial e perseguir criminosos, atacando-os com seu carro; pode ser um segurança que leva uma testemunha paranóica até um lugar seguro; pode ser um playboy apostando corridas pelas ruas de São Francisco; ou até o condutor de uma ambulância. As possibilidades são várias. Para quem gosta de muitos desafios o título é uma pratada.
O Shift também pode ser atualizado vez ou outra, permitindo que o jogador se transporte para lugares cada vez mais distantes. Esse recurso é a engrenagem de toda a ação.
Sair do carro é algo que não existe no novo Driver. Todo o gameplay é dentro dos carangos. Pela primeira vez, mais de 130 carros são disponibilizados para o jogador, sendo todos licenciados. Cadillac, Shelby, Alfa Romeo, Aston Martin, Chevrolet, Lamborghini, Ruf, Dodge, Pagani Zonda, DeLorean, Volkswagen, Bugatti, Ford...São algumas das marcas que você encontrará. Recolhendo a maior pontuação, pode-se fazer uma bela coleção comprando todos os veículos, que inclui até caminhões. Quem joga tem perspectiva por diversas câmeras, com direito a visão interna do carro. Além de tudo, as máquinas amassam e fundem. Então preste bem atenção na hora de saltar das ruas cheias de subidas e descidas e não dar de cara com um caminhão. Caso contrário, já era.
Esse James Bond fraturado ganhou também uma qualidade gráfica superior, própria para os consoles dessa geração, e um trilha sonora carregada de clássicos groove e funk, próprios para o estilo proposto pela produtora, que absorveu detalhes da época setentista, não deixando passar nem o belo carro principal do personagem: um 1970 Dodge Challenger R/T 440 Six Pack. Bonito que dói.
No modo multiplayer, o game reserva vários modos de jogo, como capturar a bandeira, corridas, seguir determinado carro, entre outros. Trazendo um modo de jogo dinâmico e que irá requerer ações rápidas dos jogadores para se livrar de seus oponentes e ganhar a competição. Além disso, quem acumular mais pontos de experiência terá o direito de desbloquear novos veículos e habilidades, entre outras coisitas.
Apesar de um escorregão aqui e outro alí, como a repetição de missões (que acabam virando um pé no saco) e diálogos bem toscos, Driver San Francisco merece nosso reconhecimento por sua diversão. Porém, não é aquele tipo de game que o jogador pode passar horas atrás do console, pois a chance de se encher e deixar o jogo imcompleto é grande.