PRÓS
Design cativante
Edição de videoclipe competente
CONTRAS
Sistema de dança falho
Karaokê inexistente
Pouca variação de movimentos
Sem dúvida o Nintendo Wii é uma plataforma de jogos realmente únicos, porém, há um certo problema quando alguns desenvolvedores começam a achar que qualquer idiotice pode ser considerada algo original. Falo de Boogie, a última tentativa da EA de penetrar no mundo da música infantil - com a premissa de deixar você cantar, dança e até mesmo criar seus próprios videoclipes. Pena que no final, nada do game chega realmente a interessar como deveria.
Em Boogie, você poderá assumir o papel de cinco personagens distintos, cada um seguindo por sua louca história. Sendo um game voltado para o público mais jovem, não há como não reconhecer que o design do game faz, e bem feito, seu trabalho. Os personagens são realmente cômicos e carismáticos, mas infelizmente o pessoal responsável pelo enredo não viveu para com as expectativas. O resultado? Bons personagens vivendo histórias capengas.
Mas então você me diz que o interessa é o jogo, e naturalmente eu concordaria, isto é, se este passasse perto de ser algo bom, o que não acontece. Em minhas análises, normalmente passo um bom tempo explicando a jogabilidade do game, o que é o certo, mas nesse caso acho que o melhor é cortar logo para o que interessa, caso contrário, eu estaria fazendo exatamente como o longo e desnecessário tutorial do game que perdura por longos e tediosos minutos explicando regras e manhas que na realidade são totalmente ignoradas durante a ação real.
Lamentavelmente, tudo o que você precisa para se dar bem em Boogie é movimentar o controle para o local indicado na tela e terá êxito sem problemas. É nesse momento que você percebe que assistiu um tutorial inteiro por nada. Pelo jeito os desenvolvedores pensam que jogos infantis são sinônimos de desafios ridículos, porque é isso que você recebe ao jogar mesmo na dificuldade mais difícil. Pelo menos há ainda um modo multiplayer no qual é permitido jogar com um colega, que milagrosamente consegue retardar o tédio eminente, mas nada que dure por muito tempo.
Mas a dançar não passa de apenas metade da jogabilidade do game, embora a mais alardeada. Como dito, ainda há as porções da criação de videoclipes e o karaokê. Criar videoclipes é bem simples, você apenas escolhe as cenas salvas e acessa o editor, que também é extremamente funcional. O resultado geralmente é bom, você poderá contar com uma infinidade de ângulos de câmera e efeitos chamativos, que, para quem conseguiu agüentar até essa altura do campeonato, valerá ouro.
Já a parte de karaokê é ridícula, como os jogos de karaokê em geral. Para variar, o jogo tenta enganar as pequenas criançinhas ensinando que você precisa cantar com a nota certa de acordo com a letra da música que é mostrada na tela, sendo que um sistema de avaliação nem sequer existe no game - você pode bater o microfone no seu sofá, assoprar o receptor ou qualquer coisa do tipo, que você ganhará uma boa nota. Que coisa feia EA, mentindo para crianças?
Pelo menos a seleção de canções não é das piores, mesmo que não fuja daquele típico "Best hits" de karaokê, com uma porção de músicas da querida Britney Spears, "Fergalicious" (Fergie), "Don't Cha" (Pussycat Dolls), todas devidamente censuradas para crianças alguma ouvir palavreados e, como não poderia faltar, as clássicas como "ABC", "Celebration" e "Love Rollercoaster", diretamente vindas do fundo do baú.
De qualquer forma, novamente reforço que Boogie acerta no setor visual. O design, como eu já havia falado, é cativante, assim como os movimentos coreografados das danças, que só pecam por não serem realmente dos mais variados. Os cenários são em geral todos colorido e, enquanto nada originais, são bem construídos e cumprem seus devidos papeis, encaixando-se adequadamente com o resto do game.
Chegando ao fim do show: Um game não pode viver só de sua carinha bonita e é exatamente por isso que Boogie raramente pode ser recomendado. Excluindo o editor de videoclipe, dificilmente o jogo faz o que se propõe, com um sistema de dança falho e impreciso, alem do karaokê igualmente inútil. Direcionado para crianças ou não, não creio que esta seja a situação que alguém procura ao comprar um game.