PRÓS
Dublagem de respeito
Montar monstruosidades
CONTRAS
Jogabilidade não inova em nada
Falta o carisma que fez a série
Alguém aí lembra do Crash? Se você por algum motivo não jogou videogames durante o meio da década de 90 até seu final, é bem capaz que não o conheça. Criado pela Naughty Dog, responsável pelo sucesso da mais que competente franquia Jak de PlayStation 2, as aventuras do bandicoot de shorts serviram para o firmar como o principal mascote do primeiro videogame da família PlayStation.
Só que, como nem tudo nessa vida é alegria, o bandicoot passou por maus bocados após a venda de sua franquia. Saindo da mão de seus pais na Naughty Dog, ele passou por uma série de aventuras inexpressivas até cair no esquecimento, e agora, chegando às mãos da Radical Entertainment e da Sierra, Crash of the Titans é a tentativa de ressurreição de todo o humor e diversão que os jogos do marsupial já foram.
A história do jogo é um tanto escrachada, o que não quer dizer que é ruim. O ponta pé inicial do jogo é quando o famigerado Dr. Neo Cortex retorna para raptar Coco Bandicoot, irmã do protagonista, e seu amigo Aku-Aku. Não que isso tenha algo a ver realmente com seu plano de dominação global envolvendo criaturas gigantes, mas mesmo assim ele rapta os dois, chamando o herói Crash novamente para a ação.
De início já dá para notar como Crash of the Titans consegue se apresentar melhor que seus antecessores da era pós-Naughty Dog, ainda assim, é impossível dizer que em algum momento o game pega você de surpresa ou chega a fazer diferente. Na realidade, é tudo bem previsível, seja a disposição e fluência das fases, ou mesmo os combates, no qual o game se concentra um pouco mais que no passado. Como antes, você percorrerá caminhos pré-determinados, seja a pé ou no fatídico hoverboard, ocasionalmente parando para derrotar um grande grupo de inimigos que quando derrotados liberaram a passagem.
O desafio tende a ser bem light e o melhor fica realmente para as seqüências de plataforma, que graças as novas e modernas engines físicas, tornaram levemente mais desafiantes. De resto, o jogo introduz a habilidade de se poder montar nas gigantescas monstruosidades criadas por Cortex para dar um fim a Crash. É nesse fator que a originalidade dá uma respirada, já que existem vários tipos de monstros e cada um conta com ataques únicos, assim como vantagens e fraquezas.
E assim o jogo flui bem até mais para o final, quando você já encontrou todos os monstros e já sabe derrotar a maioria dos inimigos. É aí que o game tenta melhorar a ação colocando hordas de monstros frente a Crash para serem derrotados, o que obviamente acaba em confusão e, ao invés de complementar a ação, deixa tudo mais frustrante, com incontáveis cenas do heróis sendo atacado sem piedade de todos os lados.
Crash of the Titans é basicamente o mesmo nas versões PlayStation 2, Wii e Xbox 360, um game colorido e repleto de paisagens cartunescas, sendo que a versão Xbox 360 sai ganhando com texturas mais concisas e efeitos de luz mais detalhados, porém, nada que chegue a realmente diferenciar a experiência. As versões PS2 e Wii são ambas competentes, sendo que explosões e efeitos de partículas se mostram (óbvio) melhores no console da Nintendo. Os controles em geral respondem rápido e caso esteja se perguntando, as habilidades únicas do Wii só vêm à tona na execução das habilidades especiais de alguns dos monstros. Quando a parte sonora, o que você mais notará será a dublagem dedicada que dá vida aos personagens do jogo e ao sadio e cativante humor de Crash of the Titans.
Fora as sete horas necessárias para terminar o game, este ainda conta com uma certa quantia de extras, além de um modo cooperativo, que deve funcionar especialmente para aqueles que realmente gostaram do game. No mais, nada realmente que te impulsionará por muito mais tempo.
Depois de montar titãs: O maior problema de Crash of the Titans passa longe de ser coisas técnicas, o que mais faz falta no game é a personalidade que apenas a Naughty Dog soube dar ao marsupial. Então o que temos no jogo é um desafio simplista e que diverte por boas horas, mas que nunca chega ao nível de carisma que um mascote precisa para ser, bem, um mascote. Poderia ser qualquer outro animal correndo pelos cenários que não faria diferente. De qualquer forma, alugue por um fim de semana.