PRÓS
Adição das batalhas submarinas
Os monstros e como eles são vivos
Um mundo paradisíaco para se explorar
Multiplayer on-line deixa tudo melhor
CONTRAS
A forma de se catalogar monstros é ridícula
Monster Hunter é uma fórmula básica. Provavelmente alguém da Capcom, certa vez, esteve pensando no que aconteceria se os seres humanos já existissem e fossem evoluídos durante a era dos dinossauros. É isto que acontece no título desde seu primeiro jogo, lançado para PlayStation 2, e é isto que acontece na terceira edição, lançada para Wii após inúmeros lançamentos e expansões garantirem o sucesso do portátil PSP em território japonês.
Como um caçador de uma vila litorânea, seu objetivo é sobreviver e da forma literal. Isso significa garantir que sua vila tenha suprimentos para as estações do ano ao mesmo tempo em que protege a população de se tornar presa da poderosa e opressora fauna do planeta. Apesar da descrição, Monster Hunter Tri é um jogo alegre que busca mergulhar os jogadores em um mundo único através da interação, variedade de atividades e um detalhamento fora do comum para as belezas naturais.
O mais interessante é que, apesar da temática fantasiosa, o jogo busca até que uma aplicação realista à sua jogabilidade, o que significa: Você morre fácil, muito fácil. Não entendeu? Eu explico. Você é um humano, como todos os outros, carregando armamentos pesado que não facilitam o movimento. Seus inimigos são feras míticas que podem vir munidas não apenas de garras e dentes, mas de cuspes venenosos, asas, sopros de fogo e, bom, você entendeu. A chance de qualquer jogador triunfar batendo nos monstrengos sem pensar é praticamente nula.
E é aí que entra a estratégia, na forma do planejamento. No começo é mais simples, basta observar o comportamento da fera que você precisa eliminar ou capturar e atacá-la de acordo, mas à medida que as coisas vão ficando mais sérias (e monstros maiores), você tem que pensar em tudo. Para se ter uma ideia, na mais simples hipótese você tem que se lembrar de levar amoladores, no caso de sua espada perder o fio, uma picareta para minerar eventuais descobertas, poções para todos os tipos de problemas (até mesmo para o frio) e até mesmo rever o tipo de arma ou armadura que vai portar.
Tantos detalhes dão uma característica tipicamente lenta aos momentos anteriores às quests do jogo, mas não se engane, assim que elas começam a coisa muda. Há algo de extremamente imersivo na jogabilidade conforme você desvenda as belezas naturais do jogo, buscando pelo território do monstro, aprendendo seu comportamento, criando armadilhas e sofrendo para levá-lo ao chão.
Sofrendo sim, porque nunca é fácil. Não é só a modelagem e a animação que sopram vida e credibilidade às feras do jogo, seus comportamentos os transformam em desafios imprevisíveis. Alguns buscam encurralá-lo, outros atacam como loucos variando a velocidade para confundir seu atacante, outros ficam descontrolados quando próximos à morte e cheguei até a enfrentar um monstro que se fingiu de morto apenas para pegar o grupo todo de surpresa.
Eu disse grupo porque, embora Monster Hunter Tri seja excelente como um jogo single-player, nada se compara à diversão e à sensação de triunfo que um jogador sente ao superar a fúria de um dos gigantescos monstros do jogo. Se a primeira opção já rendia boas 30 horas de jogo, a segunda triplica todas as afirmações acima. A adição das batalhas submarinas também dá um ângulo todo novo à ação, introduzindo novas preocupações na sua lista, que vão desde como permanecer um bom tempo debaixo d'água, até como lidar com os monstros anfíbios que farão de tudo para levá-lo para a água, onde você e seus amigos se tornam presas ainda mais fáceis sob a pressão do mar.
De problema mesmo você terá poucos. A conexão funciona bem na maioria das vezes e o jogo não força o uso do depressivo friend code. Os controles, considerando que você não tenha a péssima ideia de utilizar o Wiimote (meus pêsames aos que só possuem este), são precisos e respeitam o conceito do jogo. Movimentar-se é uma arte na ação de Monster Hunter, então espere por algumas boas horas até se acostumar propriamente com as corridas e investidas de seu personagem. Se tivesse que nomear a única idiotice do título, o prêmio iria para a sequência necessária para se catalogar um monstro em seu caderno.
Acompanhe o processo: Você deve pegar o Wiimote (já que ele fica pendurado ao classic controller), apontar no monstro desejado, segurar o botão e arrastar até um ícone no canto da tela, tudo isto, claro, provavelmente acontecendo enquanto a fera dispara que nem um louco para cima de você. Sério, quem foi o otário que teve essa ideia? Não tinha algo mais incomodo e fora de mão para fazer? É até difícil de pensar que esta única sequência passou pelo controle de qualidade. Não estraga o jogo, nem chega perto, mas há de se pensar o porquê de algo tão distópico.
Atraindo uma nova leva de feras ao Wii: Monster Hunter Tri não é só um dos melhores jogos do console da Nintendo, é também a melhor experiência on-line, trazendo um mundo todo aos caçadores que derem uma chance ao título. Não é só caçar monstros, é participar da arena da cidade com algum amigo, exibir seus armamentos no centro da cidade, ou mesmo desafiar um desconhecido para um braço de ferro enquanto relaxando na taverna. Há algo sempre novo a fazer no mundo de Monster Hunter - acho que só isso já diz tudo, não?