PRÓS
Visual continua impressionando
Novos personagens carismáticos e divertidos
Quantidade impressionante de coisas para se fazer
Qualidade sonora inegável
Mudanças na jogabilidade deixam tudo ainda melhor
CONTRAS
Curva de aprendizado continua bem alta
Enredo não se importa com o sentido
Poucas alterações gráticas
Por Rodrigo Brasiliense
Não precisa ser nenhum mestre para saber que, salvo alguns episódios da série, Final Fantasy não é uma série de historia interligadas, mas sim uma de universos paralelos de aventuras que (quase sempre/de uma forma ou de outra) gira em torno dos misteriosos cristais. Sendo assim, surgiu Dissidia, conflito em Latin, uma espécie de Ragnarok (o apocalipse nórdico, amigo, não o jogo da Level Up...) do universo Final Fantasy, no qual heróis de vários universos são convocados para decidir a guerra eterna entre a deusa da ordem e o deus do caos.
O primeiro jogo foi a realização de um verdadeiro sonho dos seguidores da série que, graças a maestria do grupo responsável por Kingdom Hearts, não dependeu apenas da carga emocional e impressionou com uma jogabilidade complexa e flexível.
Assim, a história se repete com a sequência, um jogo equilibrado, bem acabado e repleto de detalhezinhos (e detalhezões) que pouco a pouco capturam o jogador de forma que, mesmo nos dias mais apertados, uma partidinha rápida se torna praticamente indispensável. Isto porque o pessoal da Square-Enix parece ter amadurecido, fato que os fizeram encarar o projeto cada vez mais como um jogo de luta com toques de RPG, do que um RPG tentando ser jogo de luta.
O enredo do jogo, precursor do primeiro Dissidia: Final Fantasy, conta a história da décima segunda batalha dos deuses, logo o nome Dissidia 012: Duodecim Final Fantasy. Pois é, caso você tenha se perdido no meio do caminho, a batalha do primeiro jogo foi a décima terceira e final, e a narrativa desta aventura explica os eventos decisivos que vieram fazer está décima terceira justamente a última – caso contrário, o ciclo de batalhas permaneceria eternamente.
Perdido? Não se preocupe, apesar de bem escrito e repleto de citações aos clássicos da franquia, a história é devidamente confusa e longe de ser bem detalhada como poderia ser, o que também não deixa de ser algo típico de muitos jogos de luta.
Se quiserem saber, ela conta como um grupo especial de personagens, composto pela posuda Lightning (FF13), o despreocupado Vaan (FF12), a responsável Yuna (FF10), o sempre atrapalhado Laguna (FF8), a prestativa Tifa (FF7) e o conflitante Kain (FF4), descobrem que o aparecimento dos manikins, cópias selvagens dos heróis e vilões do mundo, que tem como objetivo destruir a ordem com seus números absurdos. Daí surge um plano suicida que, se funcionar, dará a chance dos outros heróis acabarem com o conflito de uma vez por todas.
Nesta busca, você viaja pelo mundo no controle do sexteto. E não, você não leu errado, ao contrário do primeiro jogo no qual o modo história se apresentava por meio de um tabuleiro, neste você viaja por um world map (curiosamente baseado no mundo do primeiro Final Fantasy) como nos antigos jogos da série. É neste espaço que você encontra tesouros, acumula habilidades e destranca os portões, uma espécie de dungeon onde os tabuleiros do primeiro retornam. Neles que você enfrenta os inimigos principais e, uma vez que completos, progridem o enredo.
A verdade é que eu nem precisava estar explicando isto para vocês, a única coisa que precisa ser dita é que, devido ao novo estilo de se avançar pelo modo história, este acaba durando bem mais do que o acostumado com a primeira versão, o que não é algo ruim. Enquanto os apressados podem muito bem seguir direto para os portões, quem quer algo mais tem oportunidades de sobra para adquirir equipamentos, subir de nível e reunir itens para construir armas e acessórios no futuro.
Como o primeiro jogo, este também é um verdadeiro pacote repleto de vertentes expansivas que você pode explorar como bem entender. Imagine que o jogo estivesse dizendo a todo momento: “veja, tem mais coisa para você fazer!”. É o modo arcade, no qual você pode simplesmente disputar pela simples razão da batalha, o chamado Labirynth, aberto após o final do jogo, no qual você enfrenta uma série de personagens com múltiplas configurações, a loja no qual você pode gastar seus PP (faturados após cada batalha) em roupas, músicas e outras quinquilharias, e até mesmo a oportunidade de se rejogar toda a história do primeiro jogo, agora sob uma nova perspectiva.
Com um conteúdo deste, fica difícil não cair de cara no jogo, certo? Errado. Apesar de toda a beleza visual e a infinidade de coisas para se fazer e completar, Dissidia 012 continua um jogo complexo e exclusivo, daqueles que não exige apenas prática, mas também um conhecimento geral de todos os “poréns” da arena. Então é aquela coisa, não adianta tomar o PSP da mão do seu amigo e achar que vai sair explodindo todo mundo controlando o Tidus só porque conseguia no seu antigo PS2. Infelizmente aqui o processo é lento, e o bom e velho tutorial é mais que necessário. A parte boa é que a recompensa é grande e, uma vez dominado, o jogo se apresenta em uma luz totalmente nova.
Entre ajustes de prioridades e velocidades, o que brilha mesmo é a presença dos novos personagens, diferentes de tudo que você já viu antes. Lightning troca entre suas três classes principais de Final Fantasy XIII e dá um show de versatilidade, utilizando ataques diretos, magias e até mesmo cura, já Tifa esbanja uma velocidade nunca vista em Final Fantasy VII, que você pode usar para cancelar seus ataques e enganar até os mais astutos, enquanto Kain, o primeiro dragoon da história da franquia, domina o jogo aéreo como nenhum personagem ousa.
Isto tudo, mais o sistema de partner assist, que é poder chamar um personagem pré-selecionado para auxiliar seu ataque ou defesa, dando vida a combos inteligentes e inventivos que eu não surgiam desde a época do clássico The King of Fighters ’99.
E claro, eu não ia terminar o texto sem falar do visual, que por tanto tempo foi um dos maiores carros chefes da antes apenas Squaresoft. Não houve grandes avanços, isso eu já posso deixar claro desde o início, só que a diferença que isto não chega a ser um grande problema porque o jogo já era belo para começo de conversa. No caso então, o que muda é quase que o indicativo da jogabilidade, ou seja, os personagens novos e seus cenários que adicionam suas curvas às batalhas. Claro, os mais detalhistas ainda notam uma animação mais suave e fluente, mas não é isso que vai fazer a diferença.
A trilha sonora sim retorna ainda mais trabalhada e provocante, com temas que exaltam a batalha e o conflito, misturado com peças que nos fazem lembrar sempre dos melhores momentos daquele nosso Final Fantasy que marcou. A coisa é boa, acredite. Também ouvir personagens antes nunca dublados, como no caso de Kain e Laguna, é uma experiência interessante e que molda ainda mais as personalidades que se fixaram em suas épocas. Não preciso dizer que Square-Enix acertou na escolha dos representantes, sobretudo, Liam O’Brian no papel de Kain Highwind, que com a mais simples frase mostra sua incerteza, racionalidade e ainda sim, uma presença guerreira e calculista como poucos outros personagens da série.
Decidindo de vez: Dissidia 012: Duodecim Final Fantasy é um jogo que não me dá muitas opções de como se finalizar um texto. A mensagem aqui é bem clara – gosta de jogos de luta? Final Fantasy? Este UMD tem conteúdo o suficiente para você só parar de jogar quando sair o NGP da Sony. Mas, quem nunca tentou nenhum dos dois acima (se é que isso existe) e se sente motivado, vale a experiência, só não vale esquecer-se de consultar fortemente o tutorial.