PRÓS
Batalhas funcionam bem
Visual impressiona às vezes
CONTRAS
Deveria haver mais exploração e manobras
História não empolga tanto
Trilha sonora parece barata
A idéia de se transpor a experiência de Assassin's Creed para uma plataforma portátil, no caso o PSP, é uma idéia louvável. Não falo de adaptações, mas de algo que realmente passe o sentimento do jogo lançado para PC, PlayStation 3 e Xbox 360 em um videogame portátil. Parece difícil? O primeiro trailer de Assassin's Creed: Bloodlines deu a impressão de que não e, de fato, talvez não seria. Isto é, se seus desenvolvedores tivessem sempre em mente o que é que faz de Assassin's Creed algo especial.
A Griptonite Game, que ficou a cargo de misturar os elementos para dar vida à tal versão portátil, se esqueceu disto ou, quem sabe, nem mesmo entendeu quais eram os pontos chaves da amada franquia da Ubisoft.
Ainda que lançado praticamente junto com o excelentíssimo Assassin's Creed 2, Bloodlines não te coloca abaixo do manto de Ezio, mas sim Altair, o assassino do primeiro jogo. Agora reformado e frente a uma conspiração que ameaça dominar todos os povos existentes, Altair se encontra perseguindo os famigerados cavaleiros templários rumo à ilha de Cyprus. Seu objetivo é desvendar segredos que supostamente se conectam tanto com os acontecimentos do primeiro Assassin's Creed, quanto de sua sequência.
Soa interessante? Sem dúvidas, mas a realidade é outra. Lembra quando estávamos falando sobre o que faz de Assassin's Creed algo especial? Sim, eu achei que houvesse um consenso que a melhor coisa em um Assassin's Creed fosse a liberdade de se saltar por sacadas e parapeitos de gigantescas cidades, mas não para o pessoal da Griptonite. Para eles, claramente o combate se destacava acima de todos os outros aspectos.
Refletindo isto, Assassin's Creed: Bloodlines brilha principalmente em suas batalhas e nunca se cansa de jogar mais e mais inimigos à sua dianteira. Como falta, ele parece esquecer de todo o resto. Cyprus é uma ilha pequena e quase que detalhada em um único tom, o marrom. Não há vastidão, nem oportunidades para largos saltos ou grandes quedas, o que é irônico já que a mecânica do parkour até que foi bem adaptada para a versão portátil. Ela não chega a ser infalível como é em Assassin's Creed II, mas Altair, na maioria das vezes, pula com precisão e escala edifícios sem maiores dificuldades. Uma pena que, como já falado, tais elementos realmente fiquem em segundo plano.
Para fechar nas falhas, ainda podemos dizer que Bloodlines não sabe conduzir uma história tão bem quanto seus dois irmãos para os consoles. Não culpo a narrativa em si, mas o próprio texto e os acontecimentos são de pouco impacto. Você não se apega a personagem algum, com exceção da templária Maria, que surpreende em suas falas e ações. A dublagem em geral é razoável, mas me pergunto mesmo por que tiveram o trabalho de compor músicas tão tediosas, quando poderiam ter reutilizado as do primeiro jogo. Muito melhores, diga-se de passagem.
Claro que, dizer isto, não é dizer que o jogo é uma falha, porque não é. O visual e a animação estão de parabéns. Cyprus, de fato, é uma cidade dominada pelo marrom, mas não quer dizer que suas texturas e construções não agradem quando vistas de perto. O mesmo posso dizer dos combates que, como foco da ação, ganharam uma movimentação muito mais inspirada. Eu pediria apenas por guardas menos estúpidos, mas os chefões compensam a moleza de seus capangas.
Revisitando o passado: Assassin's Creed: Bloodlines foi uma boa iniciativa. Como com God of War, a Ubisoft tentou trazer o melhor de sua franquia para o portátil, mas acabou tropeçando em elementos que não poderiam faltar para completar a experiência. É um bom jogo, mas nada que realmente mereça o seu dinheiro. A menos que você seja um fã extremo da série, porque, caso contrário, ele não acrescenta nada de novo.