PRÓS
- Menu de armas ágil
- Barricadas de proteção
- Sistema estragégico de transmutação de corpos
- Visual incrível
CONTRAS
- Monstros regeneram muito rápido
- Sistema de salvamento muito distante entre uma fase e outra
- Fases muito parecidas
- Trilha sonora massante
por Vanessa Lee
A Square Enix ressuscitou uma das séries que mais fez sucesso nos prímórdios dos consoles da Sony, mais especificamente com o veterano Playstation 1. Sob a nostalgia dos jogos do passado, veio a notícia de que um novo título para franquia chegaria para suprir a saudade dos fãs da agente Aya Brea.
A personagem volta renovada, mais sexy e ainda mais decidida a acabar com os monstrengos que insistem em cruzar o seu caminho, porém, desta vez não vai ser tão fácil assim, pois como qualquer conhecedor de jogos da antiga Squaresoft sabe, o estúdio nunca foi fã de facilitar no gameplay quando o assunto é Parasite Eve.
The Third Birthday é a continuação de Parasite Eve II, que foi lançado em 1999. Com esse hiato entre um jogo e outro, muito pôde ser pensado para criar a nova trama. Quando o japonês Hideaki Sena criou a série, seu ponto forte era manter a história envolvente, na qual ciência, suspense e terror se misturam. Com a nova versão não podia ser diferente. Porém seu molde mais atual é o que afasta a percepção de comparação entre os outros.
Para os curiosos de plantão que insistem em entender de onde surgiu o novo roteiro, pelo menos o título podemos explicar com mais exatidão. The 3rd Birthday é uma variação da série Parasite Eve, sendo que o nome, traduzido como “o terceiro aniversário” é uma referência a terceira aparição da personagem principal.
Desde o último jogo, a agente que tinha encontros nada amigáveis com parasitas mutantes, denominados de neo-mitocôndriais, que reduziram e virtualmente acabaram, agora passa por um novo e mais radical teste. Tudo se dá pelo fato de quem em 2009, uma nova epidemia começou a tomar conta do mundo e em 2010, um sistema chamado de Overdive foi desenvolvido para exterminar as criaturas, entretanto somente Aya é capaz de operá-lo. Com essa habilidade, ela torna-se peça chave da retomada da paz para o caos que se estendeu pelo mundo.
Se você pensa em jogar o game esperando algo parecido com o anterior, sobre gameplay e mecânica, esqueça. Parasite Eve I e II não passam nem perto do que se tornou a nova sequência. No primeiro jogo, o gênero RPG era o que mais se encaixava para sua definição direta. No segundo, uma mistura de RPG com survival-horror, a lá Resident Evil, deu um toque menos modesto, porém mais divertido, que chegou a atrair até os não iniciados em RPG. Daí um novo estilo surgiu.
Já em The 3rd Birthday, uma mescla dos dois gêneros anteriores, somado ao estilo shooter, forjou o novo projeto. Aya, dessa vez, se protege atrás de barricadas e usa a transmutação de corpos para conseguir reestabelecer seu HP. Esse poder de regeneração pode dar dor de cabeça para os desavisados que acham que só meter bala nos inimigos será o suficiente.
Antes você ia no banco de restauração e obtinha pelo valor de seus pontos o HP e o MP necessários para continuar a aventura. Além, é claro, de seus oponentes deixarem um artigo ou outro assim que eram derrotados. Dessa vez, a coisa muda de figura e você vira praticamente uma vampira, pois sob o poder do “overdive” você consegue se transportar para o corpo de outro agente e mandá-lo para sua posição inicial, ou até mesmo matá-lo para salvar sua pele. Mais desumano talvez, porém necessário.
O manuseio de armas também mudou drasticamente. Se você conhece o game da Epic Gears of War, o módulo de troca é parecido. Você terá 4 armas disponíveis e poderá dar upload, deixando-as mais potentes ou trocando-as por modelos de mais impacto e agilidade. A facilidade para a troca de pistolas é um dos pontos positivos do jogo, pois você precisará ser muito rápido para conseguir se dar bem sobre as criaturas que te atacam sem dó.
Além das armas, você tem as granadas de mão que são bem úteis. Pelo cenário, você encontrará poucos pontos onde existem munição disponível, por isso procure ficar esperto. Inicialmente, demora um pouco para se acostumar a controlar a quantidade de balas, pois quando os “Twisteds” se aproximam, você só tem um pensamento exato: matá-los. Aí é que mora o perigo, pois é necessário traçar uma estratégia para ser eficaz na ação e detonar com eles sem dar tempo para que se regenerem.
Isso mesmo. Regeneração é o que dará mais dor de cabeça na hora de enfrentar os obstáculos que, nesse caso, são de carne e osso. Os monstros tem esse poder e o usam sem pestanejar; sem dar um tempo razoável para que você possa se posicionar. Difícil que dói. Com isso você tem de aproveitar o meio ambiente, mais necessariamente os agentes, que serão seus portais para uma nova posição, que pode ser conclusiva para o ataque final. Com a transmutação, também ganha-se tempo para se esquivar de forma furtiva e mais eficaz do que ter de dar toda aquela volta até encontrar um lugar seguro para se proteger.
The 3rd Birthday também tem seus pecados. Um deles, senão o maior, é que a distância a se percorrer entre um “save” e outro é absurdamente grande. Ou seja, o jogador fica engessado com o jogo. Se você está com outros títulos na memória e pensa em terminá-los simultaneamente, isso será bem irritante, pois em dados momentos, dá para cansar, literamente, de jogar 3rd Birthday e nada de conseguir salvar o progresso. Daí você só tem uma opção se quiser descansar: desligar o portátil. Nada se perde com isso, porém você não poderá fazer nada até encontrar um novo “checkpoint”.
Para quem gosta de desafios mais elaborados, a dificuldade no modo “normal” já é tensa, então imagine o modo “hard”?! Não é impossível, mas entre um palavrão e outro dá para seguir em frente. Fato esse que não podemos deixar de citar. Também não exija demais de si mesmo se o ranking te boicotar, pois isso pode acontecer.
O jogo não deixa de ser divertido, porém poderia se tornar repetitivo não fosse a mudança de cenários. Os ambientes das batalhas são interessantes e os gráficos do game são ótimos. A engine lembra a mesma usada nos Final Fantasys mais recentes. Os filmes de CGs são belíssimos, senão um dos mais belos feitos para o portátil da Sony até o momento. O realismo dos vídeos é o que impressiona e deixa a história mais envolvente, apesar da confusão de fatos que acontece no decorrer da soma de objetivos traçados por Aya.
A trilha sonora eletrônica também não deixa você esquecer em nenhum momento da tensão que sempre faz questão de te acompanhar. Mas o mesmo gênero musical foi usado nos Parasites anteriores. Só que antes a música era a voz dos personagens, dessa vez não se faz necessário, pois tanto a agente quanto o grupo de soldados que a acompanham nas missões têm voz e constantemente conversam entre si.
Os marmanjos que desbravarão The 3rd Birthday podem se animar, pois os japoneses da Square aproveitaram a malícia e a beleza da personagem para tirarem-lhe a roupa. Ou quase isso, pois conforme Aya sofre ataques, sua roupa simplesmente se desintegra, deixando-a literalmente de bunda de fora. Momentinho relax do jogo? Esqueça.
Apesar da pesada análise, mantenha a calma. The 3rd Birthday não chega a ser um inferno na Terra. Mas você vai precisar chamar a sua amiga “paciência” para sentar ao lado na hora em que estiver jogando.