PRÓS
Alguns efeitos especiais
Os caças
CONTRAS
Jogabilidade cretina
Gráficos horríveis
Parte sonora totalmente amadora
Falta de desafio
Heatseeker é o game do mesmo time responsável pelo morno Heroes of the Pacific, lançado ano retrasado. Também focado nos lendários Dog Fights (combates entre caças aéreos), o jogo vem com o objetivo de reforçar o gênero que há tempos não é tão bem representado quanto outros, como os FPS ou games de ação.
Porém, ao contrário de seu irmão mais velho, a história de Heatseeker se passa em um planeta Terra fictício, bem nos moldes do clássico Ace Combat da Namco. Ao todo serão 30 missões ao redor do globo, locais que vão desde a Europa até as pequenas ilhas caribenhas. Para variar um pouco, você começa voando baixo, com objetivos manjados como proteger certas nações e impedir que explodam edifícios, até a coisa tomar rumo de verdade, com seu time se esforçando para salvar o mundo todo do caos (que também não deixa de ser manjado).
Se você procura uma narrativa e enredo detalhados (entenda: Ace Combat 5: The Unsung War), já vou logo dizendo que este dificilmente será o seu jogo do mês. Para ser mais explícito, a única coisa que o jogo incentiva é metralhar e explodir quanto mais inimigos puder. E as coisas pioram mais ainda quando se leva em consideração os briefings ante-missões. Eles são longos, nada empolgantes e, de quebra, a dublagem é péssima, principalmente nas versões PS2 e Wii. Na versão PSP os textos são mais curtos e não há narração - um caso extremo onde a limitação do UMD pode ter contribuído com algo.
Pelo menos a seleção de caças do game não deixa a desejar. Como já esperado, você não terá muito pelo que escolher de início, contudo, adiante o jogo deixará você pilotar beldades como o amado e versátil F-16, o agressivo MIG-31 e até o mítico e mortal F-22 Raptor, cada um com suas óbvias especificações únicas divididas em velocidade, agilidade, defesa, capacidade ar-ar e capacidade ar-terra.
Enquanto os controles das versões Wii e PS2 se mostram precisos, a versão PSP tropeça misteriosamente. Quando o Wiimote e o Dualshock se mostram precisos tanto na mira de inimigos quanto para manobras, o analógico do PSP inexplicavelmente pareceu descalibrado para este game. E mesmo assim, você não perde muito do jogo. A jogabilidade de Heatseeker é simplista demais, pede apenas que você destrua dezenas de aeronaves inimigas com tiros infinitos, ou despeje os vários tipos de mísseis em caminhões, porta-aviões e tudo que não for amigo. Serão longos minutos de apenas "mirar e atirar, mirar e atirar", com breves intervalos nos quais você deverá utilizar o scan para determinar se há presença de inimigos, para voltar para o cansativo "mirar e atirar".
Neste caso, a versão PSP sai ganhando dos grandalhões por conter missões menores. Você pode começá-las sempre que encontrar uma brecha nos afazeres do dia e terminá-las sem muita dor de cabeça. Só que isso não é desculpa para se agüentar a jogabilidade totalmente repetitiva. Desafio você não tem e, mesmo contando os controles tortos no PSP, dificilmente alguém ficará frustrado com a dificuldade. Os inimigos são apenas alvos esperando para se encontrarem com Deus. O game também não se esforça nem um pouco para ser realista, deixando de lado até a consagrada visão do cockpit.
E o visual reflete tudo isso. Alguns efeitos especiais como as nuvens de fumaça exaladas pelos caças ou as próprias explosões se mostram fortes e marcantes, contudo, as fases em si são vazias e planas e quando algo finalmente aparece, é uma visão sepulcral - com edifícios porcamente texturizados, solo borrado e o pior de tudo: a maldita água. Imagine uma grande gelatina azul e você já sabe como é a água de Heatseeker. O melhor, de um ponto de vista sádico, é a reação falida de quando se voa próximo ao que o game chama de água. Não importa a distância que você voa dela, tudo que se vê são gotículas jorradas para todos os lados. Resumindo: a única coisa que se salva em geral são seus caças.
Da parte sonora dá até pena de comentar. Quando não são os riffs sacados de guitarra por trás das fases, ou a dublagem que a todo momento grita "amador", o jogo tentará fazer você pensar que voar a 800 milhas por hora é tão silencioso quanto pular do Pico do Jaraguá de asa-delta.
Heatseeker revisto em três palavras: Repetitivo, cansativo e insípido. Com gráficos desastrosos, parte sonora ridícula e uma jogabilidade digna de um protozoário, é praticamente impossível não condená-lo ao esquecimento. Nem mesmo fãs dos lendários Dog Fights deverão engolir esta.