PRÓS
Sistema de luta cativante
História muito bem escrita
Trilha sonora de qualidade
Gráficos fora do comum
Recria fielmente o mundo de FF7
CONTRAS
As side-missions podiam ser mais variadas
Desde que a Square Enix resolveu expandir o mundo de seus episódios mais famosos da franquia, ironicamente a série que mais sofreu foi justamente sua mais famosa, Final Fantasy VII. Isto porque Final Fantasy VII ganhou o deplorável shooter em terceira pessoa Dirge of Cerberus e o tão falado filme Advent Children, que enquanto permanece como uma das CGs mais bonitas já criadas, adicionou zero de conteúdo quando o quesito é enredo.
Porém, o placar negativo está para virar com Crisis Core: Final Fantasy VII, a aventura portátil para PSP que conta o trágico episódio de um dos mais carismáticos (e desconhecidos) personagens da franquia. Claro que você terá que ler mais para saber o quão bom o game ficou, entretanto, daqui já posso adiantar: Quem esperou todos esses anos de produção certamente não se sentirá decepcionado.
Primeiro, você tem que saber que o protagonista do game não é Cloud Strife, mas sim Zack Fair, o rapaz que sonhava ser um herói de guerra e que Cloud Strife pensou ser durante 90% dos eventos do Final Fantasy VII original. Sendo assim, você embarca na aventura de Zack, um membro da primeira classe da organização SOLDIER, que aos poucos vê que tudo que ele pensava ser certo no mundo, de fato era errado. O novo episódio da série também apresenta novos personagens e mostra o passado de alguns dos mais famosos, o que certamente vai agradar tanto os fãs de longa data como os novos interessados.
Crisis Core por se tratar da vida de um super soldado, abandona o clássico estilo de batalhas por turno da série para assumir uma postura mais veloz, tornando-se um action nos moldes do que seria uma versão levemente mais tática. Os combates têm início e ocorrem exatamente no mesmo cenário que você percorre, sem transição alguma, a chave é se virar com os movimentos para derrotar os vários tipos de inimigos.
A ação mais básica são os ataques de espada e na maioria das vezes é a solução para soldados e derivados. Acertar os inimigos por trás garante dano dobrado. Porém, quando os oponentes vão aumentando e se tornando massivos dragões e tanques de guerra, outras habilidades são necessárias como as poderosas magias. Manobras como o rolamento, pulo e certos golpes de espada utilizam "AP", enquanto magias utilizam o clássico "MP", ambos mostrados no canto da tela junto com sua vida, o "HP". Selecionar cada uma das habilidades fica por conta do "L" e o "R", e o processo é simples e funcional, nunca atrapalhando por mais no aperto que você esteja.
O outro fator que define a batalha é o "DMW", ou Digital Mind Wave. Esse é um fator totalmente externo que vai mudando conforme a história do game progride. Trata-se de uma roleta (como num caça-níquel) que roda durante todos os conflitos do jogo com números e rostos dos coadjuvantes do jogo, cada número (1 a 7) acertado confere um efeito único em Zack, sendo que se você acertar a seqüência 7-7-7 o protagonista sobe de nível. Vale lembrar também que se as roletas pararem com faces idênticas, Zack executará um de seus devastadores Limit Breaks, distinto pelas lembranças de seus amigos.
Falando assim parece ser totalmente complexo, certo? Mas não é. O sistema é totalmente aleatório (creio eu) e age indefinidamente de suas ações, como um elemento a mais. O que posso dizer é que ele funciona perfeitamente e passa toda aquela sensação de "sorte do campo de batalha", quando o sistema tira você das mais complicadas enrascadas. A dificuldade em si do game em geral é moderada, com exceção de algumas side-missions rotuladas como "very hard", mas até aí, se você escolhe esta, você que pediu. E tocando no assunto, as side-missions são missões totalmente a parte da história, criadas para que você possa jogar em curtos espaços de tempo. Estas geralmente significam "elimine certo tipo de inimigo", mas cumprem bem seu propósito.
Do ponto de vista áudio-visual, Crisis Core é simplesmente incrível e facilmente um dos jogos mais bonitos do PSP. Sabe o tão desejado remake de Final Fantasy VII? Pois jogar o game dá a sensação de poder ver um pedacinho dele, com alguns dos cenários mais clássicos do game refeitos em um padrão quase PlayStation 2 e sem perder nada do carisma. Isso sem contar as cutscenes do jogo que parecem remanescentes de alguns dos jogos mais bonitos da empresa, com uma arte e animação semelhantes a Kingdom Hearts. Os personagens se mostram sempre bem vivos, com expressões convincentes e que casam perfeito com a narrativa. Isso quando não falamos das cenas em CG, que parecem ter escapado diretamente do filme Advent Children, então, dispensam comentários.
Tudo isso é completado pela trilha sonora cativante, fortemente emotiva e, claro, nostálgica. E mesmo não sendo composta pelo mago Nobuo Uematsu, a trilha sonora do jogo capta cada um dos momentos sem problemas, às vezes com versões novas dos mais famosos arranjos do game de 1996, às vezes totalmente inédita, e não menos impressionante. A dublagem é totalmente responsável e de qualidade, casando com os sentimentos de cada um dos personagens. O destaque fica para o ator Rick Gomez que traz à tona todos os sentimentos mistos do heróico Zack.
Descobrindo a crise: Crisis Core: Final Fantasy VII quebra o tabu e se mostra o melhor RPG já lançado para o portátil da Sony, além de um dos jogos de maior padrão da plataforma, chegando a fazer você esquecer que na verdade está com um portátil em mãos. Com uma história altamente dramática e heróica, além de um sistema de batalhas totalmente amigável e divertido, o jogo responde algumas das perguntas mais pedidas do sétimo capítulo de Final Fantasy, mas com qualidade suficiente para atrair até mesmo novos fãs. Se você possui um PSP, faça este favor a si mesmo.