PRÓS
- Trama complexa e envolvente
- Altair é o cara
- Ezio também
- Ótimo multiplayer
- Constantinopla é sensacional
- Vale rejogar
- Fases em primeira pessoa são ótimas adições
- Ótima parte sonora e gráfica
- Eagle sense é muito mais útil do que o Eagle Eye
CONTRAS
- Den Defense é perda de tempo
- Série precisa de renovação
- Muita coisa nova, nem todas utéis
por Daniel Reininger
Assassin's Creed Revelations é o final das aventuras não apenas do carismático Ezio Auditore Da Firenze, mas também de Altair Ibn-La'Ahad. Por isso mesmo a Ubisoft quis fazer algo grandioso, como eles merecem. A companhia francesa investiu numa história complexa, com diversas tramas entrelaçadas, encarou o desafio de ter três protagonistas e melhorou praticamente tudo para marcar o game como o melhor da franquia até aqui. Pena que fundamentalmente é o mesmo jogo de dois anos atrás.
Veja bem, embora AC: Revelations seja ótimo, não espere por nada muito diferente do que já se viu na franquia até agora. Seu maior trunfo é, novamente, seu enredo, extremamente detalhado e complexo, que poderia facilmente cair no caos se estive nas mãos de um estúdio menos habilidoso. A maneira como cada personagem segue uma motivação própria e mesmo assim acabam com suas vidas entrelaçadas é algo que não se vê todo dia nos videogames.
Tudo começa quando o garçom da era contemporânea, Desmond Miles, cujas memórias dão vida às aventuras de Ezio e Altair, entra em coma no final de AC: Brotherhood. Para impedir que as lembranças de seus ancestrais acabem com sua consciência, seus companheiros assassinos o colocam no Animus, máquina que usa DNA para levar o usuário ao passado. Lá a consciência dele pode ser mantida a salvo, mas também permite que ele acesse memórias ainda mais profundas.
Em sua luta para retomar o controle de sua consciência, Desmond descobre que deve terminar a história de seus ancestrais para voltar ao normal. Ele retorna então à pele de Ezio, agora mais velho, atormentado pelos fantasmas do passado e do futuro e que decide seguir os passos do lendário Altair. A viagem acaba levando o assassino italiano até Constantinopla, no coração do Império Otomano, atrás de cinco chaves que abrirão a biblioteca do antigo castelo dos assassinos que vimos no primeiro game.
Só que nada é simples em Assassin’s Creed. A cidade está passando por uma transição de poder, o recém-deposto império bizantino ainda é uma ameaça, os Templários tem uma forte presença na região, os herdeiros do trono Otomano estão em disputa e um dos príncipes sofre uma tentativa de assassinato dentro do palácio. Em meio a tudo isso, Ezio descobre o amor com uma bela italiana chamada Sofia, e ainda segue de perto a história de Altair após os eventos de Assassin’s Creed, nos quais o colocam em confronto direto com a irmandade que ajudou a restaurar.
Além de tudo isso, temos Desmond lutando por sua vida. Ele faz isso mergulhando nos sistemas mais profundos do Animus em busca de sua própria identidade. E com ele temos os momentos mais inovadores do jogo, com puzzles ambientais em primeira pessoa em um cenário totalmente tecnológico que parece uma mistura entre o filme Tron e o jogo Portal. A jogabilidade é simples: é preciso construir blocos e pular pelos ambientes enquanto desvia de perigos cada vez mais complexos.
Diferentes e realmente divertidas, essas fases dão profundidade ao personagem e à trama, além de garantirem um entendimento maior da guerra milenar e também da vida do rapaz. Curiosamente, esse aspecto, que é um dos mais interessantes de Revelations, é totalmente opcional, já que a empresa ficou com medo da reação dos jogadores com uma mudança tão gigantesca no andamento. Mas vale a pena encontrar fragmentos de arquivos espalhados pelo animus e encarar o desafio.
Outra novidade é a Den Defense. Nesse modo é preciso proteger sua base, conquistada usando a mecânica para tomar torres introduzida em Brotherhood, de um ataque templário. Cada um desses locais, chamados Den, servem como base avançada dos Assassinos e quando Ezio chama muita atenção dos inimigos eles podem tentar retomá-las.
Aí você entra num modo separado, no melhor estilo Tower Defense, no qual é preciso posicionar assassinos nos prédios ao redor de uma rua para impedir o avanço inimigo. Com pontos de moral se compra soldados cada vez mais bem armados, barricadas e até chamar um bombardeio de canhões. No começo parece interessante, porém logo se torna cansativo e sem sentido, principalmente quando se percebe que após perder uma base é só matar imediatamente o capitão e retomá-la que tudo volta a ficar como antes. Perda de tempo total.
Fora essas duas novidades, a maneira de jogar é basicamente a mesma de Brotherhood com algumas melhorias. O combate é semelhante, porém com finalizações mais interessantes, as missões funcionam da mesma forma, com a vantagem de serem mais objetivas e sem muito lenga-lenga, e os controles são similares. Sem dúvida a maior mudança é referente aos botões, que agora dão acesso mais fácil às bombas, facas e outros equipamentos, oferecendo mais opções e permitindo um controle maior.
Outra mudança crucial é a introdução do "Eagle Sense", mais avançado e útil do que o "Eagle Eye”. Os sentidos aguçados do assassino passaram a mostrar o caminho seguido pelos inimigos, detectar oponentes mesmo em meio à fumaça e permitir a identificação de alvos e itens em meio à paisagem da cidade ou das masmorras.
Claro que não podemos deixar de falar das bombas. As belezinhas explosivas adicionadas em Brotherhood foram expandidas em Revelations, proporcionando mais flexibilidade tática. São três tipos de artefatos: de dano, de distração e de confusão – nem preciso explicar o que cada uma faz, não é? A criação delas é bem simples, você encontra ingredientes pela cidade e as monta como quiser com efeitos diferentes. Em geral poucas receitas são realmente úteis, no meu caso a de fumaça e a de estilhaços foram as preferidas.
Talvez o mais importante de tudo seja a capacidade de Revelations manter imersão da série com maestria e faz isso com uma enorme qualidade audiovisual. Os gráficos melhoraram em relação à Brotherhood, provavelmente levando a engine ao limite, de forma a garantir uma visão linda de Constantinopla e suas torres, da antiga Catedral Hagia Sofia, do mercado, da Torre Gálata. A animação dos personagens também está ótima e os rostos mais vivos. Para completar, dublagens espetaculares, barulhos típicos de uma cidade grande da época, repleta de pessoas, embarcações, se misturam ao som do vento e do mar para criar um ambiente realista da cidade de Istambul no século XVI.
Não é só isso, para a alegria de muitos, caçar e ser caçado no modo online está mais divertido do que nunca graças a sua jogabilidade aprimorada. Encontrar seu alvo está mais fácil, existem bônus por ser furtivo ou eficiente e penalidades por ser descuidado. Os modos Wanted e Deathmatch garantem uma experiência similar a da campanha com a necessidade de espreitar sua presa. Já Artifact Assault é mais correria, com um time contra o outro tentando roubar e proteger artefatos. A adição de uma trama por trás do modo online garante ainda mais imersão e um pouco mais de informações sobre a maligna corporação Abstergo.
Sem inovar, mas ainda capaz de evoluir, Assassin’s Creed Revelations fecha de forma espetacular a história de um dos personagens mais interessantes já criados para os videogames, Ezio, e faz isso amarrando as histórias de três grandes protagonistas. Apesar da jogabilidade ser bastante similar aos dois anteriores, algumas novas adições não funcionarem tão bem quanto a Ubisoft gostaria, e estar claro que a franquia mostra sinais de cansaço, o game é realmente grandioso e merece ser experimentado, principalmente pelos fãs da saga.