PRÓS
- Os poderes do anel são ótimos e variados
- A ação é boa
- Jogar no modo cooperativo vale a pena
- A dublagem é boa
- Legendas em português
CONTRAS
- Bugs chatos
- É repetitivo, fato
- As fases de voo são dispensáveis
- É curto demais
- Faltam extras além dos trailers
Por Daniel Reininger
Lanterna Verde chega esta semana aos cinemas brasileiros e é claro que a Warner achou uma ótima ideia fazer um jogo baseado no filme, como já virou costume. Afinal, a maioria das pessoas raramente para e pensa se o tal game será bom ou não, apenas o compram no embalo e depois acabam se decepcionando. Aliás, raramente um título com super-heróis, principalmente baseado em um longa-metragem, não é caso para ir direto para o lixo. Curiosamente Green Lantern: Rise of the Manhunters é uma dessas raridades que se salvam.
Não caia no erro de pensar que digo que esse jogo é ótimo ou que é comparável a Batman: Arkham Asylum, um ícone entre os jogos de super-heróis, pois não é o caso. Apenas digo que Green Lantern é um jogo que não decepciona (ainda mais quando você já o coloca em seu videogame sem esperar muito), tem uma jogabilidade decente e chega até a empolgar em alguns momentos.
É curioso perceber como games baseados em filmes, principalmente de super-heróis, parecem querer copiar o estilo de jogo de God of War para tentar alcançar o mínimo de sucesso. Oras, nem todo game de ação precisa ser daquele jeito e nem deveriam. Na verdade GoW funciona por que é GoW. Green Lantern, assim como Thor antes dele, cai no mesmo erro, tenta copiar o que deu certo, mas sem o brilho e genialidade que conhecemos na série de Kratos. Não que a jogabilidade seja ruim, não é, ,porém é algo padrão, direto, reto e que se mostra bastante repetitivo depois de algumas fases.
O grande lance de Green Lantern é o poder do anel. Não é fácil simular as inúmeras possibilidades que o artefato, alimentado pela força de vontade do usuário, pode oferecer. É impressionante ver que um título como esse consiga fazer esse sistema funcionar com combos inteligentes e divertidas armas especiais que podem ser desbloqueadas ao longo da campanha. Com objetos que vão desde um simples taco de beisebol até um mecha, o herói é divertido de controlar e possui uma boa diversidade de movimentos durante o combate.
Sobre a história, não há muito para falar na realidade, é uma aventura paralela ao filme, sem profundidade alguma, que apenas serve para justificar o herói do longa-metragem sair por aí espancando inimigos. A situação é basicamente a seguinte: os Lanternas Verdes, uma força que mantém a paz no universo, são atacados pelos protetores originais da galáxia - os robóticos Manhunters – que retornam em busca de um poder secreto. É aí que o protetor do Setor 2814, Hal Jordan, o humano do grupo e um dos sobreviventes do ataque, se vê obrigado a salvar as coisas. Simples, mas o suficiente para justificar a pancadaria.
O game apresenta 10 fases, na maioria delas você encara seus inimigos a pé, criando todo tipo de objeto com seu anel, como metralhadoras, mechs e até um jato, com forte influência do citado God of War. Em algumas outras, no entanto, você literalmente voa por um caminho pré-definido matando inimigos até chegar ao destino, o problema é que essas são mais entediantes do que divertidas.
No chão, que é quando a ação vale a pena mesmo, a câmera fica fixa e permite que você se mova livremente pela tela. Combos, agarrões, golpes especiais, tudo isso está lá. Quando você cria um objeto (como é divertido fazer isso!) é preciso tomar cuidado para não ficar sem energia verde, pois ela pode fazer falta em momento críticos. Ou não.
Na verdade tudo é bastante fácil em qualquer dificuldade e ficar sem a energia verde não é tão problemático assim para os jogadores mais experientes. Os puzzles também são simples, mas mesmo assim é bom saber que eles estão lá, mesmo que não apresentem um real desafio para qualquer pessoa com mais de 10 anos de idade acostumada com videogames.
Não tome isso como um grave problema, pois se considerarmos que Green Lantern é um jogo curto, que mais vale como passatempo e não como título hardcore para os fanáticos, a tranquilidade para passar pelas fases é muito bem-vinda e cabe bem ao seu estilo. No final das contas o seu formato garante diversão e quase nenhuma frustração. Bem, a menos que os bugs te tirem do sério.
Esse é de fato o maior problema. Os bugs estão em todo lugar: telas travam, você fica preso em partes do game sem que a tela te “libere” para continuar em frente, entre outros. Isso é um efeito colateral presente na maioria dos jogos baseado em filmes, que com uma data fixa para serem lançados, obrigam o estúdio, no caso a Double Helix de Sillent Hill Homecoming, a correr com a produção para terminar tudo a tempo e da melhor forma possível. Isso fica claro em 99% dos títulos baseados em obras para a telona e é verdade também aqui.
A vantagem, porém, é fazer uso dos recursos cinematográficos, como as vozes e rostos dos personagens do filme. O ator Ryan Reynolds, o mesmo que interpreta o protagonista na telona, torna o game mais convincente com uma dublagem decente o suficiente. Fica claro que o cara realmente levou a sério fazer a voz de Hal Jordan no jogo. Pena que a música passa despercebida, um problema presente também no filme.
Os gráficos são razoáveis, parecem mais bonitos do que são durante as cenas em computação gráfica, mas em geral ficam na média. O jogo em si tem texturas de baixa qualidade e animações medianas, tudo sem imaginação, simples e repetitivo, principalmente em relação aos cenários. Um pouco mais de variedade nos ambientes e inimigos e essa nota aí em cima poderia aumentar.
Um bom jeito de fazer tudo ficar melhor é jogar cooperativamente com um amigo, esposa, namorada, irmão, etc. A ação desenfreada e relaxante fica muito agradável quando encarada com uma pessoa ao seu lado. Socar os inimigos e limpar a tela com uma velocidade avassaladora é gratificante. O seu amigo toma o controle de Sinestro (aquele mesmo), mas o melhor de tudo é que o segundo jogador pode entrar e sair da partida a qualquer momento, sem atrapalhar a campanha. Isso é um recurso que, em minha opinião, deveria estar presente em todo jogo com funcionalidade co-op, pois compartilhar a pancadaria com alguém, mesmo que por alguns momentos, garante a diversão sempre.
Green Lantern: Rise of the Manhunters é melhor do que se podia imaginar. Não desaponta demais em nenhum momento e consegue divertir. Curto e sem muito incentivo para jogá-lo novamente, é um bom título para passar o tempo e bater em caras maus. A parte técnica é razoável o suficiente para não assustar ninguém e a jogabilidade é comum, mas com alguns detalhes interessantes proporcionados pelo anel. Para os fãs do herói da DC Comics é um título praticamente obrigatório, seja no dia mais claro ou na noite mais densa.