PRÓS
- Belos cenários da Terra-Média
- Muitas opções de armas e equipamentos
- Controles simples
- Combate com comandos sólidos
- Área técnica de qualidade
CONTRAS
- Lutas repetitivas
- Inteligência artificial fraca
- Dificuldade para encontrar jogos no multiplayer
- Dificuldade técnicas no multiplayer
- Protagonistas sem personalidade
- Sistema de Save automático pode frustrar
por Daniel Reininger
Gostar da trilogia Senhor dos Anéis é meio caminho andado para se interessar por War in the North, o novo jogo da Snowblind, estúdio do ótimo Baldur's Gate: Dark Alliance. O RPG de ação, primeiro jogo da série feito para adultos, chega para aproveitar a onda do próximo filme da série, O Hobbit, e mostra um pouco mais da Terra Média e da Guerra do anel, o que juntos já fazem o dia de qualquer fã de Tolkien. Ainda assim, falta um pouco de tempero nessa receita clássica, como você descobrirá nos próximos parágrafos.
Para começar, o enredo não tem nada de mais. De volta à Terra-média, o game se passa ao mesmo tempo em que Frodo faz sua viagem com o Um Anel até Mordor, mas o hobbit nem aparece. No lugar dele, as estrelas são três personagens: Andriel de Rivendell, Eradan dos Dunedain rangers e Farin, Anão de Erebor. O grupo nascido da aliança entre elfos, humanos e anões recebe ordens de Aragorn, futuro membro da Sociedade do Anel, para investir contra o servo de Sauron no norte, Agandaur. Trama básica, porém o suficiente para justificar a pancadaria.
A jornada leva o jogador, ou jogadores no caso de partidas cooperativas, por cenários grandiosos e icônicos da Terra-média, como as Montanhas Nebulosas, a perigosa cordilheira que corta o continente e cujas rajadas de vento e neve assolam seus picos escarpados dificultando a caminhada através de suas estreitas e sinuosas passagens. Os belos gráficos ajudam nessa empreitada, criando ambientes fieis aos dos filmes.
Por mais que os cenários sejam de tirar o fôlego, o jogo já começa falhando no ponto em que os livros de J.R.R. Tolkien e os filmes de Peter Jackson se superam: desenvolvimento de personagens. Quem não se emocionou com a queda de Gandalf? Ou com a morte de Boromir que deu sua vida para tentar salvar, em vão, Merry e Pippin? Isso não acontece em War in the North. É quase impossível se afeiçoar a qualquer personagem, pois falta personalidade, background e motivações reais, afinal “Aragorn mandou” não é o bastante. A única exceção talvez seja a águia gigante Beleram, salva pelo grupo no começo do jogo, e olhe lá.
A jogabilidade é básica e sólida com comandos bem simples e elementos de RPG básicos que não vão assustar, nem empolgar, ninguém. O combate procura mesclar armas à distância e de corpo a corpo oferecendo opções táticas para qualquer situação, não importa qual personagem você escolha, mas é claro que o Ranger é mais habilidoso com o arco, enquanto o combate corporal é especialidade do Anão.
A própria mecânica muda conforme a arma. Um arco implica em uma visão travada, mais próxima e com uma mira, estilão shooter. Com uma espada, a câmera se afasta e funciona como um típico game de ação, com golpes rápidos ou fortes. Combos e finalizações também fazem parte e recompensam os jogadores com finais sanguinolentos. É exatamente nesse aspecto que War in the North se destaca, já que pela primeira vez um game inspirado no universo de Tolkien ganha classificação M – para adultos – nos Estados Unidos.
Cada personagem possui habilidades especiais especificas que evoluem conforme eles sobem de nível. Certamente a melhor de todas é a possibilidade de chamar a grande águia Belaram, citada acima, para mergulhar sobre seus inimigos e fazer com que se arrependam de terem nascido. Entre as específicas para cada classe estão: a possibilidade de alvejar múltiplos inimigos, dar golpes mais pesados, conjurar magias de proteção, oferecer bônus de moral, entre outras. Subir de nível é bem simples, basta aumentar seus stats básicos, como força e destreza, e escolher a skill. Mais moleza impossível.
Infelizmente as batalhas se tornam repetitivas muito rapidamente, sempre começando com o seu grupo preso em uma área pequena e o obrigado a enfrentar hordas intermináveis de inimigos antes de poder seguir adiante. Às vezes defesas fixas, como balistas, complicam um pouco as coisas, porém uma vez tomadas podem ser voltadas contra os próprios Orcs, o que é divertido, mas depois da décima quinta vez começa a encher a paciência.
A experiência melhora muito no modo multiplayer cooperativo, já que a A.I. de seus companheiros no modo single-player é patética, sem falar que é impossível dar ordens a eles, ou arrumar seus equipamentos. Por isso mesmo que fazer a campanha com outras duas pessoas deixa tudo mais interessante, organizado e aumenta a expectativa de vida, já que sempre tem alguém protegendo às suas costas.
O problema é que jogar online não é tão fácil assim, pois simplesmente não se encontra partidas. Somente após centenas de tentativas consegui o primeiro parceiro para jogar co-op no PC, o que é brochante. Difícil pensar que o problema seja falta de jogadores disponíveis, afinal estamos falando de Senhor dos Anéis, mas, seja qual for o problema, desanima demais. Sem falar em erros técnicos que também irritam.
Sem assumir riscos, The Lord of the Rings: War in the North é um bom jogo, cujos maiores méritos são o de mostrar outra história do período da Guerra do Anel e fazer um jogo voltado para o público adulto. O visual parecido com o dos filmes faz tudo ficar familiar e agrada aos fãs da franquia, entretanto personagens sem graça, combates repetitivos e pouca recompensa a cada obstáculo ultrapassado são enormes pedras no caminho do sucesso.
A cópia de War in the North utilizada nesta análise foi cortesia na loja online Xogo. Obrigado pessoal!