PRÓS
Mecânicas do jogo retornam melhores
Ação divertida
Multiplayer duradouro
Customização de armas
CONTRAS
Alguns problemas nos controles
Campanha muito curta
Enredo praticamente nulo
Army of Two (o primeiro), em sua época, não era um dos diamantes mais polidos, mas sabia divertir. O que não faltava no jogo era criatividade para até onde vai jogabilidade cooperativa, mas parece que pressa e a falta de cuidado impediram o jogo de brilhar o tanto que ele poderia. The 40th Day vem então na forma de uma lição aprendida. Divertido, irreverente e fácil de acompanhar, falamos de um verdadeiro shooter para se divertir nas férias com seus amigos, o que não quer dizer que ele também não tenha seus tropeços.
Quem acompanhou o primeiro jogo, nem que apenas seus primeiros momentos, vai notar o quanto Salem e Rios, os dois infames protagonistas, voltaram mais cinematográficos que antes. A abertura é uma série de jogos de câmera inteligentes que mostram a cidade de Shanghai sendo bombardeada. A mensagem? Puro caos. E se você for ver, a palavra representa muito bem o jogo, ou pelo menos seu clima. Você se encontra em uma cidade que aos poucos é levada a total ruína, mas o jogo nunca se dá o trabalho de construir uma narrativa decente. Aos poucos você resolve não ligar mesmo para nada e simplesmente se concentra nos infelizes que tentam dar cabo da sua vida.
Assim você entra no jogo. Até onde vão mecânicas e jogabilidade o jogo se mostra bastante similar ao seu irmãos mais velho, apenas muito mais lapidado. O que dita as regras ainda é o Aggro, a habilidade surgida da cooperação entre você e seu companheiro. Ela funciona basicamente assim: Seu companheiro chama atenção dos soldados inimigos com fogo cruzado, enquanto isso você pode fazer o que bem entender que ninguém te enxerga, e vice-versa. Embora irreal em alguns momentos, é divertido chamar a atenção de diversas formas para que seu parceiro possa chegar por trás daquele espertinho que não sai da metralhadora montada.
Claro que Army of Two: The 40th Day adiciona um temperinho extra na receita, sobretudo com a aparição de civis e reféns durante o campo de batalha, induzindo aquela clássica mudança no tom: Será que eu vou, ataco e consigo acertar o soldado antes que ele machuque o refém, ou seria mais seguro dar a volta por trás e acabar com tudo silenciosamente? O jogo tenta fazer como InFamous, cobrando uma posição moral do jogador, mostrando o destino que suas ações abrem, este nem sempre imediato, às vezes muitos dias depois. Claro que, como já sabemos, o forte dos nossos amigos da EA Montreal não é contar história, logo, poucos realmente se sentirão presos por tais consequências.
O que te interessa neste caso é que a ação merece parabéns. Cooperar com seu parceiro aos poucos parece que fica automático, você salta de uma cobertura, troca de armas com ele, chama a atenção dos inimigos e depois parte para o ataque em questão de segundos. Os momentos especiais em dupla (geralmente cenas de ação diferenciadas que não vamos acabar com a graça contando) não são mais uma bagunça repleta de mortes como no primeiro jogo. A dificuldade em seu modo natural é bastante gradual, dando o trabalho apenas naqueles inimigos que claramente foram feitos para servir de muro aos jogadores.
E ainda que atestei pela fluência da jogabilidade e a forma como você comanda Salem ou Rios, não posso deixar de comentar a falta de noção que é mapear o botão "X" no PS3 ou "A" no X360 com inúmeras ações que vão desde correr, tomar cobertura e saltar obstáculos, é simplesmente confuso e coloca você em diversas situações de risco desnecessárias. Sei que falei que a dificuldade não te dá trabalho, mas nenhum inimigo chega a ser idiota a ponto de ver o jogador saltando obstáculos que nem bobo e não atirar.
Visualmente e, digamos, até mesmo artisticamente, o jogo evoluiu bastante, aprendendo a arte das sutilezas com Uncharted, Resident Evil 5 e outros grandes do gênero. Ainda não é um jogo que deixará você de queixo caído, mas a forma como você se locomove por Shangai e o jeito como o mundo a sua volta vai deteriorando, prédios vão caindo e o povo vai ficando em pânico, é bastante palpável e deixa claro o sentimento do jogo na mente do jogador: uma correria pela sobrevivência. A trilha sonora poderia ser mais inspirada, mas você ainda pode se contentar com linhas e linhas de diálogos cômicos entre os dois heróis.
The 40th Day conta também com o problema de terminar rápido, seis horas bastam para você dar um fim a campanha principal, esteja jogando com um parceiro na internet ou alguém dividindo o sofá. Isto não quer dizer que você tenha pouco a fazer. Só de poder customizar suas armas aos mínimos detalhes, experimentando com tudo, desde garrafas de soda (isto mesmo) até lançadores de granadas, já mantém os mais empolgados por horas a fio. O multiplayer, sempre em uma variação do team deathmatch, também diverte bastante, colocando você e um parceiro para sobreviver entre outras duplas, seja em dominação de território ou simples tiroteio. É surpreendentemente agradável e poderia ser mais caso houvesse menos lag. Vale lembrar que um novo modo multiplayer será liberado em breve, já que por enquanto ele é exclusivo daqueles que encomendaram o jogo com antecedência.
Durando bem mais que um mês: Army of Two: The 40th Day é um prato cheio não apenas para o amante dos bons e velhos shooters, mas também para qualquer um esteja em busca de uma boa ação, acima de tudo, cooperativa, claro. O jogo pegou de volta todos os elementos que ele lançou ao ar em sua estréia (que, aliás, inspiraram vários pontos fortes de renomados como Resident Evil 5) e eleva ao cubo. Claro que, a maioria dos jogos tem seus tropeços e nem vou comentar da tentativa de enredo deste, mas no fim o que interessa é que ele proporciona bons momentos, cooperação como poucos conseguem e tudo sem perder o bom humor.