PRÓS
Sistema de batalha simples e detalhado
Enredo divertido de acompanhar
Jogabilidade variada
Muitos extras
Jogar com o Coringa (versão PS3)
Dublagem de primeira
CONTRAS
Poderia haver mais lutas contra os vilões
Modo detetive poderia ser limitado
Vou confessar uma coisa: Jogos como este, no caso, Batman: Arkham Asylum, são aquele tipo de experiência que você aproveita cada segundo e, em contra partida, digo que já não é tão divertido de escrever sobre, afinal, só saem elogios. Enquanto isso, com aqueles jogos fatídicos que temos de enfrentar (cof - Infernal - cof!) e que são uma verdadeira tortura para qualquer ser, acontece justamente o contrário, você se diverte mais escrevendo - ou seja, nada é perfeito. Pois é... Quem disse que é fácil ser crítico no mundo dos jogos?
Mas vamos ao que interessa: o novo jogo do morcegão. Como já acabei com o mistério lá em cima, partimos para o enredo. Este começa com nosso clássico palhaço Coringa sendo capturado e, claro, nosso sempre paranóico Batman suspeitando que as coisas estavam fáceis demais. É quando ele finalmente o entrega para o cárcere do fúnebre Sanatório Arkham que as suspeitas se confirmam. O vilão se liberta e não só escapa para os cantos escuros do sanatório, como já tinha todo um plano arquitetado para colocar toda Gotham City a sua mercê.
Assim, você parte para a ação, entrando na pele de Batman já durante um combate. O jogo explica sem muita cerimônia o que se deve fazer para não levar um safanão dos muitos capangas que aparecem. Sua primeira impressão será aquele típico "Uau", se claro, você já não o fez durante os minutos iniciais de apresentação. Sim, tudo é bonito, você repara que cada canto do velho edifício é único, com suas marcas de umidade, rachaduras no azulejo e até marcas de unha dos pacientes mais exaltados.
Mas você não pode parar para ficar observando, pelo menos não no primeiro momento, porque os capangas não são os típicos pseudo-vilões que só esperam para serem subjugados, não mesmo, eles esperam e atacam no melhor momento, quando Batman parece desprevenido. A questão é, desde quando Batman fica desprevenido? Assim, o jogo ensina você a utilizar o botão de contra-ataque que, frente a uma investida de qualquer ser, faz com que Batman revide com um lindo golpe de jujutsu (isto mesmo, não jiu-jitsu). Você descobre como combinar contra-ataques a ataques e vice-versa, de quebra conferindo como a animação para os combates é realista e bela.
Só que na realidade, apesar de todo o poderio marcial do super-herói, conforme você adentra os corredores, os capangas ficam ainda mais agressivos. Falo de canos, metralhadoras e artilharia pesada, coisas que, a menos que você nunca tenha lido um dos quadrinhos, ou visto os filmes, saberá que derrubam o morcego como qualquer outro ser humano. Nestas horas, leia-se, quando nove palhacinhos (apelido carinhoso para capangas do Coringa) surgem fortemente armados, a sua maior arma é o próprio ambiente. Sim, àqueles que sempre sonharam em cair do teto em cima de um maltrapilho, chegou a sua hora.
Batman pode se pendurar por uma variedade de construções, que vão desde simples pilares até os gárgulas que adornam o sanatório. De lá, meu amigo, é só espalhar o terror nos corações dos bandidos. Sério, poucas coisas são tão "Batman". Você pode descer de ponta cabeça, neutralizar um capanga e deixá-lo pendurado para que outro o encontre e fique ainda mais apavorado. É interessante ver como cada ação surte em um efeito. Aos poucos, os inimigos vão ficando mais cautelosos, andam em dupla e os mais desesperados até mesmo atiram para o nada quando um mínimo barulho é feito. As oportunidades apenas vão aumentando conforme você domina mais acessórios e técnicas, e acredite, nada é difícil - incorporar algo novo é tão fácil quanto atirar um batarang na metralhadora de um inimigo.
Claro que não é sempre que nosso super-herói bombadão está em vantagem, afinal, existem aqueles que comandam os patéticos capangas, super-vilões e, Arkham, no caso, é o lugar para onde uma porção deles foi enviada após seus vários encontros com Batman. Triste é que, ao mesmo tempo em que gostaria de descrever a grandeza dos embates contra os super-vilões, encontrar um pela frente em si já é uma das surpresas do jogo, logo, eu estaria estragando sua primeira impressão.
Basta você saber então que todos os vilões são retratados como se tivessem saído diretamente dos quadrinhos, dos trejeitos até a entonação da voz. A estrela incontestável é Mark Hamill (Luke Skywalker em Star Wars) que, como sempre, acerta naquele tom insano único que rapidamente coloca o Coringa em nossas cabeças.
Mas o jogo não é só combates, fique sabendo. Batman também carrega o título de maior detetive do mundo e, assim, você em inúmeras vezes deve usar o cuidadoso "modo detetive", no qual Batman aciona seu visor ultra tecnológico para identificar materiais, enxergar através de paredes, visualizar lasers e até checar os batimentos cardíacos de seus inimigos.
Os quebra-cabeças fluem naturalmente e mantêm você sempre interessado, aliás, dá para dizer isso do jogo todo, que surpreende vocês até com seus extras: 240 enigmas de exploração e raciocínio (doados por nosso querido vilão Charada) que destravam os divertidos "challenge maps", nos quais você terá que utilizar todas as habilidades de Batman para sobreviver. Os que optaram pela versão PlayStation 3 poderão jogar com o próprio Coringa, que aparece exclusivamente como personagem jogável no console da Sony, com direito a fases e habilidade totalmente diferentes do morcegão.
Escrito estes dez parágrafos, eu pergunto: O que escrever de ruim do jogo? É realmente difícil. Mesmo suas decepções são em partes superficiais, como, por exemplo, o fato de você poder acionar o "modo detetive" a qualquer momento, o que deixa tudo mais fácil (lembra que eu disse que você enxerga através das paredes?). Esse modo, de quebra, substitui o visual belíssimo, com jogos de luz e sombras dignos dos quadrinhos mais realistas, por um preto e branco digno de câmeras de seguranças. Só isto mesmo. Também daria para dizer que poderia haver mais lutas contra os super-vilões, mas até aí, dá para culpar o pessoal da Rocksteady? Eles precisam de vilões para uma possível sequência.
Santa competência: Batman: Arkham Asylum impressiona, não importa o lado pelo qual você o observa. Visual estupendo? Combates realistas e satisfatórios? Uma enredo que te prende do início ao fim? Este é o verdadeiro batarang na cara daqueles que duvidaram da capacidade da novata Rocksteady. É também a prova de que jogos de super-heróis podem ser sim tão bons quanto um Metal Gear Solid ou um Gears of War, visto com compromisso e dedicação.