PRÓS
Os primeiros dez minutos de jogo
Combate brutal e satisfatório
Visual fora do comum
Brigas lendárias contra os chefes
Variedade de armas à disposição
Final surpreendente
CONTRAS
Falta variação, mas quem se importa?
Violência em doses cavalares, gráficos estupendos e toda aquela raiva típica do careca espartano. Em meio a tantos pontos marcantes, o que brilha acima de tudo em God of War III é a direção - o elo entre tudo que transforma o lançamento da Sony em não apenas um altamente envolvente jogo de ação, mas também um caprichado e divertido filme para qualquer um que esteja dividindo o recinto com você. Sim, a coisa é poderosa.
Sem necessidade de fazer mistérios com a grandiosa aventura final de Kratos (até parece), afinal, todo mundo já tinha idéia de que a coisa seria boa. O que me resta é especificar o quão bom o jogo ficou e, acredite, nós do GameStart nunca economizamos palavras, seja para um Infernal da vida, ou um Mass Effect 2.
Como todos os jogos que fizeram Kratos famoso, este também abre com uma sequência que tem como único objetivo tirar todo e qualquer resquício de oxigênio dos pulmões do jogador. Consegue? Pode apostar. A briga começa onde parou God of War II, leia-se, com nosso espartano preferido nas costas da gigantesca titã Gaia enquanto ela e seus irmão escalam o lendário e inacessível Monte Olimpo.
Nada, sim, eu disse nada, te prepara para o que vem com esta cena. Fica difícil não contar e estragar a surpresa, mas veja se você consegue imaginar. O Olimpo, a comando de Zeus, libera todo seu exército contra os invasores e o caos explode verticalmente. Você, ou melhor, Kratos é apenas uma pulga nas costas dos titãs e a batalha ocorre assim mesmo, enquanto os titãs travam suas próprias batalhas, você lida com bestas mitológicas em suas costas. O mundo treme, ângulos sobem e descem e muito sangue jorra, conforme a direção ilustra perfeitamente a escala e a proporção da encrenca na qual você se meteu. Chamas cobrem os céus, árvores se partem e rochas são esmagadas no que se prova ser uma das melhores aberturas já concebidas. Sim, deixe-me lembrar, são apenas os primeiros 10 minutos de jogos.
Claro que estes primeiros minutos são algo único, não importa a mídia que estejamos tratando, mas o resto do jogo também nunca perde o pique. Em geral dá para dizer que esta aventura é algo ainda mais direto e ainda mais violento que as anteriores. Você nunca para de se movimentar, encontrar lugares novos, descobrir novos movimentos e, claro, experimentá-los em novos inimigos. Como se a ordem toda fosse "elevem a experiência God of War ao máximo", você faz tudo que já fez no passado, mas de uma forma única, mais bela e muito mais exagerada.
Veja pelos inimigos, muito mais detalhados, eles vêm em montes nunca antes imaginados e testam estratégias que você muitas vezes não espera, é quando você começa a abusar das novas habilidades de Kratos, entre elas, um das minhas preferidas: o movimento no qual Kratos usa um inimigo de escudo e corre contra o monte derrubando tudo que ficar em seu caminho. A jogabilidade é, como de costume, fácil e simples de se acostumar, ainda mais neste, no qual trocar entre as quatro armas de Kratos é simples como o toque de um dos direcionais. Até os contra-ataques, nos quais você tinha que bloquear no momento exato do ataque inimigo, necessita menos precisão.
Decisão esta que reflete claramente o foco na porradaria desenfreada que o jogo assumiu, nada contra claro, afinal dá para dizer que é a primeira vez que Kratos empunha armas suficientemente interessantes para substituir momentaneamente as confiáveis Blades of Exile (pois é, o nome mudou, de novo). Dizer isto não é dizer que você não terá quebra-cabeças pela frente, pois terá sim, apenas não o suficiente para fazê-lo empacar como alguns de God of War e God of War 2. Só não fique decepcionado, pois não há motivo, a compensação vem em duas formas: Enquanto não muitos, os quebra-cabeças desta aventura são inteligentes e ressaltam aquela sensação de êxito. Em segundo, novamente exaltando a direção soberba, os quebra-cabeças normalmente são integrados diretamente com a ação de forma que o jogo nunca pausa para você relaxar e pensar em outro título. Por exemplo, você segue neste ritmo furioso (às vezes até demais) derrubando deus por deus até chegar ao final, que retoma todo o fervor dos primeiros minutos do jogo.
Aproveitando então que citei deuses e fúria extrema de Kratos, devo dizer duas coisas antes de partir para o tão esperado parágrafo sobre o visual. Enfrentar os deuses é simplesmente autêntico. É, sei que você não esperava esta palavra, mas é a que melhor se encaixa. Autêntico porque, veja bem, até agora, enquanto Kratos tenha sofrido até que bastante, ele sempre conseguiu dar um jeito de vencer seus inimigos exibindo certa vantagem. O mesmo não acontece contra os deuses do Olimpo. Enfrentar cada um deles satisfaz porque, ao mesmo tempo em que tais te desafiam (só bobear que acabam com sua vida), eles não falham em passar toda a imponência das figuras mitológicas das quais crescemos ouvindo histórias.
Já em relação a fúria de Kratos, é que por muito tempo durante o jogo tudo que ele faz é odiar e odiar. Não que não estejamos acostumados a isso, mas para uma jornada tão longa, você começa a se perguntar se o personagem não sente outras coisas além do furor básico. Isto teria decepcionado, se o jogo não aproveitasse seu "capítulo final" para dar vida a um Kratos totalmente único e diferenciado, com sentimentos que o jogador nunca espera. Compensa a espera e eleva a narrativa a um patamar que poucos jogos de ação chegam a atingir.
Claro que tudo isto que já escrevi tem um impacto muito mais forte no jogador quando visto. Mera imaginação não consegue transpor o quanto a cooperação entre o visual e a trilha sonora exorbitante faz da ação do jogo algo difícil de resistir. Os cenários são realmente pinturas tridimensionais que os ângulos de câmera exploram das formas mais inteligentes, às vezes chegando frente a frente com o inimigo para fixar na mente o tamanho da grotesca figura que você está para enfrentar, outras se posicionando longe, deixando a imensidão do monte Olimpo dizer por si só, ou mesmo a meia distância, para manter aquela sensação misteriosa de nunca saber o que virá a seguir.
O próprio anti-herói do jogo é um atestado do capricho visual que o jogo exibe. O personagem parece vivo frente aos seus olhos, com músculos que se flexionam e sentem o peso de todo o combate, conforme Kratos se pendura pelo pescoço do gigantesco Cerberus e tenta enforcá-lo como se este fosse uma pequena galinha. Os inimigos, sejam deuses, bestas mitológicas ou mesmos os titãs, são igualmente caprichados, inclusive as formas violentas nas quais eles encontram seu fim. Já vou adiantando, o jogo não é para os fracos de coração, nessa jornada eu vi intestinos sendo puxados como cordas, nervos oculares de ciclopes estourando, asas arrancadas em pleno ar, chifres quebrados nas próprias mãos apenas para serem usados como arma e.... bom, isto apenas na primeira hora de jogo. Pense nas outras dez.
Derrubando os portões do monte Olimpo: God of War III é sem dúvida o melhor jogo já lançado estrelado pelo espartano carrancudo. Divertido e desafiante em cada um dos seus segundos sangrentos, a "última aventura" de Kratos (já falei que duvido disso?) pode não ser tão diverso quanto seus antecessores, mas é também uma aventura que não esfria e mantém o jogador grudado até seus momentos finais, quando o conto termina de uma forma que poucos imaginam. Do visual creio que nem preciso mais comentar, não é mesmo? Então, seja lá qual videogame você possuir, de um jeito de colocar as mãos nesse jogo. Não há como se arrepender.