PRÓS
Combate impressionante e brutal
Trilha sonora casa com a ação
Design bastante interessante
Gráficos bem trabalhados
CONTRAS
Sequências horríveis de plataforma
Dificuldade desequilibrada
Sistema de câmera ocasionalmente falha
Não é de hoje que protagonistas, seja de jogos, filmes ou desenhos, ficam famosos por seus cortes de cabelos - estes às vezes esdrúxulos, às vezes estiloso, vai de seu gosto. A questão é que Afro, o samurai que encabeça o conto de Afro Samurai, que facilmente será lembrado entre as centenas de samurais que já pisaram no campo da mídia. Agora, e o jogo dele? Sim, é divertido, mas provavelmente não compartilhará do destino.
Seguindo a história estipulada pelo anime, o nome chique para os desenhos japoneses, você entra na pele do solitário Afro na busca da vingança contra o assassino de seu pai. É o básico conto de vingança: Você já viu ele acontecendo no velho oeste, no Japão antigo, na era medieval e numa série de outras ambientações, a diferença aqui é como ela é apresentada. Isto Afro Samurai faz direitinho.
O jogo é violento, bastante mesmo. Durante a ação, que começa simples na base de clássicos como Devil May Cry e Ninja Gaiden, você atravessa os cenários retalhando os inimigos como preferir. A violência estilizada é bastante chamativa e carismática, os inimigos são dilacerados como bonecos, espalhando muito sangue e entranhas que jorram pelos cenários. Em geral, tanto as seqüências de ações iniciais, quanto as mais avançadas, impressionam em tomadas e ângulos, assim como quando você aciona o chamado "Focus", que diminui a velocidade e favorece movimentos altamente calculados.
A arte em si exibida durante todo o decorrer da aventura é algo para se tirar o chapéu. Não falamos de um jogo que simplesmente se limita ao clássico cell-shading, não mesmo, ele mistura uma iluminação diferenciada à suas cores aquareladas e texturas palpáveis. O resultado, somado aos muitos efeitos visuais da aventura, dá um toque todo único ao jogo e seu visual. As coisas ficam ainda mais empolgantes quando você percebe como a trilha sonora casa com toda a impressão gráfica, mantendo um hip-hop agradável, que não irritaria nem o mais roxo dos metaleiros.
Mas então você pergunta: "Porque o jogo não é memorável se este tem tantos elementos de qualidade?"
A resposta é bem simples, o jogo funciona apenas durante as seqüências de ação. Quando você não está dilacerando capangas e seus chefes, você está correndo, saltando por plataformas e até andando por paredes, só que nada disso é implementado como deveria, resultando em partes dispensáveis, tediosas e frustrantes. Ah, sim, estas também são longas. E a coisa atinge o fundo quando você dá de frente com a dificuldade desequilibrada de alguns vilões que acabam com você facilmente, mandando o jogo de volta para um checkpoint. Este, pela decisão infeliz de algum membro da equipe, fica antes da pior seção de pulos e plataformas do jogo todo. Pois bem, assim que fica difícil engolir.
Já que estamos reclamando, é melhor também avisar da câmera que, enquanto que quase sempre competente, tende a empacar nos mínimos elementos da tela, justamente quando não pode empacar: durante horas que você pode morrer facilmente para os inimigos. Se você também não faz nada da vida e busca a compra de jogos que gastem bastante o seu tempo, vale a pena considerar que Afro Samurai terminará em menos de sete horas nas mãos dos jogadores de fácil adaptação.
Depois de se vingar: Afro Samurai é um jogo de altos e baixos. Seus altos são realmente consistentes (bom, você leu, eu presumo), mas seus baixos não deixam este encontrar um lugar junto dos clássicos do gênero. Se você estiver com dinheiro sobrando (cuidado com a crise) e acha que consegue superar os momentos de frustração, vá fundo, porque, durante os combates, o jogo realmente brilha. Caso contrário, não deixe de dar aquela clássica alugada.