PRÓS
Jogabilidade refinada
Mais realista
Dá para jogar como o goleiro
Hinos das torcidas
CONTRAS
Seleção brasileira Genérica
Faltam times brasileiros
Carrer Mode com visual confuso
Por Daniel Reininger
Depois de FIFA 10, que revolucionou a série de futebol da Electronic Arts e a transformou em referência para os jogos do estilo com suas mudanças em design, jogabilidade e em quase todos os seus aspectos, a EA preferiu não arriscar e fazer apenas pequenas alterações no novo título da franquia. Mantendo o padrão com o qual estamos acostumados, claro.
Sim, as novidades estão lá, mas não são tão aparentes como no 10. O jogo está ainda mais realista e rápido, não tanto quanto FIFA World Cup 2010 é verdade, mas ainda assim está veloz o suficiente. O toque de bola está mais preciso e variado, assim como os chutes, que são diferentes de acordo com as habilidades e características de cada jogador. Pode ter certeza que raramente você verá toques e chutes exatamente iguais ao longo de uma partida. Outro aspecto interessante é o contato entre os atletas, que sempre estão brigando pela bola ou espaços no campo. Eles se empurram, fazem jogo de corpo, tudo isso com uma física realmente convincente. Já mencionei que está bastante realista? Então, é porque está.
Dessa vez, e mais do que nunca, o pensamento tático é favorecido. Ou seja, se você gosta de sair correndo e atacar seu oponente de qualquer jeito, pode tirar seu cavalinho da chuva, pois será simplesmente inútil. O próprio ato de fazer gols está mais difícil. Agora pensar é crucial. Porém, meu amigo, não adianta querer armar aquela jogada elaborada com um zagueiro de menor habilidade, pois ele vai ter muita dificuldade, enquanto o astro e capa do jogo, Kaká, faria tudo com leveza e tranquilidade.
Isso tudo acima é reflexo de uma melhoria crucial do novo jogo da EA Sports, o Personality Plus. Um sistema que personaliza o jogador em todos os seus aspectos. Seus atributos, habilidades e estrutura corporal são únicos agora. Ou seja, cada personagem tem sua própria forma de correr, driblar, tocar, chutar e até a estrutura corporal é diferente, fazendo qualquer um ser reconhecido não importa a distância. Afinal, o futebol é feito de pessoas diferentes.
E, falando de um dos trunfos do novo título, nada mais diferente do que o goleiro. Antes, apenas 10 jogadores podiam entrar em campo por time, enquanto o goleiro era controlado pela inteligência artificial. Isso mudou. Agora todos podem ser controlados por pessoas, seja no modo online ou off-line. Gosta de ser o camisa um? Eis sua chance. A visão pode não agradar muito, pois é em terceira pessoa atrás do gol, nada vantajoso, mas o ato de defender em si é realmente divertido e desafiador. No modo multiplayer, o qual foi ampliado e melhorado, isso fica ainda melhor.
No quesito gráfico, o jogo é definitivamente bonito, claro que bastante semelhante à versão anterior, então se você procura revolução, está no lugar errado. Os jogadores, principalmente aqueles que atuam na Europa, têm representações decentes e alguns são até mesmo parecidos com suas contrapartes reais. O som, por sua vez, está muito envolvente, a narração é boa, mas o que pega mesmo são os cantos das torcidas, que, inclusive, você pode personalizar. Não tem como não se empolgar e não querer ir para cima do oponente ao ouvir os cantos de guerra de seu time do coração, se ele fizer parte do jogo.
Este, aliás, é um dos maiores problema de FIFA 11, assim como de seu antecessor: a falta de times brasileiros licenciados. Muitos ficaram de fora novamente, pois a EA não fechou os contatos a tempo. Isso já é quase uma constante, infelizmente. O que piora nessa versão é o fato da seleção brasileira também ter ficado sem a licença por culpa da CBF. Assim temos apenas um Brasil genérico na tela de seleções. Triste, para dizer o mínimo.
Esses times, por sinal, podem entrar em campo em diversas modalidades: jogos de exibição, ligas, campeonatos, torneios completamente customizáveis e o modo carreira, talvez o ponto principal para muitos gamers. Dessa vez, ele é uma mistura do Be-a-Pro e Manager das versões anteriores, mas com uma nova apresentação, que pretende ser mais simples, mas é meio confuso, para ser sincero. Todavia, para não me chamarem de chato, preciso admitir que há boas adições, como um calendário.
O interessante mesmo é que nesse modo você pode controlar, ao longo de 15 anos, qualquer jogador em campo (menos na versão PC, na qual não é possível ser o goleiro) ser o treinador, ou os dois ao mesmo tempo, e essa é a grande graça. Claro, nada muito inovador, apenas uma junção do que já conhecíamos, mas ainda assim é bom ter opções para variar sem precisar começar outra do zero.
Enfim, FIFA 11 é o melhor da série até o momento. Traz melhorias sutis, recicla tudo aquilo que funcionou nas versões anteriores, mas também procura melhorar seus pontos fracos. O realismo está maior, assim como a garantia de horas diversão, com ainda mais opções dentro e fora do campo. O sistema Personality Plus certamente veio para ficar, pois ajuda a entregar um futebol mais refinado aos fãs. A falta de clubes brasileiros, inclusive a seleção nacional, é triste, mas a possibilidade de jogar como goleiro compensa em parte. Sem dúvida vale a pena trocar o 10 pelo 11, pois dificilmente alguém que goste de futebol vai ficar desapontado.