PRÓS
A trilha sonora
CONTRAS
Design ultrapassado
Gráficos sem acabamento
Inteligência artificial estúpida
Ausência de modo multiplayer
A idéia de lançar um Call of Duty diferente para o PlayStation 2 até que foi nobre, já que o veterano não consegue mais acompanhar a atualidade, nada mais justo. Também gostei do fato da Activision escalar os ingleses da Rebellion Studios para o título. Esse pessoal já havia feito um ótimo trabalho com Rogue Tropper para PS2 e a excelente versão PSP do jogo de faroeste GUN.
Dado tal portfólio, é de se imaginar que o estúdio desenvolvedor conta com certa maestria quando o assunto é tiroteio e gráficos elaborados. Isso é tudo que você precisa para a versão PS2 de World at War, chamada Call of Duty: World at War - Final Fronts. O futuro parecia promissor, mas tudo desaba conforme você inicia o jogo.
Para começo de conversa, você se pergunta: "Que gráficos são esses?" Sim, Final Fronts consegue ser um jogo feio, e não por ser velho, mas por falhar no design, perdendo feio para as versões anteriores da franquia lançadas para PS2. É tudo muito embaçado, borrado e mal construído. O cenário parece uma sucessão de quadrados, com texturas tentando enfeitar. Certeza que isso vem dos mesmos caras responsáveis por Rogue Tropper?
As apresentações dos campos de batalha são sensacionais. Como sempre, a franquia utiliza vídeos e filmagens da época para situar você na correria que foi a Segunda Grande Guerra. É bom, o jogo se torna muito mais emocionante com elas, mas há quem diga que já encheu e eu não tiro a razão destes. O problema está no tema "Segunda Guerra" ou na forma como esta é explorada. Acaba sendo mais do mesmo e o sentimento apenas aflora conforme você começa a jogar de verdade, e repara que são as mesmas armas de sempre.
Na versão PC, PlayStation 3 e Xbox 360 o sentimento é amenizado, dado os objetivos diferenciados, mas nessa versão PlayStation 2, acontece o contrário. Além das armas de sempre, você faz o mesmo que sempre fez pela maioria dos jogos da série até Modern Warfare reinventar a fórmula. Ou seja: metralhar inimigos com metralhadoras montadas, armar explosivos em canhões antiaéreos, destruir tanques de guerra com lança-mísseis e, claro, enfrentar uma orgia de inimigos que não param de aparecer até que você chegue em certo ponto da fase.
Para piorar (mais ainda), a inteligência artificial do jogo, seja dos seus amigos ou inimigos, é deprimente. As coisas que acontecem são hilárias, quando você não ri por encontrar uma tropa inimiga inteira de costas para você, acaba rindo por morrer durante um tiroteio que parecia sob controle até que um camarada do seu grupo passar correndo e te empurrar para a linha de fogo. Rir para não chorar. E como o jogo não oferece nenhum tipo de multiplayer para distraí-lo da pobreza conceitual, você está confinado a estes defeitos e tropeços pelas próximas dez horas. Tente não arremessar longe o DVD.
Então, o que sobra? Bom, os controles até que funcionam direitinho, mas com inimigos patetas e objetivos que cansam antes mesmo de serem completados, do que ele adianta? Devo dizer também que a trilha sonora também é boa, mas só ela, excluindo os efeitos de tiros e outras coisas deprimentes, como os gritos estranhos dos soldados inimigos ou mesmo a explosão das granadas, que parecem mais bexiguinhas de gás em fúria.
Então, se você ainda está ponderando se vale a pena ou não gastar seu salário, sua mesada, ou seja como for que obtém seus fundos, com esta lástima, a resposta é não. Não mesmo. Até jogar a versão PC de World at War no mínimo é mais digno do que encarar a deficiente versão PlayStation 2 do jogo. Bom, você foi avisado.