PRÓS
Trilha sonora do filme
Jogar com o massivo urso Lorek
CONTRAS
Gráficos mal trabalhados
Desafio tedioso
Enredo praticamente inexistente
E lá vamos nós de novo com uma análise de um game baseado em uma obra cinematográfica, que por si só já é baseada em uma obra literária. Quais as chances do game realmente valer a pena? Mínimas, como de costume, mas ainda assim, meu dever é avaliá-lo para os possíveis seguidores do nome Golden Compass que estejam planejando encarar o game. Sem mais demoras, então, vamos ao que interessa.
A história trata de uma garota chamada Lyra Belacqua, que busca salvar seu indefeso amigo Roger de seqüestradores míticos conhecidos como Gobblers. Ela, entretanto, não está sozinha e conta com seu inesperado companheiro chamado Pan, um ser mágico que, por acaso, é a manifestação física da alma de Lyra, além de um robusto urso branco chamado Lorek. Ela ainda possui o instrumento que dá nome ao jogo, filme e livro, a Bússula de Ouro, que pode responder a qualquer pergunta feita.
Se por acaso você se perdeu por algum instante, não espere que a história do game ajude tudo a fazer sentido, porque ela não vai. É correto afirmar que os poucos e breves trechos do filme dos cinemas servem apenas ao bom e velho marketing. Se por acaso você quer mais da história, bem, o filme está aí para isso. Melhor ainda se você resolver ler o livro escrito por Philip Pullman, mas isso já é outra história.
A jogabilidade de Golden Compass é abismal e mergulhada em mediocridade. Para aqueles que tiveram a chance de jogar The Chronicles of Narnia em sua época, bem, o game faz uso de algumas das idéias apresentadas lá, mas, por mais irônico que possa ser, este utiliza justamente as idéias mais pífias, começando pela exploração totalmente vaga, sem cérebro e eternamente longa. Os desafios também não são realmente os mais elaborados, resumindo-se em coisas como limpar o chão de sua embarcação, se esconder por cômodos ou arremessar bolas de neve.
Claro que o game tem sim boas sacadas, como os muitos diálogos em que Lyra deverá enganar outros personagens, ou o combate contra certos chefes de área. Só que o problema é que estes se apóiam inteiramente em seqüências de comandos, simplesmente a tendência mais martelada do mundo dos videogames atualmente. Então, caso você não esteja realmente a fim de imaginar, sim, enche e muito o saco. E para ninguém dizer que não foi avisado, você ainda poderá jogar com o grandalhão Lorek massacrando botões por hordas e hordas de inimigos. Não é o tipo de coisa que adiciona algo à experiência, mas serve para dar uma respirada no desafio quase sempre óbvio.
O visual de Golden Compass nem de longe faz jus à cinematográfica e o que era para ser cenários exóticos e arquiteturas elaboradas se transforma em grandes espaços abertos e uma infinidade de texturas pobres e de baixa definição. A animação dos personagens não é das piores, mas também não faz nada que mereça ser citado. Em geral o visual traduz com perfeição o objetivo único e final do game: Uma tentativa rápida, certeira e barata de se conseguir uma boa grana com a estréia da obra cinematográfica. Patético, sem dúvidas, mas a realidade da maioria dos games do gênero.
Sendo assim, a parte sonora mais do que esperadamente reutiliza a trilha do filme, o que se imagina que deixa pouco espaço para erro, porém, não. A trilha sonora quase sempre entra em momentos nada interessantes e não serve para nada além de lembrar-te que o game poderia ter sido bem melhor, talvez como o filme. Já o trabalho de voz dos personagens não é tão expressivo quanto no filme e ainda assim, digamos, compõe a melhor parte do áudio.
Respondendo a todas as perguntas: Golden Compass é aquela adaptação do cinema que você espera. Alguns trechos do filme aqui, desafio banal por ali e nada ao todo que chegue a fazer o título parecer um game real. Terminantemente recomendado apenas para os fãs mais determinados da franquia e, mesmo assim, não estou tão certo que mesmo estes encontrem algo realmente aproveitável.