PRÓS
O jogo eleva o tiroteio um nível cinemático nunca visto antes
Extremamente imersivo
Construção de uma atmosfera de horror extremamente competente
Detalhamento soberbo, fumaça, luz, explosões, dão a impressão que podem ser sentidas
Melhor áudio dos últimos tempos
CONTRAS
Jogo pesado, muito pesado
Cenários às vezes parecem reciclados
Personagens plásticos
Já fazem mais de dez anos desde sua criação e há quem diga que o espírito do estilo já se perdeu há muito tempo atrás. Claro que estamos falando dos polêmicos e constantes FPS ( first person shooters ) que a cada dia mais inunda o mercado de games. Porém, diferente do que a maior parte gosta de dizer, nem sempre esse gênero pode ser classificado como mais do mesmo ou repetitivo, clássicos como Chronicles of Riddick, Half-Life 2 e agora, claro, F.E.A.R., estão aí para provar a tese.
Como você já deve ter ouvido por aí, a proposta da nova cria da Monolith Soft é juntar todo o horror visto em filmes e jogos como The Ring e Silent Hill ao mais frenético e realista tiroteio já visto na história dos jogos. Se ela teve ou não sucesso total, você confere a seguir. Por enquanto, falemos da história.
É difícil falar do enredo desse jogo sem acabar revelando algo que possa tirar nem que seja um pouco da graça de sua jogatina posteriormente, então prometo ser bem cuidadoso. Ela conta a história do mais novo agente da First Encounter Assault Recon, ou seja, você, que deverá atrapalhar os planos do comandante militar Paxton Fettel, que em sua insanidade, toma controle de um super exército de clones e sai ao ataque de uma cidade americana em busca de algo misterioso.
É claro que não é só isso, através do jogo todo, o enredo de F.E.A.R. se torna mais e mais complexo até chegar ao seu final, igualmente complexo, que lhe garantirá um bom tempo pensando em tudo que você viu. Uma bela de uma recompensa após tensas horas em frente ao seu monitor.
Atirar em F.E.A.R. é algo diferente. Diferente mesmo. Dificilmente um jogo chegara tão perto da sensação de realmente estar atirando como F.E.A.R. chega. As armas são igualmente poderosas e causam um estrago considerável seja qual forem o cenário, todas com seus devidos impactos. Balas atravessam madeira, arrancam pedaços do concreto, nuvens de fumaça tomam o ambiente, cinzas são carregadas pelo ar e destroços lotam os chãos - e isso é só o começo.
Diferente da maioria dos jogos em que depois do meio da história, pistolas e armas iniciais se tornam praticamente inúteis, neste, como na vida real, toda arma é destrutiva.
E melhor do que vê-las em ação, é contemplar como afetam os cenários com maestria. A qualidade é tanta quando se troca tiros com seus inimigos e derivados, que você não vai mais querer parar. A AI de seus atacantes também está muito acima do nível, de fato ela provavelmente é a melhor que já deu as caras em um FPS. Os inimigos combinam táticas, conversam entre si, se arrastam e se escondem através do cenários. Eles reagem ao som, à luz de sua lanterna e farão de tudo para encurralá-lo com granadas ou com tiros em conjunto.
Para apimentar as coisas ainda mais, esqueça essa de ter uma vida muito maior da que de seus oponentes. No jogo da Monolith Soft, eles possuem as mesmas armas que você, eles tiram o mesmo dano que você. Claro que ao longo do jogo serão encontrados muitos health packs para recuperar sua vida, sendo que podem ser armazenados até dez desses para serem usados na hora que você quiser. Ainda assim, uma hora ou outra, eles vão acabar te pegando. Para isso, o jogo conta com o excelente sistema de checkpoint que rapidamente o levará de volta para o último ponto seguro do jogo.
E para não dizer que suas chances são poucas, você conta com seus reflexos avançados. O nome que é dado ao bullet time do jogo, que baixa a velocidade das ações deste por alguns momentos, dando mais precisão a seus movimentos. Essas horas se tornam shows à parte do show principal que é o tiroteio do jogo. Com tudo em câmera lenta, você presencia as balas cortando o ar em pequenos vórtices ou as cápsulas destas em erupção das armas em sua trajetória até o solo. Fora isso, você também pode depender dos chutes que o personagem possui que impressionam mesmo acionados nos momentos mais desesperados.
Claro que o jogo não é feito só de tiros. Como já dito antes, F.E.A.R. é baseado em alguns dos melhores filmes e jogos de horror já produzidos, fazendo de tudo para provar seu valor, então, pode ir esperando todos os famosos truques cinematográficos como flashes e aparições fantasmagóricas.
Não que estes sejam exatamente originais, mas de forma alguma eles deixam de funcionar no jogo, muito pelo contrário. O game também se faz extremamente competente na criação de uma atmosfera de suspense, onde você se sente observado a cada segundo, sentimento que é reforçado com a aparição de vultos às vezes quase imperceptíveis e sons que rondam o cenário.
Toda essa atmosfera, combinada aos sustos e ao dramático e difícil combate do jogo podem fazer desta até uma experiência um tanto emocionalmente exaustiva.
Graficamente, F.E.A.R. perde para uma porção de FPS que vemos por aí, seus ambientes não são dos mais variados e possuem um toque meio "genérico", os modelos humanos também não são dos mais desenvolvidos, parecendo bonecos de plásticos. Só que onde F.E.A.R. perde em contagem de polígonos, ele compensa com seus espetaculares efeitos de partículas e excelente uso de luz e sombra para criar um dos melhores ambientes de horror já vistos em um game. É claro que o preço por tudo isso é bem caro, ou seja, em máquinas menos potentes, o jogo se torna praticamente impossível de se jogar e mesmo se ajustada às configurações para menor desempenho, o jogo acaba perdendo grande parte de sua imersão e clima.
O som de F.E.A.R. beira a perfeição. De verdade, sem puxar o saco nem nada do tipo. É como se o jogo brincasse com seus sentidos utilizando o máximo dos efeitos sonoros, bem como Silent Hill da Konami. É impossível não se ver paranóico enquanto anda pelos corredores escuros e se ouve vultos passando próximo a você, ou passos e objetos se movendo.
Dificilmente você não virará de uma esquina para outra, ou olhará para trás já pronto para explodir qualquer coisa que possivelmente estaria vindo. O mesmo pode ser dito dos combates, onde você tem a impressão de poder ouvir cada pequeno detalhe destes, desde cacos de vidro acertando o chão, as explosões de cada cápsula das balas e até a carne de seus inimigos sendo perfurada por estas.
A atuação de voz também não desaponta, serão muitas as chances que você terá para ouvir os soldados clones conversando sobre os últimos acontecimentos, ou os programas de rádio contando a situação caótica da cidade. Essa é uma das coisas mais legais do jogo, principalmente por passar uma impressão verdadeira de que tudo está fora de controle.
Como todo bom jogo atual, este também possui um modo multiplayer com todas as opções que você deve conhecer, incluindo os clássicos deathmatch solo, sua versão team e o capture the flag. Ainda que estes sejam interessantes por algum tempo, logo eles caem na banalidade, porque F.E.A.R., diferente de alguns de seus concorrentes, não se centra tanto na jogatina multiplayer, deixando a maior parte da diversão estritamente para a jornada principal, que deve durar um pouco mais de dez horas.
Colocando um ponto final, quando você pensar em F.E.A.R., pense em um dos jogos mais imersivos, atmosféricos e intensos que você poderá jogar, essa é a realidade. Uma combinação perfeita entre ação e horror. Um jogo que o deixará tenso em um momento só para assustar no outro, com o melhor combate com armas já criado para um FPS até hoje. Fã ou não de FPS e horror, todos deveriam pelo menos dar uma olhada na obra prima da Monolith Soft, que facilmente entra para a história como um dos jogos que levaram o gênero um nível adiante.