PRÓS
- Bela ambientação
- Ótimo enredo
- Bom sistema de investigação
- Quando sai da mesmice impressiona
- Belos gráficos
- Captura facial impressionante
- Dublagem genial
- Ótima trilha sonora
CONTRAS
- Repetitivo
- Dá menos liberdade
- Falta modo multiplayer
- Não existem muitos motivos para rejogar
- Imersão é atrapalhada por elementos dispensáveis
- Rostos de atores repetidos para personagens diferentes incomoda
- Jogo deixa pular cenas de ação caso encontre dificuldades
Por Daniel Reininger
Após sete anos de mistério, a Rockstar, famosa por Grand Theft Auto e Red Dead Redemption, finalmente lança o seu tão esperado thriller de investigação criminal, L.A. Noire. Desenvolvido pela Team Bondi e inspirado em filmes Noir, reúne duas coisas que raramente aparecem nos videogames: investigação criminal e os Estados Unidos pós-guerra da década de 40. O título é diferente, uma experiência mais contemplativa, além de inovador e profundo, não tanto quanto prometia, mas sem dúvida, algo realmente grandioso, pelo menos no tamanho, ainda mais com tantos extras que acompanham essa versão.
Em L.A. Noire você é um detetive e sua missão é solucionar crimes, óbvio. O protagonista é Cole Phelps, um policial novato recentemente condecorado na Segunda Guerra Mundial. Seu começo é como guarda de rua, mas não se preocupe, pois Phelps mostra iniciativa resolvendo crimes praticamente sozinho e rapidamente encontra seu caminho para o sucesso.
Apesar de ser diferente de Grand Theft Auto, o mundo é aberto e o estilo Sandbox ainda está lá. É possível desviar das investigações e passear por aí. Porém, desta vez, a RockStar não oferece tantas possibilidades. Sair atropelando pedestres e destruindo a cidade não vale a pena, afinal você é um policial. Logo, a cada poste derrubado e veículo queimado seu caso é manchado com gastos que diminuem o seu nível de sucesso. Pelo menos ainda é possível “pegar emprestado” qualquer veículo da cidade, sair por aí e aproveitar a vista.
Falando nisso, é impressionante a atenção aos detalhes e a ambientação da cidade dos anjos em sua Era dourada. O game recria sua atmosfera, os edifícios e até os costumes de Los Angeles da década de 40. A imersão é completada com flashbacks e jornais com histórias sórdidas daquela década. Ainda melhor o fato do jogo não ter medo de mostrar a corrupção, tensão racial e outros temas complicados presentes no dia-a-dia americano.
A campanha é dividida em três partes e coloca Phelps na trilha de um serial killer, em meio a corrupção policial, drogas e fraude. Infelizmente ela é linear, o que não faz muito sentido para um jogo de investigação, mas pelo menos ela está repleta de side-quests que não influenciam a história, mas pelo menos propiciam alguma ação.
Embora em alguns momentos saia da mesmice e surpreenda, o sistema é o mesmo ao longo das 20 horas de jogo e nem preciso dizer o quanto isso é frustrante. Na maioria do tempo é fácil saber o que esperar. Cada caso é passado pelo oficial superior e cabe ao jogador visitar o local do crime, reunir pistas, tirar a verdade de suspeitos e informantes. Decepção. No PC pouco mudou, os extras ajudam um pouco a coisa, mas nada que salve o jogo e mude a experiência, ou seja, é muito mais do mesmo.
A cada pista, novos locais são liberados e ao final de tudo isso é hora de confrontar os suspeitos que, mesmo que você erre miseralvemente todas as perguntas do interrogatório e faça um papelão ridículo, digno de um filme da série Loucademia de Polícia, uma prisão está garantida, até se você achar que o suspeito é inocente. Esse é um lado muito ruim. Não importa o tamanho do mico que você pague diante de toda a polícia de Los Angeles em uma investigação, o jogo não te pune e a história simplesmente segue. Não espere desfechos diferentes como acontece em Heavy Rain.
Ao final de cada investigação, é exibido um resumo do desempenho do jogador, no qual é possível conferir a quantidade de pistas coletadas, respostas corretas e até o dano causado à cidade. Infelizmente, isso acaba por arruinar a imersão ao colocar sua investigação em números.
Uma questão interessante são os pontos de experiência, parte da recompensa oferecida a cada ação correta. Com eles o jogador será capaz de melhorar o seu rank, ganhar acesso a novas roupas e ter à sua disposição pontos de intuição extras, que lhe ajudam, e muito, naqueles momentos em que não sabe mais o que fazer diante de um mistério cabeludo.
Em geral a jogabilidade funciona bem, não existem muitos problemas para dirigir os carros, atirar, descobrir os próximos passos, todavia dá sim suas engasgadas. Principalmente nas cenas de perseguição a pé, artificial, com controles imprecisos e obstáculos que te travam sem o menor motivo. A pancadaria desarmada também deixa a desejar e a briga se resume a troca de socos, movimentos de defesa e finalizações bastante simples.
A falta do multiplayer cooperativo é outro aspecto negativo. Um modo online competitivo não faria o menor sentido, mas muitos esperavam participar, ao lado de um amigo no papel de seu parceiro, em casos online mais elaborados e diferentes dos da campanha. Mas a Team Bondi falhou e deixou o recurso de fora. Fail total! O único recurso online é uma espécie de ajuda dos universitários, no qual é possível pedir auxílio da comunidade da Rockstar para saber qual resposta é a certa em um interrogatório.
Outra coisa ignorada foi aquele empurrãozinho extra para fazer você querer jogar L.A. Noire mais de uma vez. A história não muda, a experiência é a mesma, e o incentivo fica apenas pela chance de melhorar o seu desempenho em cada uma das investigações e...só isso. Percebeu como é pouco?
Voltando ao lado bom do game, os gráficos são bonitos, é ótimo poder jogar em preto e branco se quiser, mas o espetáculo mesmo fica por conta das expressões faciais, realistas ao extremo, o que até causa certa estranheza. O título usa uma nova tecnologia de captura de movimentos e expressões faciais na qual é possível realmente ver o rosto do ator em todos os seus detalhes.
Sim, é genial e revolucionário, mas por um lado lembra o programa infantil Glub Glub, aquele que, se você tem mais de 20 anos, vai se lembrar de ter assistido na TV Cultura, no qual rostos de atores ficam enquadrados por corpos de bonecos de peixe, um macho interpretado por Carlos Mariano e uma fêmea, representado por Gisela Arantes. Não que isso seja ruim, mas fica artificial. Seja como for, o fato é que sem isso o jogo não seria o mesmo.
E é claro que um game desse tamanho e com a complexidade de LA. Noire sofre com alguns bugs pentelhos, nada alarmante, mas existem. O problema é que não é raro precisar resgatar o último Save Game para escapar deles.
Já a parte sonora é grandiosa. Destaque para a dublagem que rouba a cena. As vozes e o roteiro são sensacionais. A trilha sonora não fica atrás, é ótima, repleta de Jazz e músicas dos anos 40, com artistas como Elle Fitzgerald, Billy Holiday, e a parte instrumental típica de filmes do gênero, com o toque sensual e misterioso do trompete solitário. Certamente completa o clima Noir da produção.
Com novos extras que adicionam pouca (ou nenhuma) variedade, L.A. Noire é um jogo repleto de escorregões mas que ainda consegue ser bom e se destacar pela sua ambientação magnífica e execução cuidadosa. Poderia ser extremamente maçante, mas cada caso traz novidades que ajudam a manter o jogador curioso. Diferente tanto de Heavy Rain quanto de GTA, por ser mais engessado, oferece uma forma de narrativa que não estamos acostumados a ver nos videogames e esse é seu mérito. L.A. Noire arrisca e consegue criar uma experiência interessante, mas certamente não é aquilo que todos esperavam.