PRÓS
-- Visual sempre impressiona
-- Sensação de velocidade inigualável
-- Jogabilidade responsável
-- Estágios favorecem o replay
-- Trilha sonora nostálgica e bem composta
CONTRAS
-- Termina rápido, infelizmente
-- Jogo seria mais belo ainda se rodasse em 60fps
Por Rodrigo Brasiliense
Sim, a história já é velha: Jogos do Sonic não agradam nos dias de hoje. Mas alguém já parou para pensar o porquê? Os motivos são vários, muitos técnicos, diga-se de passagem, mas a realidade não é que os jogos são porcarias injogáveis, tampouco o fato Sonic divide demais a atenção com seus amigos. Pense direito: porque diabos isso estragaria um jogo?
O principal motivo é que em algum ponto de sua carreira, os jogos do porco-espinho passaram a ser voltados para um outro público, um pessoal mais novo que quase não pegou a geração encabeçada pelo Mega Drive e o Super Nintendo – automaticamente afastando àqueles que cresceram com o ícone da Sega, um pessoal que aprendeu a saltar plataformas com Mario em Mario 64. Houveram exceções, claro, mas em geral essa falta de direcionamento é o que derrubava Sonic de seus trajetos, o aclamado Sonic Team ficava entre a inovação, a facilidade e conquista de novos jogadores: Não dava certo.
Assim, precisou chegar ao aniversário de 20 anos do herói azulado para cair a ficha – a meta de Sonic Generations é apenas uma, a diversão. Quando o jogo diverte, não importa o público, não importa a perspectiva, todos vão querer para para ver, e é o que aconteceu mais de uma vez enquanto eu estava jogando o título aqui na redação.
O enredo não complica. Ele começa em dois períodos de tempo. Antes com o primeiro Sonic, aquele mais gordinho e mudo que habitou o Mega Drive, presenciando seu mundo sendo sugado por um buraco negro, depois com o Sonic moderno, cheio de atitude e amigos, comemorando seu aniversário, quando o mesmo vilão abre um portal que, além de sumir com seus companheiros, parece congelar o fluxo do tempo.
Assim, ambos os Sonics, do passado e o moderno, se veem obrigado a revezar por uma seleção de fases que é uma verdadeira homenagem aos capítulos da vida do porco-espinho, e a Sega é honesta ao ponto de abordar até os capítulos mais vergonhosos, na certeza de que desta vez eles ressurgiriam com qualidade. Isso tudo já resume a jogabilidade, nos estágios clássicos, você atravessa em alta velocidade um mundo 2D, porém decorado com o mais belo 3D, que resgata a arquitetura icônica dos jogos da franquia durante os 16 Bits, quando o “super processamento” pegou o mundo todo de surpresa.
Já nos estágios modernos, é o Sonic falante que entra em ação, mostrando como a perspectiva tridimensional, quando bem aplicada como em Sonic Collors ou nas fases de dia de Sonic Unleashed, fazem bem à saúde também. Sério, não estou exagerando quando digo que poucos jogos conseguem reproduzir desta forma o prazer de se cortar o mundo em alta velocidade com o chamado sonic boost (herdado de Sonic Rush). Dá para notar que os desenvolvedores tiveram como foco principal o controle do herói e suas manobras, impedindo que você voe por abismos na menor das curvas como em muitos dos jogos passados, ou mesmo quando se vai pular entre os famosos “grinds” da era Dreamcast. Tudo funciona perfeitamente e, melhor, a variedade de elementos e caminhos, reforça, tanto o estilo próprio do jogador, quanto o replay na busca daquele melhor tempo.
Chega a ser engraçado como pouca coisa pode ser realmente colocada como uma reclamação ao falar de Sonic Generations e, ironicamente, o maior ponto fraco do jogo é justamente não haver mais dele. São nove mundos, até aí não há problema, um tamanho justo, porém, você só enfrenta quatro chefes de área (lembra quando era um por estágio?) e o pior de tudo, não existe as clássica coloridas, psicodélicas, giratórias, irritantes, infelizes, fases especiais para obter as esmeraldas – não, estas são ganhas como parte do enredo, o que é da certa dor no coração de qualquer fã de Sonic que se preze.
E enquanto visual e som nunca foram motivos reais de reclamação para com a franquia, é suficiente dizer que aparente beleza do jogo não se trata apenas de tecnologia, mas a forma que ela reconstrói e conta a história de Sonic e suas várias aventuras, apelando para a nostalgia, mas sem pesar demais, deixando a mensagem subliminar que um futuro ainda mais brilhante está para vir (será mesmo? Tomara), quase como um reboot.
Dá para dizer o mesmo da trilha sonora: São dois remixes de cada uma das clássicas músicas que compuseram a história dos jogos, uma para as fases do Sonic antigo e outra para as versão moderna e, também ressaltando todo o sentimento Sonic de ser, conforme você completa os inúmeros desafios, combates contra os chefes, lutas contra rivais (que vão de Metal Sonic ao icônico Shadow The Hedgehog da era Dreamcast), você libera mais músicas, que pode deixar durante qualquer uma das fases.
Em geral, tudo que envolve escolhas artísticas ficou de parabéns, do já comentado visual renovado das fases até o mapa geral pelo qual você escolhe estas. Os mínimos detalhes falam alto, coisas como os mundos voltando a vida após você completar cada estágio, ou a forma como a música de fundo troca conforme a área que você navega, deixa tudo natural, mas diferenciado de qualquer outro jogo que possa ter uma temática parecida.
Dando luz a uma nova geração: Acredite, é muito bom ver o retorno de uma direção certeira para as aventuras super-velozes de Sonic. Porque idéias boas o time sempre teve, entre as inúmeras confusões, claro, mas faltava alguém que comandasse um refinamento e filtrasse qualquer fator negativo. Aparentemente esta pessoa é Takashi Iizuka, o cara que vem produzindo os últimos jogos da franquia que acompanham o mesmo nível de qualidade deste.
Em poucas palavras, isto significa que sim, é seguro comprar o novo jogo do Sonic, tenha você conhecido o ícone da Sega há 20 anos, ou há 20 minutos (isto existe?), não tem como se arrepender. No mais, feliz aniversário, Sonic.