PRÓS
- Jogabilidade clássica está lá
- Pagando tudo fica melhor
- É divertido, principalmente dentro das missões
- Design interessante do game
CONTRAS
- Gráficos fracos
- Inteligência artificial medonha
- Mecânica tem algumas falhas
- O uso da capital poderia ser expandido
- Jogar de graça é frustrante
- O lado social...existe...
Por Daniel Reininger
Foram seis anos de silêncio desde o lançamento do último Age of Empires. Quando a "malvada" Microsoft fechou o estúdio que criou a série, a Ensemble, após o fracasso de Halo Wars, o mundo tremeu com a possibilidade do amado game ser abandonado para sempre. Não foi, e finalmente a espera acabou, mas o conceito mudou muito com o Age of Empires Online, a ponto de ficar quase irreconhecível, mas essa é só a primeira impressão.
Para começar, AoE Online é um jogo de estratégia gratuito com elementos de MMO e uma campanha com foco na história. Como você já deve ter percebido pelas imagens e comentários, a Microsoft decidiu fazer algo mais colorido e alegre (e online) do que os anteriores. Deixou de lado aspectos que conhecemos e fizeram a franquia famosa, como o realismo e a brutalidade, para agradar a um público mais casual, e partiram para interações sociais e um visual cartunesco. Seria essa mudança uma heresia?
Você tem todo o direito de pensar que sim, e para alguns dos fãs mais intolerantes talvez seja impossível encarar a novidade sem se revoltar. No entanto, a verdade é que ao passar algum tempo com o título percebe-se que o visual alegre e fofo esconde aspectos mais complexos, como árvores de tecnologia e combates interessantes que podem agradar também a esses caras mais durões.
O game faz uma boa mistura de elementos típicos dos MMOs, como níveis, itens e missões aleatórias, com os de estratégia em tempo real, como construir um exército, administrar recursos e destruir seus inimigos, unindo os pontos mais viciantes de ambos. Tudo isso, por incrível que pareça, casa direitinho e, passando o preconceito inicial, percebe-se que constroem um bom jogo que não foge do gênero que ajudou a definir, o RTS.
Não espere uma ação explosiva desde o início, pois Age of Empires Online começa devagar, obrigando o jogador a subir de nível com várias missões básicas e tutoriais antes da coisa engrenar. Quando isso acontece tudo fica bem familiar e divertido. No início (também lento) da maioria das missões você tem alguns aldeões para coletar recursos e uma unidade de escolta. A estratégia fica então muito similar ao que sempre foi: pegue recursos, avance a era, construa estruturas, crie um exército e ataque.
A escolha das quests é uma simples questão de encontrar trabalhos em sua capital e selecionar as opções disponíveis no mapa da região. A capital em si representa o poder central de seu império e funciona como um personagem comum de um MMO quando em uma cidade. Você equipa suas tropas, libera novas habilidades, cria itens, pega missões, visita lojas e vários outros edifícios que impactam o seu exército. Só que o funcionamento da cidade é bem simples e pouco interessante e,pior, não importa o que você faça, nada causa um grande efeito na hora da batalha em si, nem no desenvolvimento da sua civilização como um todo. O que é um pouco frustrante.
É durante uma missão que é possível matar mesmo a vontade de jogar um novo Age of Empires. Diferente, é verdade, mas ainda o jogo que conhecemos, no qual tudo pode dar errado de uma hora para outra: seus postos de recursos podem ser atacados quando se protegia do outro lado, sua evolução para a próxima era pode não adiantar de nada quando uma tropa invade sua base, etc.. Ou seja, todos aqueles detalhes que dão a fama à franquia e nos fazem felizes estão presentes. É mais fácil do que deveria sim, porém manter tudo funcionando pode se mostrar bastante complexo, como no passado.
Pena que a inteligência artificial não seja das mais brilhantes. Mandar uma unidade andar e atacar implica nelas atacarem a unidade mais próxima, sem prioridade alguma, diferentemente do que acontece em jogos como Starcraft, no qual as unidades procuram concentrar seu fogo na unidade de maior perigo a elas. Achar o caminho entre dois pontos também é um parto. Claro que estamos falando de um jogo online que receberá milhares de atualizações para corrigir cada detalhe, e essa é a sua grande vantagem, mas nesse momento a A.I. não está boa e não adianta espernear.
Copiando FarmVille (medo!), os ciclos de produção dependem da sua entrada diária para contar a adição de itens em sua conta. Isso nos leva a outro grave problema, a falta de espaço de armazenamento. É preciso reorganizar o espaço para guardar seus itens quase constantemente, jogar coisas uteis fora e usar habilidades simplesmente para gastá-las. Se você é um dos que está jogando de graça então, coitado.
O que nos leva a uma pergunta: é possível jogar Age of Empires Online sem gastar um tostão? Sim, é possível, mas não espere ir tão bem quanto poderia em outros jogos Free to Play, que reconhecem o comprometimento do jogador. A longo prazo o jogador da versão grátis vai ficar defasado, sem a possibilidade de jogar contra outros players, sem certas unidades que fazem a diferença (ou simplesmente são legais), com uma tech tree básica, ou seja, opções limitadas para tudo. O motivo disso? AoE Online não é um jogo Free to Play de verdade, ele é um game que deixa você jogar de graça também. Algo como uma demonstração eterna, mas com possibilidades de interação com outros jogadores.
O lance social, por sua vez, está em visitar a cidade de seu amigo, interagir com ela e também jogar determinadas quests cooperativamente, o que é divertido, mas não necessário. Em teoria nem valer a pena vale, pois o jogo não dá incentivos reais para isso. Ainda por cima, como vemos em outros MMOs, se a diferença de nível entre os aliados for grande, o de maior level não ganhará recompensa alguma e nem receberá um mísero aviso de que a missão foi concluída para poder, pelo menos, comemorar. Para o público de RTS isso é frustrante. Pelo menos, jogar no PVP mantém o game vivo por muito tempo e é um lado “social” que agradará os mais competitivos.
Talvez o maior problema do título, principalmente para os fãs antigos, seja o visual. No entanto, a arte é bem bonita e pelo menos hoje em dia (e para mim) faz muito sentido ver Age of Empires com um visual mais leve...não precisava ser tão leve, a ponto de flores nasceram no local da morte de algumas unidades, mas ainda assim, este não é o problema real dos gráficos. Embora a arte seja interessante (obviamente não vai agradar a todos), as animações e as texturas em si são mal feitas. Faltam detalhes e tudo é tosco, perfeito para rodar em todo tipo de sistema, até os mais antigos. Isso não é um elogio. Já o som é razoável e a trilha sonora forte, mas fácil de esquecer.
Age of Empires Online é um bom jogo gratuito (oba!), só que incapaz de competir com outros grandes títulos do gênero estratégia em tempo real da atualidade. Não parece, mas o básico do que esperamos de um jogo da série está lá, a evolução, batalhas e unidades históricas, porém o lado social e “fofo” acaba ficando no caminho. Embora a mecânica e a inteligência artificial pudessem ser melhores, ninguém sabe como será o jogo daqui um ano após as esperadas atualizações. No fim das contas é bom ver a série voltar do mundo dos mortos, mas ainda não é bem como a maioria gostaria.