PRÓS
- Tiroteio é divertido
- Jogar com amigos vale a pena
- Challenges deixam o co-op interessante
CONTRAS
- Jogo travado
- Fácil demais
- Não devia ter saído do Faroeste
- História cheia de furos
- Campanha fraca
- Dublagem medonha
Por Daniel Reininger
Inovação. Essa é uma palavra perigosa. Enquanto algumas podem mudar os nossos conceitos, outras apenas destroem sonhos. Tudo ia bem até que a produtora Techland resolveu inovar com o seu Call of Juarez: The Cartel. O estúdio apostou exatamente naquilo que não devia: deixar o velho oeste de lado e fazer uma história moderna. A série, famosa por ter se aventurado em um gênero pouco explorado nos videogames até então, o faroeste, deixou de lado seu ponto forte e se tornou apenas uma briga entre gangues, com personagens nada marcantes e sem graça.
O jogo tem algumas ideias realmente boas, no entanto as falhas são tantas que conseguem escondê-las totalmente. Este título poderia ser interessante caso ficasse mais alguns meses no forno, o que não foi o caso. Só que, é claro, não é porque o jogo é ruim que significa que você não pode se divertir com ele, principalmente se gosta do estilo. Explico tudo abaixo.
The Cartel conta com três protagonistas: Kim Evans, uma jovem agente do FBI; Eddie Guerra, um agente do DEA (departamento antidrogas dos Estados Unidos) viciado em jogo e Ben McCall, um violento detetive descendente de Ray McCall (dos primeiros Call of Juarez). Os três devem trabalhar juntos para resolver um problema com uma perigosa rede de tráfico de drogas. Basicamente isso é tudo. A partir dessa “grande” trama você entra na pele de um deles e sai atirando por aí.
A história varia dependendo da sua escolha de personagem, entretanto não importa com qual você jogue, encontrará sempre a mesma coisa: um enredo cheio de furos sem sentido, com cenas esquisitas e estereótipos raciais patéticos, gângsteres ridículos e protagonistas fracos, arruaceiros que se parecem pouco com agentes da lei. O jogo pelo menos tenta mostrar um pouco das diferenças entre as agências, porém acaba sendo algo bem sutil.
Um bom jeito de deixar o game um pouco mais interessante é jogá-lo com dois amigos no papel de seus companheiros de aventura. Aí a trama dá espaço para tensões aflorarem entre os personagens, com direito a disputas internas e até um pouco de paranoia, como quando o telefone toca para um jogador e você ouve apenas o lado dele da conversa e fica imaginando o que está realmente rolando. Outro aspecto interessante é a oportunidade de completar desafios que premiam com pontos de experiência aquele que o terminou primeiro e foi, portanto, o campeão do challenge.
Seja como for, a trama e até mesmo os desafios são apenas pano de fundo e podem ser ignorados. Muitos jogadores já fazem isso até em jogos melhores, mas o que não dá para ignorar é a jogabilidade travada e sem graça. Como é um jogo de tiro, obviamente atirar é o que você mais faz e essa parte é divertida e bem feita, porém tudo a sua volta já decepciona desde o primeiro tiroteio.
Encontrar os inimigos durante o combate é uma experiência cansativa, a tela fica muito confusa e, para piorar, o game é repetitivo ao extremo, com um formato padrão para todas as fases, com raras exceções. É aí que você vê que a inovação ficou só na ambientação mesmo. Infelizmente, a “criatividade” para levar a série para os tempos modernos não deu as caras na hora de desenhar as fases. Por que será? Essa é uma pergunta que só os produtores podem responder, mas se eu tivesse que chutar ficaria com a opção: falta de tempo.
Ainda assim, os cenários amplos ajudam um pouco, pois oferecem algumas opções táticas interessantes, o que garante que o tiroteio seja decente. O game tenta fazer bonito e até mesmo faz uso do efeito de câmera lenta, por meio do qual o jogador acerta seus inimigos antes que eles possam reagir. Só que apesar dele estar lá belo e fofo, é apenas mais uma tentativa desesperada de “sair do marasmo” e se torna um recurso que não adiciona nada efetivamente.
Outro ponto ruim desse efeito é por conta da facilidade em perceber quando essa habilidade está prestes a ser usada, o que, ao contrário de sua intenção, acaba deixando tudo mais óbvio e travado. Em geral o jogo costuma rodar em círculos na tentativa de agradar e só consegue mesmo reforçar suas falhas.
Digno mesmo é a quantidade de armas presente em The Cartel. São rifles, pistolas, submetralhadoras prontas para mandar bala e elas realmente se comportam como deveriam, para alegria de todos. Só que até o combate tem um problema sério: a facilidade. A falta de desafio do game acaba deixando as coisas meio sem sentido. A questão é que seus parceiros, os outros dois personagens que você não controla, são bons no gatilho e raramente você terá problemas ao lado deles. Tudo é muito fácil e por isso chato.
Os defeitos técnicos também atrapalham, principalmente no PlayStation 3. Não é difícil se deparar com um personagem preso em parte do cenário, seja o seu ou um inimigo, o que te obriga a começar tudo do zero, pois os cenários tendem a exigir que se mate todos na área, e se o alvo está preso na parede digamos que matá-lo fica um pouquinho complicado.
Assim como a campanha, o modo multiplayer também promete e não cumpre. Do lado dos criminosos ou policiais você deve combater no famoso deathmatch ou missões de assalto. O fato de você entrar em combate com um parceiro e ambos ganharem bônus por ficarem juntos, como dano extra, é um ponto que podia ser mais bem explorado, mas como tudo neste game, a execução é pífia. Digo isso porque a jogabilidade em si e o estilo das fases faz com que a bagunça reine e essa novidade perca o sentido. No final das contas é só mais um modo online como todos os outros, sem brilho algum. Pena... é a vida.
O jogo também se esforça para agradar visualmente, porém em vão. A interface é mal feita e sem mais nem menos deixa a tela cheia de elementos que atrapalham. Os cenários são detalhados, com imperfeições que ajudam o realismo, mas algumas texturas estão simplesmente erradas e os bugs são constantes. A animação dos personagens também deixa a desejar. A parte sonora é ainda pior, apesar do som das armas ser decente, as dublagens são horríveis e ouvir gírias ou xingamentos bem clichês e ainda mal gravados chega até mesmo a ser engraçado (e patético).
Call of Juarez: The Cartel não é um jogo para os fãs da série, nem para os novatos. Para quem é então? Para os curiosos de plantão e os jogadores de shooters mais animados que não deixam um título do gênero passar em branco. Apesar de fraco, pode ficar melhor se você jogar com os amigos, mas em geral este título veio para nos lembrar de que nem toda inovação é positiva. Juarez, volte para faroeste!