PRÓS
Você está procurando no lugar errado
CONTRAS
História medíocre
Final ridículo
Visual datado
Quebra-cabeças sem lógica aparente
Efeitos sonoros inexistentes
Quando você investe uma carga psicologia e emocional em um jogo, o que você espera em troca? Óbvio, um momento, ou vários, no qual ele retribui sua dedicação, seja uma sequência de ação de tirar o fôlego, um belíssimo diálogo ou um final surpreendente. Então, imagine o problema quando um jogo promete, promete e promete, para chegar ao final e... nada. Sim, este é Alter Ego.
O jogo tinha tudo para recriar aquele sentimento Sherlock Holmes/Agatha Christie com um caso bizarro acontecendo na cinzenta cidadezinha Plymouth de uma Inglaterra do Século XIX. Na história estão dois personagens distintos: o Detetive Briscol, um inglês educado e frio, e o charmoso ladrão irlandês Timothy Moor. De alguma forma, seus caminhos distintos, um de pesquisas e inspeções, outro de invasões e furtos, os levarão até a conclusão dos crimes que aterrorizam a população.
Pena que o resto necessário para se ter um point & click de mistério, no mínimo decente, simplesmente não acontece. Já começa pelo fato dos primeiros capítulos demorarem demais, demais mesmo. Não importa que personagem você esteja do controle, de um lado você está investigando cenas de crimes e coletando pistas, enquanto de outro invadindo casas e buscando itens que parecem totalmente sem relação com o enredo (e as que parecem relacionadas são esquecidas mais para frente). Só que nada realmente segue uma lógica, ao contrário da regra ditada por jogos clássicos de muitos anos atrás como, digamos, Maniac Mansion. Não, neste você simplesmente precisa clicar no ponto certo do cenário para ativar a linha de pensamento do seu personagem e dar um adeus para aquela sequência, algo que pode muito bem ser feito sem cálculos ou raciocínio, mas na base do "clique em tudo que existe até algo acontecer".
Então, quando ambas as histórias finalmente se entrelaçam e você tem aquela sensação de que algo impressionante vai acontecer - nada. Você simplesmente tem que seguir o mesmo padrão de antes com agora ambos os personagens tendo noção que o outro existe neste pequeno mundo. O diálogo em si, quase sempre dormente, assim como a narrativa, tem até seus momentos de brilho, o problema é que, quando ele consegue construir um suspense, todo o dito é abandonado para sua imaginação.
E quanto ao personagem conhecido pelas pessoas como White Beast? E quanto aos eventos que aconteceram no sombrio cemitério? Nada. O jogo abandona frequentemente seus próprios ganchos, como se cuspisse na memória do jogador que está lá dedicando seu tempo a uma história que, a cada minuto que se soma, prova-se cada vez mais e mais inacabada. Pois é a impressão que se tem, que os próprios desenvolvedores não puderam cumprir com suas expectativas e decidiram lançar o jogo da forma que estava.
O visual em si não chega a ser feio, ele é literalmente... plano. Imagine um jogo de alguns anos atrás tratado para a resolução atual, este é o gosto de Alter Ego. Os efeitos de luz são primários, as expressões dos personagens tendem ao que hoje é robótico e os cenários tentam um fotorrealismo inexistente, o qual o jogo alcança no máximo quando tudo está parado. Reforçando ainda mais a ambientação nula estão os efeitos sonoros, ou melhor, a ausência deles. Sim, eu sei que o silencio pode ser macabro, Tomb Raider e Resident Evil deram essa aula em suas respectivas estreias, o problema é que Alter Ego não é silencioso, ele é silenciado, como se o jogo estivesse mudo. Não preciso nem dizer mais, né?
Uma verdadeira realidade de oportunidades perdidas: Alter Ego é literalmente a face suja de um jogo que não existiu. Se apesar de tudo escrito acima você ainda achar que o titular merece uma chance, siga em frente por sua conta e risco, afinal, o fim do jogo é um dos maiores tapas na cara da história dos videogames, mostrando como uma história medíocre consegue ser rebaixada a algo penoso e sem nexo. Lembre-se: você foi avisado.