PRÓS
Belos cenários
Os poderes da Força
É curto
CONTRAS
É frustrante
Faltam extras
Sem inspiração
Repetitivo
Fases longas
Chefes chatos e demorados
Por Daniel Reininger
Star Wars: Force Unleashed 2 é um lixo. Pode me chamar de cruel, mas a sequência do épico da LucasArts não só não chega aos pés de outros de ação, como é um insulto ao próprio original da série, que adicionou uma cativante história ao cânone oficial da franquia. Se você é fã de Star Wars, como eu, ainda tem algum motivo para perder 5 horas e terminar o jogo (ele é curto assim, ainda bem), todos os outros podem passar longe. Bem longe.
Tudo começa no chuvoso planeta de Kamino com um clone de Starkiller (ou será que é ele mesmo?) tendo que ouvir que é apenas mais uma experiência de Darth Vader. Após passar por uma série de testes, o Lord Sith decide que ele é defeituoso e será destruído, assim como fez com outros antes desse modelo. Tudo que o aprendiz precisava ouvir para escapar, no melhor estilo Star Wars, explodindo a parede e pulando de vários quilômetros de altura.
Sim, a premissa é fraca, mas clonagem é um método recorrente para ressuscitar personagens importantes em Star Wars (se você é fã sabe do que estou falando) então vamos relevar esse ponto. Aliás, esse primeiro momento do jogo chega a empolgar de verdade e você espera que algo ainda melhor venha por aí. Só que o game não cumpre com a própria expectativa que cria e a ilusão acaba nos minutos seguintes.
Sem mais nem menos o jogo se torna uma busca pelo amor perdido de Starkiller, Juno Eclipse. Uma série de eventos aleatórios interligados, sempre direcionados pelo romance, o levam a uma batalha final sem sentido e repetitiva que acaba – seja do lado negro ou da luz da Força - com um gancho ridículo para uma continuação que nem sei se quero que aconteça.
Claro que nem tudo é uma catástrofe. O combate ainda impressiona visualmente. A base do primeiro está lá e você pode usar a Força de forma que nunca viu em lugar algum, exagerada, poderosa (até demais), mas divertida. As pequenas (e bota pequena nisso) novidades na jogabilidade são interessantes e fazem as lutas ficarem mais brutais. Principalmente pelos desmembramentos dos inimigos e habilidades como Mind Trick, que podem fazer um oponente atacar outro, ou se jogar de uma ponte. Outra bela adição é o Force Sense, que elimina a necessidade de um mapa e aponta a direção a seguir. Só que tudo isso fica muito aquém do que pode ser chamado de inovação. Para piorar, o jogo não te obriga a usar os novos movimentos e poderes e é fácil passar a campanha toda sem lembrar que existem.
Apesar dos bons pontos citados acima, toda a experiência acaba destruída de vez pelo tédio. O jogo é extremamente repetitivo, com pouca variedade de inimigos (basicamente tropas imperiais) que não mudam e sempre morrem do mesmo jeito, fases monótonas e lutas eternas com chefes que nem mesmo apresentam um desafio real. O próprio combate se mostra uma repetição de padrões simples depois de algum tempo.
A evolução do personagem é outro ponto decepcionante. As habilidades são destravadas muito rapidamente e evoluí-las, ou não, se mostra algo irrelevante. A falta de inspiração em praticamente todos os aspectos faz a coisa toda se tornar uma tortura chinesa e das piores. O bom é que acaba logo.
Claro que os fãs ainda vão gostar de ver belos mundos e personagens famosos fazendo coisas legais na tela, como parar dezenas de mísseis somente com a Força, mas nem isso salva Force Unleashed 2. Pelo menos a customização de roupas e cores do Sabre da Luz está de volta e continuam a agradar bastante aos seguidores da série. Mesmo assim, depois de terminar o título a primeira vez é bem possível que você não tenha a menor vontade de retornar. Até por que o game não oferece incentivo algum para isso.
E pensando friamente, vemos que duas coisas impedem que Force Unleashed 2 seja um desastre completo: os belos gráficos e bons efeitos sonoros. Lembra que eu falei no começo desta análise que o game chegava a empolgar por algum tempo? Em parte é por isso (doce ilusão). Os cenários são detalhados, belos, cheios de vida. Apesar de em muitos momentos parecerem que foram feitos com o famoso "copiar" "colar". As cenas em computação gráfica não ficam atrás e são caprichadas. Assim como a dos personagens. A falta de variedade (de novo) é o grande problema aí, com poucas animações diferentes no decorrer da aventura.
O som é outro aspecto que dá alguma dignidade ao título. A dublagem recebeu bastante atenção, destaque para Matt Sloan no papel de Darth Vader, e os sons ambientes fazem a sua parte de forma competente. Os temas épicos criados por John Williams obviamente estão na trilha sonora. E, bem, nem preciso dizer que esse é um ponto positivo que fará a alegria de muita gente. Só não custa lembrar que colocar um CD com a trilha sonora da saga no seu som causa a mesma sensação. Então, nenhum mérito do título aí, pra variar.
Ou seja, toda a parte técnica, que é bem feita, serve apenas como miragem diante de seus olhos, que tenta te enganar para que não veja a verdadeira face desta bomba. A frase bonito, mas ordinário é perfeita neste caso. O que é triste, mas é a realidade.
Se você quer apenas desligar o cérebro e aproveitar as belas imagens de pancadaria no universo de Star Wars, vale a pena alugar The Force Unleashed 2. Sim, pois aluguel é o máximo que este título merece. Ele é tedioso, cansativo, repetitivo e nada original. As qualidades do primeiro, que já não eram suficientes para fazê-lo um expoente do gênero ação, retornam com belos gráficos, mas não melhoram a coisa. Na verdade em alguns momentos chegam até a piorar. O melhor deste jogo é que ele te dará vontade de voltar ao original e, aí sim, você poderá se debruçar sobre um game que vale a pena.