PRÓS
Gráficos impressionantes
Trama interessante
Bela trilha sonora
Jogabilidade divertida
Ótimo sistema de customização
Modo multiplayer vasto
CONTRAS
Alguns Bugs chatos
Momentos estranhos
Enredo tem alguns buracos
Por Daniel Reininger
Crysis dispensa apresentações para os jogadores de PC. Lançado em 2007 pela alemã Crytek, mesma de Farcry, marcou o padrão de beleza visual na plataforma. Já os donos de console têm a primeira oportunidade de experimentar a série de tiro em primeira pessoa com Crysis 2, prometido como o jogo mais bonito da história. E com toda a expectativa criada todos queriam saber se eles conseguiriam cumprir as expectativas. E a resposta curta é: sem dúvida.
Além dos gráficos, a preocupação principal dos fãs da franquia era com uma possível simplificação em decorrência da adaptação para os consoles, mas isso não acontece de forma alguma. De fato ele é mais rígido do que o primeiro, com a presença de corredores que deixam óbvios os caminhos a seguir. No entanto, o título ainda garante a experiência típica de Crysis, com cenários amplos e cheios de opções para o uso de táticas diversas. E graças ao Nanosuit, um traje ultra secreto e avançado capaz de conferir super força, velocidade e até invisibilidade ao seu usuário, o ambiente pode ser explorado ao máximo. Ele é também o fio condutor da história.
As densas florestas da ilha de Lingshan ficaram para trás e agora a locação é a selva urbana de Nova York de 2023. O jogo começa três anos após os eventos do primeiro Crysis, com o surto de um terrível vírus alienígena, que causa a destruição celular de suas vítimas. Se isso já não bastasse, os Ceph, raça de seres similares a lulas e agentes por trás do incidente de anos antes invadem Manhattan. Em meio ao caos, a cidade é colocada sob Lei Marcial. Os soldados da Crynet Enforcement & Local Logistics (C.E.L.L), uma companhia militar privada, são designados pelo Departamento de Defesa dos EUA para a missão, mas eles estão lá também para adquirir o Nanosuit. Desgraça pouca é bobagem.
Na pele do marine conhecido apenas como Alcatraz (o estúdio adora apelidos, como Nomad e Psycho do primeiro game), sua missão é encontrar um cientista que pode ter respostas para a luta contra os Cephs. Porém, no caminho, seu submarino é atacado e é nesse ponto que começa o tutorial, no melhor esquema Modern Warfare. Resgatado pelo também moribundo e durão Prophet, um dos poucos que usou o Nanosuit e que agora está infectado pelo vírus, o protagonista se torna a última chance de ele completar sua importante missão. E é assim que você ganha a armadura mais legal dos games, rivalizando com a de Vanquish.
Escrita pelo romancista de sci-fi Richard K. Morgan, a história, apesar de ter alguns buracos, é muito densa e criativa, isso para um jogo de tiro, claro. Assim como no primeiro título, o começo é um pouco lento e a descoberta sobre o que está realmente acontecendo vem aos poucos, com informações picadas e apresentadas de forma não-linear. O que agrada alguns, meu caso, e desagrada a outros. E caso você realmente fique curioso, pode entender perfeitamente os detalhes da trama ao pegar alguns e-mails ao longo de sua jornada. E se prepare, pois o final não é óbvio e garante uma surpresa que faz valer ainda mais às 10 horas de diversão.
O visual é belíssimo e podemos dizer com segurança que é o mais bem executado até hoje para o PC e provavelmente para os videogames também. A qualidade gráfica gerada pela Cryengine 3 é impressionante e surpreendente. Os detalhes são soberbos e fica claro o cuidado em cada linha e textura. O pôr-do-sol, por exemplo, é sensacional e devo admitir que mais de uma vez me peguei parado admirando-o.
O trabalho com as partículas e líquidos é genial, como fica claro quando um prédio tomba perto demais ou a água varre o protagonista em uma determinada cena. A luz não é direta e toma os lugares aos poucos, refletindo em edifícios, vidros, ou passando por árvores e outros materiais. O jogo original já impressionava e esse evoluiu o conceito, para a sorte dos fãs!
Nova York realmente é o cenário ideal, com variedades de ambientes, muitas possibilidades para luz e sombra, espaço para destruição e um belo centro urbano a explorar. É interessante ver que a empresa alemã não teve medo de mostrar prédios da cidade caindo quase 10 anos após os ataques às torres gêmeas em 11 de setembro. Corajosos, mas pensando bem, já é tempo suficiente para deixar essa frescura de lado.
O legal é que a cidade é destruída mesmo que você não esteja prestando atenção. Não se surpreenda caso esteja andando ou lutando e, de repente, ouvir um enorme estrondo de algum lugar ao seu redor. Se puder tirar os olhos de seu inimigo por um instante, verá prédios caindo ou sendo atingidos ao longe. Demais!
Durante o combate, a fumaça, os magníficos sons da batalha, a confusão, a destruição do cenário por suas poderosas armas, constroem uma experiência marcante. Para completar, a maravilhosa trilha sonora, totalmente orquestrada, completa a grandiosidade com músicas mais do que especiais. Composta por Borislav Slavov, Tilman Sillescu e especialmente Hans Zimmer, dos filmes The Dark Knight e A Origem, dá um tom de urgência e acompanha cada momento do drama de Alcatraz com perfeição. Vale até colocar no iPod.
A ação rápida e intensa cai perfeitamente com o lindo visual e sons poderosos. Os controles simples e intuitivos, semelhantes ao original, fazem tudo ficar macio e suave. A interface é bem desenhada e elegante e mantém você dentro do personagem mesmo nas telas de carregamento ou de customização de armas e da armadura. Uma bela jogada da Crytek.
Falando em customização, ela está ainda mais presente. Todo o leque de escolha de acessórios para as armas está de volta, com uma ou duas novas adições, porém a novidade fica mesmo com a possibilidade de fazer upgrade de sua armadura. Sim, agora é possível “comprar” melhorias que fazem você ser mais rápido, furtivo, identificar a direção de tiros e muito mais. E o melhor, quando você começa uma nova campanha suas escolhas são transportadas para ela.
Em geral, seja no campo de batalha ou na escolha de armas e upgrades, Crysis 2 requer pensamento tático. O uso inteligente dos poderes do Nanosuit é crucial para passar pelos desafios e a rapidez para trocar entre as habilidades é importantíssimo. Bobear em uma ação ou subestimar seu oponente significa morte certa. A variedade de inimigos faz tudo ficar interessante e novo durante toda a campanha. Você enfrenta soldados e veículos humanos, como helicópteros e blindados, além dos terríveis aliens, suas naves e mais. O melhor é que o game procura misturá-los de diferentes formas para surpreender e faz isso muito bem.
A inteligência artificial é esperta e quase sempre procura flanquear ou criar situações desfavoráveis, usando armas e táticas de acordo. Mas nem tudo são flores e é uma pena que em certos momentos ela simplesmente não funcione tão bem quanto deveria. Se prepare para alguns momentos bem óbvios. E infelizmente ainda temos que enfrentar os bugs. Algumas vezes os inimigos não percebem que existe um combate ao redor deles e ficam parados, de guarda, como se nada estivesse acontecendo. Isso fica muito esquisito e podia ter sido corrigido antes do lançamento. Todavia são situações isoladas que não tiram o brilho do game.
Como todo FPS que se preze, nem só da campanha principal vive Crysis 2. O título oferece um vasto modo multiplayer, similar a outros do gênero, com seis modalidades diferentes, quatro das quais precisam ser destravadas: Instant Action (Deathmatch), Team Instant Action, Crash Site, no qual você deve alcançar e proteger um local, Assault e Extraction (mapas de ataque e defesa) e um modo de capture a bandeira. Seu elaborado sistema de evolução, muitas possibilidades de customização e diversos itens para desbloquear mantêm a graça mesmo após várias partidas. O Nanosuit também ajuda nesse ponto.
Feito para impressionar, Crysis 2 é intenso e tem tudo para agradar. Contém algumas falhas e momentos estranhos, mas que não atrapalham a experiência como um todo. O Nanosuit oferece algo diferente em relação a shooters como Battlefield e Call of Duty, mas não tira o tom de realismo e seriedade. O enredo interessante e situações variadas, as quais exigirão inteligência para serem ultrapassadas, vão fazer você ficar grudado para descobrir o que está por vir. Pode não ter o mesmo impacto do original, que foi uma revolução principalmente para os jogadores de computador, porém cumpre as promessas feitas e crava definitivamente o lugar da franquia entre os grandes jogos de tiro em primeira pessoa