PRÓS
Enredo interativo
Sistema de criação de personagem
Dublagem de qualidade
CONTRAS
Visual simplesmente velho
Inúmeros bugs estragam a ação
Script vai perdendo a qualidade
Enredo se perde conforme progride
Já aqui, nesta primeiríssima linha, eu confesso: Alpha Protocol é triste. Não, não... não como Heavy Rain, se é o que pensou. Não falo do enredo, falo do jogo, desde sua proposta, produção, até, bem, se tornar isto que viemos a analisar. Dos estúdios da Obsidian Entertainment, o jogo tenta fazer o que Mass Effect fez pela vertente dos jogos espaciais, porém, para o universo da espionagem, e se mostra até mais ambicioso.
O jogo se apresenta bem, intercalando a formação do agente secreto norte-americano Michael Thorton a um voo comercial sendo atingido por um míssil. Não precisa dizer que as causas deste se tornam a primeira missão do herói, que viaja até a Arábia Saudita apenas para se ver envolto em uma conspiração muito maior do que qualquer nação já pôde imaginar.
Viu só? Este é apenas um dos traços da ambição do título e é justamente por isso que ele é um caso triste. Alpha Protocol vai longe em suas ideias, por isso é um jogo que você vai querer gostar de todas as formas, acredite. Alguns, os mais amantes do bom RPG, terão sucesso na jornada, mas o resto que conseguir terminar provavelmente fará tal simplesmente em prol da curiosidade pelo enredo.
O feito mais impressionante da história é que, enquanto pesquisando, conversando com personagens chaves, moldando o seu caráter e forma de agir, você realmente influencia no andamento da história e o destino de seu panteão de personagens. Permitir que um grande inimigo sobreviva pode dar acesso a uma infinidade de informações (e até armamentos) que você nunca teria caso o tivesse matado, mas também coloca em risco o seu futuro.
O número de pessoas que podem se juntar a sua história é variado e trazer o melhor de cada um não é tarefa simples. A narrativa obriga você a brincar com os três aspectos do diálogo, os chamados suave, professional e agressivo, para sobreviver como um verdadeiro agente em suas viagens por países como Rússia e Taiwan.
Se ao menos o resto do jogo seguisse a riqueza da proposta, mas não. Alpha Protocol vai perdendo sua própria alma quanto mais o jogo se desenvolve, o que normalmente deveria ser o inverso. O jogo vai ficando cada vez mais artificial, os personagens perdem sua intensidade e, com o tempo, eventos importantes acontecem, como uma relação amorosa com uma das personagens do jogo, sem que você tenha feito o mínimo de esforço para tal, ou pior, sem ter propriamente interagindo com a personagem. E, assim, a sensação que você vai sentindo cada vez mais forte durante o jogo se confirma: ele cai como inacabado e apressado.
Como você já deve ter imaginado, as faltas não ficam só na interação e no enredo, mas no próprio funcionamento de toda a ação. O jogo, que prega a escolha entre o tiroteio desenfreado e a furtividade, não necessita de prática, mas esforço. Isto quer dizer que, enquanto controlando Mike pelos edifícios e bases do jogo, nada acontece como deveria. É o sistema de câmera que dança nas suas costas e nunca pega um ângulo preciso, é o controle altamente sensível, ou mesmo bugs aparentes como o desaparecimento da mira (que impede você de atirar por completo) e a incapacidade de se escorar em paredes e muros para usá-los de cobertura durante uma troca de tiros.
Mas acalme-se, antes de condenar o jogo ao limbo, saiba o que ele tem de qualidade. No caso, o sistema de criação de personagem e a forma como ele progride é louvável. É nele que você divide a aproximação entre ser Rambo ou Bourne, com habilidades que vão desde super precisão quando armado com rifles, até percepção avançada de ambientes, que te permite sentir os soldados inimigos antes que eles apareçam. Pena que o jogo em si acaba desmerecendo o próprio sistema, favorecendo muito mais quem parte para o combate explosivo do que a vida sorrateira.
A inteligência artificial em si também deixa a desejar, com seus inimigos fortemente baseados na sua reação. Durante o jogo pude até mesmo passar próximo a capangas decididamente hostis sem que houvesse troca de tiros. O infeliz só foi resolver atacar depois de devidamente provocado, leia-se, levando um tiro no peito.
O visual é fraquíssimo, embora o jogo não chegue a ser feio. Ele parece na verdade perdido no tempo, com suas texturas borradas, construções simples e animação robótica típica de uma geração anterior. Já o trabalho de dublagem é o mais interessante, porque ele consegue ser bom mesmo com o script do jogo se deteriorando a cada minuto passado, denunciando um esforço a mais dos atores contratados para a missão.
Longe de ter a elegância da verdade espionagem: Alpha Protocol é um jogo ambicioso que consegue algo que poucos têm êxito: uma verdadeira história que pode ser alterada pelo jogador. Infelizmente fracassa em outros quesitos que tornam a experiência do jogo inconcebível para qualquer um que não seja um extremo seguidor do gênero RPG ou parente de algum dos desenvolvedores... bom, você entendeu.