PRÓS
Mecânica tenta ser diferente
Belos gráficos
Cutscenes empolgantes
CONTRAS
Jogabilidade falha
Bugs que estragam a diversão
Diálogo mal-dirigido
Não precisa ser muito velho para lembrar o impacto que Alone in the Dark teve no mundo dos jogos. O primeiro, lançado em 1992 para os computadores do mundo inteiro, foi o responsável pela criação do gênero survivor horror, que no futuro viria a dar frutos como os milionários Resident Evil e Silent Hill. O jogo assustou milhares de pessoas pelo mundo afora com sua atmosfera misteriosa e única.
Porém, conhecer as raízes de Alone in the Dark também tem seu lado negativo, pois você automaticamente vai notar como a série se mostra incapaz de evoluir satisfatoriamente desde o lançamento do quarto Alone in the Dark em 2001. Coisa que, com exceção do território gráfico, a nova encarnação de Alone in the Dark, recém lançada pela Atari, também não faz muito para mudar.
Sem desafiar a tradição, você novamente se vê controlando Edward D. Carnby que misteriosamente se encontra vivo na Nova Iorque contemporânea. Amnésico, seqüestrado e jurado de morte, o rapaz é salvo graças ao ataque de bizarros monstros que impedem sua execução. A partir daí a coisa não pára mais, e Carnby se encontra em impressionantes cenas de perseguição e desmoronamentos até ir parar no fatídico Central Park.
Mas depois que toda a qualidade visual e exuberância das cenas e cenários descerem goela abaixo, não fica difícil perceber que todo o tempo de produção do jogo passou longe do suficiente para dar o acabamento que o título tanto precisava. É um conjunto de coisas estranhas que afundam o jogo de forma que apenas os fãs mais fervorosos se sentirão empenhados em buscar o final.
Em Alone in the Dark: The New Nightmare, o episódio anterior, a chave para derrotar cada inimigo estava na luz: sem luz, sem inimigo morto. Pois bem, dessa vez, o time por traz do jogo deu uma volta inteira tentando reescrever a série para cair exatamente no mesmo ponto: o fogo. Já que em Alone in the Dark nada se resolve sem fogo. Não consegue atingir determinado local? Coloque fogo nele. Não consegue derrotar certo inimigo? Coloque fogo.
Está certo que os efeitos visuais para o fogo e sua propagação são realmente impressionantes, mas com exceção dos inimigos vulneráveis puramente as chamas, creio que haveriam saídas mais inteligentes, principalmente em um jogo que clama utilizar as regras do mundo real. De qualquer forma, o jogo até que faz bem apresentando um novo tipo de inventário baseado no casaco do protagonista, tanto que ao acessá-lo a tela mostra, em primeira pessoa, Carnby chegando aos itens presos em seus bolsos e cintos. O limite de itens também fica preso ao tanto que você consegue encaixar nos bolsos do herói sem comprometer seus movimentos.
O problema é que para cada coisa bem feita temos duas decepções, começando pelo personagem principal que se move como um zumbi. Ainda nisso, o jogo todo se passa em terceira pessoa, mas trocar tiros é algo que tem que ser feito exclusivamente em primeira pessoa (por quê, Deus?!), e para piorar, Carnby mira sua arma tão rápido quanto uma velha de sessenta anos em porte de uma bazuca. E ainda há aqueles bugs ocasionais que podem acarretar na clássica morte súbita, como quando seu carro simplesmente empaca em alguma pedrinha jogada na rua - algo nada saudável quando a cidade toda está desmoronando.
Mas já que o jogo insiste tanto no fogo, vamos falar um pouco mais dele: a mecânica de Alone in the Dark se torna bastante interessante quando olhamos as muitas possibilidades que este oferece, a ponto de você poder utilizar um spray junto de um isqueiro para atacar seu inimigo com chamas, colar com fita adesiva um pacote de balas em seus inimigos para então dar um tiro nestes e ver os fogos, ou simplesmente pegar uma cadeira em chamas e sentar na cabeça do seu inimigo. Já o sistema de combate corpo a corpo é definitivamente ridículo e torna difícil a simples ação de acertas os inimigos na hora certa.
Mas como dito, a qualidade visual realmente impressiona, assim como os cenários, texturas, expressões e deformidades em geral. O jogo de luz e sombras também torna tudo mais atmosférico, assim como a direção das cutscenes que sabem dar aquele toque Hollywoodiano que o jogo tanto buscou. Aliás, a interface dele toda é baseada na de um DVD, com direito até a menu de capítulos, que você pode usar para avançar na história a bel prazer, caso empaque em alguma coisa.
Podemos dizer que a trilha sonora também é muito bem composta, bem ao contrário da dublagem, que não poderia ser mais capenga, com uma boa dose de "shit" e "fuck" a cada cinco minutos.
Depois de encontrar a luz no fim do túnel: Alone in the Dark se perde no escuro e passa longe de ser a tão falada salvação da aclamada franquia que inaugurou um dos gêneros mais amados da atualidade. Com uma jogabilidade que necessita paciência e uma série de puzzles que comprometem a diversão, aos que sobreviverem a tudo, pelo menos o visual não te deixa na mão.