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Vanessa Lee
Na segunda edição do nosso "Melhor de 2", pescamos os prós e contras de um dos jogos mais importantes entre os gamers do mundo todo: Resident Evil. Aqui você entenderá como o jogo e o filme podem ser parecidos ou extremamente distintos em seu conteúdo ou forma como é contado. Entre vários sucessos, será realmente que Paul W.S. Anderson acertou a mão na hora pegar a responsabilidade gigantesca sobre as adaptações? Como a franquia de filmes conseguiu chegar até a sua quarta parte sem ter tido uma aceitação razoável? Descubra a seguir:
A estrutura do jogo foi montada sobre esse princípio. Aterrorizar o público foi a idéia mais plausível que Shinji Mikami encontrou para fazer do jogo o sucesso que ele é hoje. Com seus mortos vivos espalhados em uma cidade inteiramente tomada pelo caos, os personagens-núcleo como Chris e Claire Redfield, Jill Valentine, Leon e outros, fazem com que a interação nesse universo se aprofunde, causando um verdadeiro tsunami de acontecimentos catastróficos, para o qual você é injetado.

Seu principal objetivo? Acabar com o jogo ambicioso de destruição em massa, desenvolvido pela corporação Umbrella.
Dialogando com a mesma proposta dos jogos, os longas da franquia não chegaram a superar em nenhum fator o que é produzido através dos consoles. A idéia de transformar uma série de games como essa em filme era uma responsabilidade muito grande, que no caso Paul W.S. Anderson teve a hombridade de fazer, literalmente sem medo algum.

Porém, o quesito ‘‘passar medo” não é a principal de suas produções, dando uma bela escorregada na banana. Infelizmente, os filmes só podem ser classificados como terror porque trazem elementos como zumbis e monstros, mas tirando isso não assusta tanto quanto as criações desenvolvidas pela Capcom.
Assim como todo jogo, os personagens sob os quais você assume controle precisam de um elemento incondicional: carisma. Podem ser feios, monstruosos, mal vestidos, mas mesmo assim se existe a empatia todas essas características passam longe da percepção.

Nesse caso, os protagonistas dos jogos da Capcom foram realmente criados para agradar ao público, tornando-se heróis de uma saga que, se depender dos fãs, terá uma vida longa.
Nos longas uma novidade: Alice. Nos jogos você não a vê porque ela simplesmente não existe. A personagem, interpretada por Milla Jovovich, é o que podemos chamar de desculpa para as adaptações.

Apesar de existirem protagonistas interessantes, conhecidos nos jogos, para os cinemas talvez não tivesse sentido fazer um filme baseado em cada game, já que as histórias não são seqüenciais. Nesse caso, Alice foi criada para servir de elo entre um longa e outro. Apesar da originalidade, parece que deu certo a ligação.
Para quem conhece a série de cabo a rabo, Albert Wesker é figurinha carimbada na trama, ou melhor, um “figuraça”. O líder da equipe Alpha, que nunca larga dos seus óculos escuros, é um homem frio e calculista.

Logo no primeiro jogo dá para perceber seu caráter duvidoso. Mesmo que ele detone sua equipe, o personagem não mede esforços para conseguir o que quer. Tempos mais tarde se torna o vilão mais notório da franquia, sendo o maior desafio a se encarar no survival horror.
No quarto longa da franquia, Resident Evil 4: Recomeço, finalmente, Wesker também dá as caras. Para quem não via a hora de saber como seria o mau-encarado, nesta adaptação você tem a chance.

Apesar de não parecer, Paul W.S. Anderson fez um bom trabalho ao dirigir Shawn Roberts, que encarnou literalmente o vilão, com seu ar malicioso e dissimulado. Abusando de seus poderes mutantes, Wesker não passa batido, e chama bastante atenção na produção que, dessa vez, não deixou a desejar.
Em Resident Evil 2 você pode tomar vários deles senão ficar esperto. Resident Evil 3: Nemesis também não fica atrás, quando o quesito é fazer o gamer dar pulos na cadeira.

Jogar é uma atividade de imersão muito grande e a proposta dos jogos se encaixa muito bem como parte dessa experiência. Entre corvos que quebram janelas quando você menos espera, até monstros pularem na sua cara sem mais nem menos, a franquia é um prato cheio para quem gosta desse tipo de desafio.
Nos longas, infelizmente, essa fórmula não foi bem aproveitada. Sustos são o de menos - mesmo. Nenhum deles é empolgante nesse sentido, fazendo apenas com que o espectador fique apreensivo com as cenas de suspense que se sucedem.

Os monstros, algumas vezes retratados de um jeito meio, digamos, trash também não são tão eficazes na hora de aterrorizar alguém. Falido nesse sentido, mas para quem acompanha a franquia de games pode ser interessante ver os personagens retratados na tela grande. E para por aí.
Quando o assunto são as aberrações que foram criadas para o jogo, Nemesis sempre aparece como uma imagem clara em nossas mentes. O bichão que caminha com requintes de serial-killer, e é um dos mais populares da série, é chamado originalmente de Pursuer.

O supersoldado foi solto em Racoon City para destruir todos os integrantes dos S.T.A.R.S. Ele nada mais é do que uma mutação do monstrengo Tyrant que também dá um belo trabalho na hora de matá-lo. Divertido!
Ao contrário do game, Nemesis não foi tão bem aceito nos filmes. O personagem parecia um boneco mal feito de borracha que não chegou nem perto do que ele realmente é nos jogos. Porém, um açougueiro gigante, com um cutelo do tamanho do mundo, aparece em Resident Evil 4: O Recomeço.

Trata-se de Executioner, um monstrengo que nunca mostra a cara e que para matar os personagens principais têm de “suar a tanga”. Até então o inimigo mais incisivo na busca por suas vítimas e o mais bem reproduzido entre os filmes da franquia.
Quando se começa um Resident Evil, seja ele qual for, a primeira coisa que passa por nossa cabeça é: quais serão as armas dessa vez? O que irei usar para matar os adversários? A tradicional faquinha ou uma bazuca modificada? Pensando nisso, escolhemos a nossa preferida entre todas elas: a magnun.

Com tambor ou sem tambor, sua eficácia é indiscutível. Porém não a use à toa. Economize munição e a saque somente para inimigos fortes e chefes. Faça o teste e nos conte depois.
Aproveitando o gancho do filme anterior, Resident 4, que mostrou um arsenal diferente de armas, vamos abordar uma que chamou nossa atenção: trata-se da espada katana, que nos jogos não existe.

Em uma das cenas mais “hardcore” da produção, Alice empunha a arma e sai picotando inimigos por todos os lados, além de usar estrelas, no melhor estilo ninja de ser. Esse diferencial realmente deu um charme à parte a personagem que, até então, só empunhava shotguns ou handguns.
Prédios destruídos, cidades em chamas, carros tombados, mortos vagando pelas ruas ao lado de monstros mutantes. Todo esse cenário caótico é o que construiu a fama dos jogos. Porém, se formos retratar o assunto “polêmica” Resident Evil 5 sai na frente. Tudo porque o local escolhido para o vírus se propagar, ou melhor, originar-se, é a África.

O que deu pano para manga, foi o fato de termos de matar zumbis negros. O responsável pelo título, Jun Takeuchi, explica que o motivo da escolha da locação foi o fato de se tratar do “berço da humanidade”. E não por racismo, como foi dito quando o jogo foi lançado.
Vamos direto ao ponto: Resident Evil 3: A Extinção é o longa que podemos citar que não foi feliz na escolha da locação. Sob um pano de fundo árido e sem graça, que lembra o “velhaco” Mad Max, o filme foi um dos piores, senão o pior. Inicialmente, a história era para ser rodada na Australia, mas numa mudança de planos o longa foi feito no México.

A única curiosidade legal envolvendo a produção é a de que foi criada uma versão em menor escala de uma Las Vegas soterrada, cheia de cassinos enterrados na areia e um pedaço da Torre Eiffel, também coberta.
Assim como muitos jogos de estilo investigativo, em Resident Evil não podia faltar os quebra-cabeças. São eles que deixam o jogador maluco na maioria das vezes.

Para quem gosta de um desafio, a dica aqui, dentre todos os jogos da série, é o Resident Evil: Code Veronica. Nele você dará de cara com os puzzles mais “chatinhos” de se passar. Por isso vale a pena!
Nos filmes de Paul W.S. Anderson os quebra-cabeças não são tão aparentes assim. Na verdade é até difícil dizer que existam alguns. O único momento no qual vemos os personagens tentando decifrar algo é no primeiro longa da série.

Em Resident Evil – O Hóspede Maldito, os personagens precisam passar por uma porta repleta de armadilhas a laser. A partir daí as coisas ficam difíceis para o grupo de agentes. Mas só aí. É realmente uma pena não terem aproveitado melhor essa ferramenta.
A aceitação dos jogos é notoriamente bem sucedida. Os gamers que apreciam um survival horror fizeram a história dar certo por sua aceitação mais do que bem-vinda. Apesar de ser baseado no jogo Sweet Home, de 1989, a originalidade da adaptação, regada a mortos-vivos, muita ação e investigação, cimentou um longo caminho, adquirindo fãs ao redor do mundo a medida que foi sendo desenvolvido e suas sequências lançadas.

A franquia tem ao todo 17 jogos disponíveis. Recentemente, foi anunciado que a Capcom, em parceria da Slant Six Games, está preparando Resident Evil 6, que ganhou o nome provisório de Resident Evil: Racoon City. Mais zumbis à vista!
Para quem é fã de games, nada melhor do que ver na telona uma adaptação de um jogo, certo? Errado. Nem sempre é tão glamoroso ver algo que você gosta tanto ser feito sob um mal gosto horroroso. Tudo bem que os longas sobre Resident Evil não chegaram a ser um tremendo fracasso, mas também não foi algo para se guardar na memória. Apesar da boa intenção de Anderson em expor o terror ao público leigo, em vários momentos vê-se que os filmes dão uma escorregada em cima do trash. O que não era para ser a proposta.

Apesar de sabermos que a trama se desenrola em meio a pessoas mortas e muito sangue, não era para chegar ao ponto de rirmos dos monstros ao invés de nos assustarmos. Detalhes como esse naufragam qualquer vontade de comprar um ingresso.

Tirando Resident Evil 4: O Recomeço, que aproveitou com competência os efeitos 3D dos cinemas atuais, deixando a experiência de assistir muito mais divertida, os outros longas da série são totalmente dispensáveis.
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