PRÓS
Conectividade com a internet facilitada
Novo mundo repleto de mistérios
Enredo melhor trabalhado do que antes
Trilha sonora mais carregada e repleta de detalhes
Batalhas ganharam elementos interessantes
Conteúdos novos por download sempre grátis
Visual renovado
Fórmula clássica sempre funciona
CONTRAS
Trilha sonora só brilha com fones
Visual ainda que melhorado, é bastante simples
Por Rodrigo Brasiliense
Enquanto alguns jogos insistem e às vezes até se estragam na tentativa incessante de se reconstruir a cada novo capítulo, outros se esforçam para manter a formula que iniciou tudo, não como preguiça ou falta de inspiração (estes também existem), mas como atestado de um legado que tem apenas como progredir e se superar: O caso de Pokémon White, ou Pokémon Black – seja lá qual versão você escolher.
A coisa começa exatamente como em todos os jogos da franquia, com um professor, perito no ramo dos misteriosos Pokémon, dando, de pura bondade, a oportunidade de você escolher entre três dos bichos que você não encontra em qualquer lugar: Oshawott, Tepig e Snivy , respectivamente especialistas no elemento água, fogo e grama. Em troca, você, e seus dois amigos que comentarei mais para frente, devem viajar o continente de Unova registrando tudo quanto que é mistério em terras desconhecidas.
Isto, afinal, é de praxe para quem acompanha os jogos da franquia. Já o foco inusitado no enredo é algo novo. Logo de início você é apresentado ao seus dois amigos de infância, Cheren, um rapaz que adora filosofar sobre as questões da vida, e Bianca, a bela garota que só não esquece a cabeça porque ela está colada no pescoço.
Ainda que você só viaje ao lado de seus fieis Pokémon, a narrativa mantém o contato com ambos os personagens a todo tempo, ao mesmo tempo que você cruza o caminho de figuras como N, um misterioso que entende a linguagem dos bichinhos, Alder, o lendário campeão que largou tudo para viajar o mundo após certa tragédia e, claro, o infame Team Plasma, os vilões da vez que, moldado para se parecer com a antiga ordem dos templários, se dizem heróis da libertação Pokémon contra a opressão humana.
Pois é, o jogo vai um pouco mais longe desta vez e filosofa em cima da relação humano/Pokémon – se é certo mantê-los nas pokebolas, se lutar à custa deles não passa de um abuso, e se eles realmente querem viver suas vidas ao lado dos seres humanos. Claro, o jogo ainda é um produto para todas as idades, então ele não vai tão longe nas questões filosóficas, mas já vai o suficiente para fazer você se inteirar muito mais com o mundo do que simplesmente querer capturar todos os Pokémon existentes, ou mesmo ser apenas o mais forte que existe, inclusive, esta motivação simples é algo que, ironicamente, o jogo questiona ao seu decorrer.
Assim você parte na aventura que, posso dizer aqui, trata-se de um verdadeiro atestado de qualidade de um dos sistemas mais inteligentes já inventados nessa nossa história. Um que funciona até hoje e tem espaço de sobra para evolução. As batalhas do jogo, para você que viveu a vida toda em uma caverna sem contato com a humanidade, são decididas em turnos. Você pode formar um time de até seis Pokémon e cada um deles sobe de nível como personagens distintos de RPG. A chave para se dar bem são então as naturezas de cara bicho.
Fogo, água, terra (coração, não...), são muitos os tipos de pokémon e saber utilizar cada natureza é a forma de se dar bem nos combates. Alguns são bem óbvios, do tipo, fogo acaba com gelo e eletricidade derrota água, e outros já são menos manjados, como no caso de Pokémons insetos darem trabalho para pokémons do tipo psíquico. No final o jogo tempera tudo ainda mais garantindo monstros com naturezas duplas que garantem um raciocínio muito mais tático e apurado. E daí sai uma das coisas mais interessantes, a forma como o jogo se molda ao jogador.
Quase todos os pokémons evoluem após certo nível. Alguns mudam de forma até duas vezes, garantindo um leque todo novo de habilidades. Assim, você pode viajar o mundo apostando em um time único, na espera de que níveis altos superem qualquer dificuldade que venha pela frente, ou mesmo capturando novos de acordo com a sua necessidade. Como em todos os jogos da série, os tipos de bichos mudam de acordo com a região que você viaja e, somando que alguns só aparecem de dia, outros de noite – e agora até a estação do ano afeta esta mecânica – é quase que certo que, cedo ou tarde, você se encontrará com um ânimo sobrenatural para a coleta de todos os existentes, árdua tarefa já que com esta versão o número de pokémons totaliza em 651, com os 150 novos adicionados nessa versão.
Para mostrar serviço no que com certeza é a última aparição da franquia no DS, o pessoal da Game Freak forçou o portátil da Nintendo um pouco mais no quesito visual, adicionando detalhes que, enquanto ainda passam longe de lembrar um RPG da era PlayStation, impõe muito mais respeito e até um certo tipo de imersão aos mais escapistas. São surtos de ventos que carregam folhas no outono, grãos de neve que metralham o chão no inverno, ou mesmo flores que desabrocham na primavera. E essa atenção aos detalhes se estende até os efeitos sonoros.
Problema é que, a menos que você jogue com um fone (e dos bons), muito dos canais de som se perdem, e você não ouve o movimento da água em um córrego próximo, o granizo constante das regiões mais ao norte de Unova e mesmo boa parte da complexidade da trilha sonora que, acredite se quiser, retorna muito mais cativante e carregada de sentimento do que nos jogos antigos, com direito até a um tema cantado para uma das cidades.
Isto, apesar de tudo, não é a maior evolução que você encontra em Pokémon White (ou Black), a maior mudança mesmo é a forma como o jogo é todo integrado com a rede. Logo no início da jornada você recebe um aparelho chamado C-Gear, e é com ele que você pode se comunicar com outras pessoas que possuem o jogo. O leque de opções é grande, mas a melhor coisa mesmo é como tudo está ao alcance de um simples toque, ao contrário dos jogos antigos no qual passávamos por árduos processos.
Escolhendo as opções que ficam a mostra na tela inferior do DS você pode trocar com seus amigos, batalhar, enviar mensagens, jogas mini-games, ligar para eles, com direito a conferência por câmera (caso seu DS seja o 3DS ou o DSi), acessar o mundo de outros jogadores em um sistema de quests até que bastante inventivo, ou colocar seus pokémons para dormir para viajar por seus sonhos no melhor estilo Inception, por meio do subjetivo entralink, a mais misteriosa região de Unova.
Colocando preto no branco: Pokémon Black (ou White) é a mesma formula que fez Pokémon o sucesso que ele foi em seu ano de estréia. Isto mesmo, pouca coisa mudou, e ainda assim, o jogo é exemplo de diversão para muitos outros jogos que se consideram veteranos do gênero, com suas pequenas tramas e detalhes que se desenvolvem até mesmo depois do enredo principal já ter chegado ao fim. E sim, caso esteja se perguntando, as versões Black e White só se diferenciam nos Pokémon que aparecem para você capturar, ou seja, você ainda é obrigado a trocar com os outros para ter todos – a diferença é que você não precisa mais ter um colega perto, a internet toda está aí para isso. Não existem milagres aqui, se você nunca gostou da série, não vai ser este que vai fazer você mudar de idéia, caso contrário, pode cair de cabeça no jogo, porque, apenas eu, garanto pelo menos 70 horas de diversão.