PRÓS
Treinar monstros ainda é interessante
O dia a dia do treinador
CONTRAS
Batalhas podem ser tediosas
Audiovisual simplesmente datado
Sem senso de objetivo, fora o treinamento
Enquanto o simples nome Monster Rancher DS possa invocar memórias de Digimon, Bakugan ou mesmo Dragon Quest Monsters, deixe-me dizer logo aqui: Este não é mero clone baseado no sucesso do gigantesco RPG mais vendido de todos os tempos, Pokémon. Sim, você vive em um mundo fictício e, claro, seus monstros partem para a briga após duras sessões de treino, mas aqui a coisa é diferente.
O quão diferente você diz, caro leitor? Vejamos, seria a mesma diferença entre FIFA Soccer e Football Manager, o primeiro sendo Pokemon e o segundo Monster Rancher. Clareando o cenário para os que desconhecem ambos, enquanto no primeiro você vive o controle tanto do treinador quanto também o monstro que o acompanha, o segundo é um jogo mais indireto no qual você é o técnico de seu monstro e só isso, tendo que sentar no banco de reservas durante o embate real e vê-lo agir (ou não) da forma que foi treinado.
Então, a primeira coisa que você deve fazer é obter um monstro. Curiosamente, no passado, quando o jogo inovava ainda nas terras do primeiro PlayStation, você podia criar um monstro a partir de CDs de músicas. É, o jogo fazia uma leitura das faixas e a partir dela encontrava um monstro adequado para você. Eu particularmente adorava isto, porque o meu CD Americana, do Offspring, dava luz a um dos monstros lendários da franquia, a Phoenix.
Enfim, curiosidades a parte, claro que no Nintendo DS não há como fazer isto, então o jeito foi adaptar, que no caso é criar seu monstro a partir de desenhos, sopros ou sons que você pode fazer para o portátil identificar. Não é um dos artifícios mais precisos dos últimos tempos, na verdade parece até que bem aleatório, mas suponhamos que seja melhor que nada. A partir daí sua vida como criador de monstros começa, o que significa uma longa vida de trabalho físico e jogos psicológicos pela frente.
Isto porque, além de ter que cuidar para seu bicho não ficar um fracote, você também não pode deixá-lo covarde, manhoso ou mesmo mimado. A sua base de operações é a fazenda principal e, a partir de lá, você treina corridas, exercícios, viagens e agenda campeonatos, cada qual servindo para construir uma habilidade em seu monstro. Em uma corrida, por exemplo, ele desenvolve velocidade e resistência, mas cabe a você cobrar de seu monstro que ele cumpra com a premissa, brigando-o, caso ele se recuse a fazer a atividade, e o parabenizando, quando ele faz tudo certo.
O problema é que o jogo não tem muitos objetivos. Como eu disse, você pode participar de campeonatos cada vez maiores, nos quais as batalhas ocorrem em uma tela separada, onde você dá sugestões a seu monstro para que ele possa usar seus ataques de curta, média e longa distância. Só que estas batalhas tendem a demorar demais, já que boa parte delas você passa recomendando que seu monstro espere para recarregar energias para o próximo ataque. Sério, posso dizer que, por conta disso, pelo menos 50% dos meus campeonatos foram decididos porque acabou o tempo.
Apesar disso, você acaba até se divertindo e, por que não se apegando ao seu monstro, considerando que você aprecia o gênero, graças a forma como o jogo consegue fazer eles parecerem algo a parte do seu personagem. Eu conheço até gente que provavelmente vai ficar triste quando seu monstro estiver velho e finalmente morrer, mas é melhor não citar nomes. Aos que ficaram curiosos, o jogo não termina quando seu monstro morre, longe disso, é nesse momento você pode utilizar a essência dele que, combinado a outros elementos, criará um novo monstro para que você continue a jornada. Como dito há dois parágrafos, é nessa hora que você começa a perceber que seria bom o jogo ter alguma espécie de enredo, ou objetivo determinado, porque cedo ou tarde a coisa fica velha e você percebe que não fez muita coisa diferente.
Claro que, o dito acima é apenas questão de ponto de vista, o que não acontece com o áudio e o visual do jogo. Totalmente defasado, Monster Rancher DS chega a parecer algo da geração GBA. Mesmo assim não seria dos mais belos. Chega a ser infeliz como o visual 2D altamente pixelado e sem detalhamento consegue estragar o design dos monstros que nem de longe é fraco. O mesmo acontece com a trilha sonora, altamente estourada e plana, ao ponto de muitos preferirem deixar o som no mudo.
Num retorno não tão triunfal: Monster Rancher DS é um pequeno atestado do que a série soube fazer de interessante e inovador ao longo de seus anos, mas ao mesmo tempo comprova o quanto ela foi incapaz de evoluir, mesmo durante todos estes anos de hiato da série. Não preciso nem dizer que fãs da série devem a si mesmos uma olhada nesta versão portátil, já aos os que nunca nem se quer ouviram falar no jogo, talvez seja melhor esperar uma possível, quem sabe mais apresentável, sequência.