PRÓS
Mundo coeso e abrangente
Visual carismático
Jogabilidade variada
Mecânicas interessante
Jogo repleto de surpresas
CONTRAS
Efeitos sonoros dos pokémon
Nada inovador
Há algo de especial no remake dos clássicos Pokémon Gold e Pokémon Silver, mais ainda do que foi com o remake dos títulos que inauguraram a série (Pokémon Leaf Green/Fire Red). Sabe o por quê? Simples, enquanto os primeiros estabeleceram a fórmula e se responsabilizaram pelo fenômeno da captura de monstros, Pokémon Gold e Pokémon Silver, em sua época, foram os responsáveis pela expansão do universo, da mitologia, da mecânica de dia e noite em tempo real, enfim... de toda ideia Pokémon. Quer mais?
Era outra época, quando o lançamento e o desenvolvimento de jogos eram coisas mais misteriosas. Uma época que milhares de jogadores imaginaram por muitos anos o que seria a sequência de um jogo como Pokémon. Mais Pokémon? Um novo mundo? Quem saberia... mas, para dar um final feliz à história, todos tiveram bem mais do que esperavam. Assim o jogo marcou como nenhum outro.
Agora, se você não estivesse vivo, ou ainda não jogava videogame, ou simplesmente estava em outra galáxia durante esta época, já pode entender o que o título em questão significou para muitos -- este é o remake do tal. Chamado Pokémon HeartGold e Pokémon SoulSilver, os jogos irmãos, ao contrário de sua inspiração, fizeram somente o que foi proposto: a atualização do jogo para o último patamar da série.
O que significa que você agora pode escolher entre um garoto e uma garota. O jogo começa um pouco diferente, o que, na minha humilde opinião, é menos dramático. O que antes era um garoto que descobria por acaso o mundo Pokémon foi mudado para o clássico "sempre quis ser um treinador", mas, convenhamos, narrativa nunca foi o forte do jogo. O que interessa é que o continente de Johto está muito mais colorido do que jamais foi. Levemente alterado, porém, não o suficiente para dizer que houve modificações.
Do restante muitos já sabem, você viaja o mundo em busca das sete insígnias que te dão passe para enfrentar a chamada Elite Five. No meio do caminho você resolve o problema de alguns ilustres habitantes, visita mistérios do mundo e até bate de frente com os cômicos vilões conhecidos como Team Rocket. As batalhas são a simplificação da estratégia em turno revista por dezenas de RPG, no qual a chave para a vitória é casar o elemento certo para enfraquecer seu inimigo, simples assim. Claro que existem outras estratégias mais sutis, mas pegando esta, o resto é apenas questão de tempo.
Uma das coisas mais interessantes é que quanto mais você joga o jogo, e consequentemente conhece a forma como aquele mundo funciona, mais você quer jogar. As mecânicas dos Pokémon mais modernos, como Emerald/Ruby e Diamond/Pearl, garantem que você demore muito mais para sequer cansar. Coisas que vão desde poder correr pelos cenários, utilizar com facilidade as habilidades de seu pokémon, até aos óbvios saltos tecnológicos, como a chance de poder trocar seus pokémon sem muito esforço com qualquer pessoa do mundo ou, claro, enfrentar oponentes por meio da internet.
Esta versão até busca a mecânica do clássico Pokemon Yellow no sentido que você pode andar com seu pokémon predileto seguindo-o no mundo, ao invés das tão conhecidas pokébolas. Fazer isso garante a maior aceitação do seu bichinho, o que facilita o aprendizado de técnicas entre outras coisas que possam vir a te surpreender no futuro. Aliás, falando em andar, este jogo inaugura o chamado PokéWalker, um acessório real que mistura o bichinho virtual ao pedômetro. Não entendeu? Basicamente você transfere seu pokémon predileto para o aparelho e pode sair andando com ele por aí. A energia que você acumulou com cada um dos seus passos pode ser usada para comprar alguns bônus, ou simplesmente evoluir seu pokémon. Bem simples, eu sei, mas é mais uma idéia interessante para manter toda a aura de amizade entre os pokémon e seus criadores.
Da sim para dizer que no final das contas o jogo não mudou nada. Viajar o mundo, encontrar mistérios, buscar eventos que só acontecem de noite em certas regiões, conhecer novos pokémon, dominá-los e finalmente batalhar contra oponentes que se julgam mais fortes que você. Quase que todos os jogos da franquia podem ser resumidos nessa frase e, ainda assim, dizer que a coisa ficou chata seria algo injusto. Ainda mais depois de ver o trabalho audiovisual aplicado nesta aventura.
Não que o jogo seja um dos mais belos no portátil da Nintendo, longe disso, mas o cuidado com o qual o mundo foi tecido deixa qualquer um que se deixe envolver mais próximo ao universo do jogo. É interessante ver os tipos de treinadores que rondam cada região, a forma como cada cidade se porta com seus costumes e como a trilha sonora ilustra tal cultura. Efeitos sonoros básicos elevam a imersão com gosto, como a forma como você ouve as ondas quando estiver andando próximo a uma praia, por exemplo.
Claro que os sons emitindo pelos pokémon ainda são sons eletrônicos ridículos, mas a Game Freak não aprende. Isso não parece que vai mudar tão cedo, então nos resta ficar com os sons ambiente que evoluíram conscientemente desde os últimos jogos e torcer para que a Nintendo coloque eles na linha, ainda mais com os planos de um novo portátil super-poderoso no forno.
Mais humilde do que precisava ser: Pokemon HeartGold e seu irmão SoulSilver, que se diferem apenas pelos pokémon que você encontra em seu caminho, são duas experiências únicas e ao mesmo tempo revisitadas. Alguém que já acompanha a franquia há tempos sabe que já viu quase tudo que os jogos podem oferecer, entretanto, estes dois em especial, merecem a sua atenção, seja pela nostalgia ou a curiosidade de alguém que nunca viu. Falo de um jogo coeso, unificado e que dá sempre um jeito de surpreender seu jogador, mesmo quando este pensa que tudo já esta para terminar. Produções como estas sempre valem seus preciosos minutos.