PRÓS
Mecânica sempre divertida
Pilotar o trem é algo que não cansa
Mundo repleto de cores e detalhes
Controlar Zelda
Lutas bastante originais contra os chefes
CONTRAS
O jogo não é exatamente desafiador
Multiplayer poderia ser melhor pensado
Muito mais que apenas mais um novo Zelda para Nintendo DS, The Legend of Zelda: Spirit Tracks é uma aventura que, embora visualmente parecida com seu antecessor, se porta totalmente diferente. Ela garante uma sensação de exploração e descobrimento ainda maior do que as viagens marítimas de Phantom Hourglass.
Claro, agora vem a parte que eu provo o porquê, então, acompanhe. Sendo uma continuação claramente direta do excelentíssimo Wind Waker e o já comentado Phantom Hourglass, este jogo conta o que acontece quando Link (provavelmente um descendente do herói anterior) encontra Zelda no dia de sua graduação como maquinista de trem. Sem saber, ele é jogado em meio a uma conspiração que envolve a tentativa de seres sobrenaturais em ressuscitar seu grande mestre, Malladus.
Você percebe logo ao começar o jogo: O mundo de Spirit Tracks é coberto por trilhos, logo, trens são o principal meio de transporte, mas isto tem um motivo muito mais profundo. Mais do que uma mecânica para divertir o jogador entre uma viagem e outra, estes são selos que acorrentam o maléfico vilão abaixo da superfície. O ponto que liga todos estes trilhos é a chamada Tower of Spirits, um dungeon que, como o Temple of Ocean King no último jogo, você deve sempre voltar para progredir no jogo. A diferença é que este é muito menos repetitivo e você não tem tempo para resolver seus quebra-cabeças. Que bom que alguém se tocou, não?
A grande sacada deste dungeon central é que nele você coopera com Zelda para superar uma série de desafios inteligentes. Link, você já sabe como age, ele pula, usa seus acessórios, entre outras coisas, mas Zelda, neste jogo, acaba ficando em uma forma espiritual devido a eventos que não vou contar. Como compensação, ela passa a habitar as poderosas armaduras chamadas Phantom. Assim, ela elimina inimigos aparentemente invencíveis, cria passagens para Link e até mesmo o carrega enquanto atravessa rios de magma. Esta inversão de papéis, com Zelda encarnando a força bruta, é original, divertida e funcional, considerando que para controlá-la basta tocar nela com a canetinha Stylus e direcioná-la para qualquer lugar. Você faz isso durante chefes também, garantindo um desafio extra na coordenação dos dois heróis.
Desbravar os andares do Temple of Spirits garante novos trilhos e conseqüentemente você pode explorar o mundo de Hyrule. Pilotar o trem é uma das coisas mais divertidas do jogo e, como tudo, basta utilizar a Stylus, tanto para alterar os níveis de velocidade, frear, trocar de trilhos (com direito até um apito para se entrar no clima) e, posteriormente, utilizar uma série de upgrades que garantem que sua viagem não termine em uma colisão contra outros trens. Você corre por montanhas, terras geladas, desertos e até mar embaixo, o típico da franquia e, ainda assim, o ritmo que o jogo flui nunca deixa com que você se sinta entediado.
Uma vez encontrado os famosos templos do jogo, a jogabilidade volta para o clássico do clássico. É a velha história de resolver quebra-cabeças, descobrir novas armas e acessórios, alguns manjados (o bom e velho bumerangue) e outros inéditos, como o cajado que conjura um muro de areia ou a criatura gosmenta que Link utiliza como chicote. Não dá para dizer que o jogo é difícil, mas ele também não entrega tudo de mão beijada, sem contar que os dois últimos templos farão você rachar a cuca frente a seus quebra-cabeças.
Visualmente o jogo lembra bastante Phantom Hourglass, apenas mais polido nas extremidades. O design do jogo é todo intuitivo e mesmo a telinha diminuta não consegue inibir o sentimento de vastidão que alguns cenários conseguem proporcionar. Esta aventura é ainda mais cinematográfica em suas cutscenes, cheio de carisma nas faces de seus personagens e animações, isso tudo decorado pela trilha sonora sempre de qualidade, que mistura arranjos no melhor estilo Folk à batidas medievais, daquele jeito que Zelda sabe fazer tão bem.
Spirit Tracks também tem seu modo multiplayer, uma breve distração, que funciona para até quatro jogadores, mas sem requerer quatro cartuchos, o tipo de coisa que falta nos últimos jogos de Nintendo DS. Uma pena que, como dito, falamos de uma mera distração no qual quatro Links competem por seis mapas distintos em busca dos pedaços da Tri-Force, escapando de armadilhas e guardas revoltados.
Seguindo a estrada de ferro: The Legend of Zelda: Spirit Tracks é uma excelente adição nos mitológicos capítulos da franquia e um que prova de vez que episódios para Nintendo DS não precisam ser apenas mais um, mas aquele para se lembrar tão bem quanto o saudoso Majora's Mask de Nintendo 64. Combinando interatividade, um desafio continuo e interessante e um mundo sempre convidativo a exploração, você vai ultrapassar e muito as 14 horas da história principal em busca de cada segredo e canto de Hyrule.