PRÓS
Variedade de monstros
Jogabilidade interessante
Enredo bem escrito
Multiplayer on-line
CONTRAS
Trilha sonora passável
Poderia haver side-missions
O que você acha que sai da união entre a mundialmente famosa Disney com a desenvolvedora japonesa especializada em portáteis, a Jupiter? Não, a resposta certa não é Kingdom Hearts. E embora a própria Jupiter seja a responsável pelo interessante Kingdom Hearts: Chain of Memories lançado para GameBoy Advance, estamos falamos de Spectrobes.
Olhando simplesmente pela capa do jogo, creio que poucos imaginam o potencial do jogo, ou mesmo do que ele trata. Se me perguntassem antes de jogar, eu diria que parece mais um jogo genérico para o Nintendo DS. Olhar atrás da caixa então piora a situação, pois ela exalta monstros e batalhas entre eles, coisa que o DS "nunca" teve, certo? Mas o jogo é muito mais que isso.
Beyond the Portals conta o retorno de Rallen e Jeena, heróis do primeiro jogo lançado durante o ano passado, que após ficarem famosos pela derrota dos poderosos Krawl, se vêem cara a cara com uma ameaça ainda mais poderosa e inteligente: os High Krawl. O mais notável, entre as novidades, é como o jogo conseguiu admitir um enredo levemente mais adulto, assim como um design mais caprichado, sem perder suas características infantis.
Desta vez você conta com não apenas 70, mas 185 spectrobes para auxiliá-lo na guerra conta a dominação dos Krawl, cada qual totalmente animado em 3D, com suas distintas animações e até equipamentos. Para quem não jogou o jogo que deu origem a tudo, você viaja pelo sistema solar chamado Nanairo como Rallen, com uma perspectiva totalmente tridimensional.
Apesar de ser no Nintendo DS, que até agora não mostrou lá muito poderio tridimensional, os cenários são detalhados e relativamente vastos. Tanto o personagem principal quanto seus inimigos são bem animados, raramente desapontando até os olhares mais atentos. A engine gráfica do jogo agüenta muito bem o tranco, e até mesmo as viagens mais lotadas (leia-se: com seis spectrobes seguindo) mantiveram-se longe dos temidos slowdowns.
Mas você pode estar se perguntando: "Tá, o jogo é bonito, mas o que eu faço com ele?". Bom, eu digo, você viaja o mundo estragando os planos dos Krawls e escavando spectrobes pelo caminho, que em troca lhe ajudarão durante as batalhas. Cada mundo que você viaja é tematizado como manda o clichê: o mundo desértico, o mundo do gelo, o mundo selvagem e assim por diante. Cada um influência diretamente no tipo de spectrobe que você pode escavar e no processo necessário para isso.
No mundo desértico, por exemplo, além de escavar, será necessário soprar pelo microfone do DS (ou por um item dentro do jogo, caso você não esteja a fim de parecer bobo) a areia que se acumulou pelos anos. Já no mundo congelado você deverá derreter a camada de gelo que cobre os fósseis. As batalhas de Beyond the Portals ainda são em tempo real como seu antecessor, e você joga controlando um dos monstros, enquanto os outros recebem ordens.
O jogo, enquanto não muito difícil, pode ser altamente tático, encorajando a exploração para que se encontrem cada vez mais tipos de criaturas e, conseqüentemente, compor novos tipos de ataques. Esta seqüência também traz um elemento novo, possibilitando que os jogadores controlem o protagonista em batalhas por missões especiais, mas este é provavelmente o elemento menos aproveitado do jogo. Ele limita Rallen a simplesmente eliminar as barreiras que contêm os inimigos que devem ser derrotados pelos spectrobes.
Embora extremamente linear, o jogo até que oferece bastante o que fazer, em termos de customização e criação. Já que você pode levar seus spectrobes para a internet para vendê-los, exibi-los ou batalhar com eles, há sempre espaço para se buscar novos itens e equipamentos. Uma pena não haverem missões paralelas, já que os jogadores puramente interessados na surpreendente história simplesmente não terão mais nada o que fazer depois de seu termino.
Spectrobes: Beyond the Portals é, em muitos sentidos, como o filme "The Godfather II" (O Poderoso Chefão II) é para o primeiro "The Godfather": uma seqüência incontestavelmente melhor e mais interessante. A única coisa que não se encaixaria na comparação é a trilha sonora, já que esta parte de Beyond the Portals é simplesmente nula. Levando em consideração que o último jogo da Jupiter foi o musicalmente revolucionário The World Ends With You, há como se esperar muito mais.
Fechando o sítio paleontológico: Spectrobes: Beyond the Portals é uma seqüência que merece atenção até mesmo de quem não jogou o primeiro título. Com uma história interessante e personagens carismáticos sustentados por um interessante sistema de luta e uma porção de atividades nada típicas do gênero "caçadores de monstros", serve, acima de tudo, para mostrar que a diversão não está só por trás dos grandes nomes. Tente este.