PRÓS
160 fases diferentes
Ação única e diferenciada
Extremamente desafiador
CONTRAS
Qualidade sonora pode deixar a desejar
Dificuldade pode frustrar alguns
Alguns slowdowns
Bangai-O Spirits não é um dos nomes mais conhecidos aqui pelo Brasil. Para ser sincero, as palavras parecem mais algum tipo de expressão proveniente do clássico "ingreis" japonês, do que o nome de um jogo propriamente dito. Mas, quem diria, estamos falando de um dos melhores em seu gênero, dos clássicos shooters verticais inaugurados pelo tão lembrado e nostálgico Space Invaders da Taito.
Nascido como apenas Bangai-O no hoje falecido Sega Dreamcast, a franquia ficou conhecida por ser uma original interpretação do gênero shoot'em up pelas mãos da cultuada Treasure, que costuma sempre dar seu toque único nos jogos que cria - com Bangai-O Spirits não foi diferente, a ponto de se poder falar que o título é um shooter, mas que também não fica devendo nada aos mais frenéticos jogos de ação.
Bangai-O no Dreamcast era então cativante, explosivo, extremamente difícil e ainda continha um enredo divertido e bem humorado. Bangai-O Spirits no Nintendo DS é cativante, explosivo, extremamente difícil, e pára por aí. Por algum motivo o humor todo foi cortado, uma pena, mas em troca ganhamos mais de 160 fases das mais cruéis (no sentido literal) e até mesmo um abrangente editor de fases que você pode usar para compartilhar suas idéias com possíveis companheiros.
Fato curioso é como o jogo consegue ser extremamente desafiador (a ponto de você xingar o DS) e mesmo assim continuar tentando. O jogo pode ser resumido nas palavras "reflexos rápidos, muita prática e dezenas de tentativas". Sair como um kamikaze qualquer pelos coloridos estágios como nos primórdios do gênero é o tipo de coisa impossível de se acontecer, pelo contrário, agora você terá que aprender a forma como determinados inimigos atacam e claro, os efeitos de suas armas nestes.
Cada arma em Bangai-O Spirits é única e, como se isso não bastasse, você pode combiná-las durante a ação para criar novos tipos de ataques. Isso sem contar os EX Attacks, levas de mísseis que varrem a tela com um show de luzes. Notou a quantidade de oportunidades? E mesmo assim o jogo é difícil. Nesse sentido, controlar o gigantesco robô Bangaioh (que ironicamente durante as fases é mostrado minusculamente na tela) é como se estar mesmo em um jogo de ação, ou porque não um de luta - é necessário certo aprendizado das técnicas utilizadas pelos inimigos para se esquivar e finalmente atacar com precisão.
Parece pesado, eu sei, mas o processo todo é divertido e tratando-se de um jogo portátil, quer dizer que você pode tentar se aprimorar sempre que tiver uma brecha no dia-a-dia. O sistema ainda desestimula a repetição e a conseqüente frustração, deixando você escolher entre diversas fases, caso fique empacado.
O Nintendo DS também agüenta excelentemente o epilético visual ultra-colorido, renderizando sem problemas a abundancia de luzes, centenas de explosões e a enorme quantidade de navinhas e tiros pelas duas telinhas do portátil. Está certo que alguns slowdowns são inevitáveis, mas são raros e não denigrem a ação. O que mais sofre na versão DS é o som, que perde todo o impacto em relação à versão caseira do jogo, mas até aí, nada mais esperado.
Clareando os céus: Bangai-O Spirits não é o tipo de jogo "inovador" que costuma dar o que falar na plataforma sensível da Nintendo, mas proporciona diversão incondicional para quem se aventurar pela jogabilidade divertida e calculada da franquia.