PRÓS
Competentes gráficos 3D
Ação diferenciada
Modo multiplayer
CONTRAS
Frame-rate engasga às vezes
Alguns objetivos ficam mal explicados
Lembra do Brothers in Arms lançado para PSP? Se não, não perdeste muito. O game serviu apenas para reforçar a idéia de que FPS não dá certo em videogames portáteis. E da GameLoft, você lembra? Creio que apenas aqueles que jogam em celulares, pois a tal empresa há tempos faz escola com suas produções para aparelhos telefônicos.
De qualquer forma, desta vez o pessoal da GameLoft quis partir para algo maior, melhor e, por que não, muito mais ousado. Sendo assim, eis que você está para ler a análise da versão Nintendo DS de um dos mais clássicos jogos de Segunda Guerra Mundial.
Primeiramente, esqueça aquela espécie de lei de que o portátil da Nintendo é um videogame incapaz de gerar gráficos 3D coesos e toleráveis. É justamente esse tipo de pensamento que acaba fazendo grandes empresas não se esforçarem nada, do ponto de vista gráfico, para impressionarem no pequenino hardware. Talvez por estar fora dessa cena, o pessoal da GameLoft não mediu esforços - resultando numa ação de cair o queixo.
Vastos cenários, casas e estruturas totalmente destrutíveis, fogo cruzado e muitas explosões. A ação do game é totalmente tridimensional como nos irmãos mais velhos da franquia lançados anteriormente, mas a jogabilidade passou a ser em terceira pessoa, abandonando a clássica primeira pessoa que fez a série conhecida. Se foi uma boa escolha? Definitivamente sim.
Você agora corre pelos campos da Europa utilizando um esquema de controle centrado no direcional e na tela sensível do DS, o que significa que você comandará seu personagem como controlaria qualquer outro protagonista de jogo 3D, e utilizará a caneta stylus como se esta fosse o mouse, ajustando a mira e a visão, atirando com o botão L. Esta nova jogabilidade torna o game muito mais tático do que o normal, devido ao fato de você acabar quase sempre escorado contra uma parede ou algum dos destroços do cenário antes de mirar em seus inimigos. Como todo bom Brothers in Arms, você também não deixa de montar em veículos, como os saltitantes jipes, durante determinadas seqüências das fases.
Só que, embora as fases sejam vastas, você não tem muita escolha quando o assunto é liberdade. As missões, em geral, consistem do manjado "vá do ponto A ao B", com você matando um grande número de alemães entre um ponto e outro, com variações como "plante bombas no campo inimigo" ou "destrua determinados edifícios comandando um pesado e divertido tanque de guerra". Nada exatamente original, mas ainda assim, a aventura mantém-se interessante por suas quase seis horas.
Claro que nem tudo é alegria e todo esse detalhismo gráfico teve um preço, o frame-rate tende a engasgar um pouco em situações abarrotadas de inimigos, assim como a inteligência artificial das tropas germânicas nem sempre age de forma inteligente. De fato, se você tomar caminhos "inesperados" (leia-se: fazer caminhos alternativos durante as fases), é fácil surpreender seus inimigos que ficam procurando você como idiotas. Certos objetivos durante as fases também nem sempre ficam claros, levando à repetição da clássica tentativa e erro.
A parte sonora do game também não deixa a peteca cair, se concentrando mais nos efeitos sonoros que determinam explosões e tiros, deixando em segundo plano a trilha sonora orquestrada. Nada que mereça reclamações.
Terminando a guerra: Brothers in Arms DS é uma experiência breve, porém, divertida e impressionante, com direito até a modo multiplayer. Trata-se de um dos melhores títulos do Nintendo DS quando o assunto é grafismo 3D. A GameLoft merece os parabéns pela ousadia de tentar fazer diferente no portátil multi-tela da Nintendo. Se você é daqueles que há tempos busca uma ação diferenciada e, claro, competente, compre este jogo sem se preocupar.